sábado, 8 de janeiro de 2022

Gestão comunitária da terra BdF

Gestão comunitária da terra 

06 de Janeiro de 2022 às 10:54

Residentes del Caño Martín Peña em Porto Rico, uma das primeiras experiências na América Latina - Crédito: Line Algoed

Forte protagonismo dos moradores marcam experiências de gestão da terra

Por Felipe Cruz Akos Litsek* e Tarcyla Fidalgo Ribeiro**

 

O Termo Territorial Coletivo é o modelo brasileiro de Community Land Trust, instrumento criado nos Estados Unidos há mais de 60 anos e hoje amplamente disseminado pelo mundo. Trata-se, em linhas gerais, de um modelo de gestão coletiva da terra, caracterizado pela separação entre a propriedade da terra e das construções: a primeira pertence à comunidade como um todo (ficando sob titularidade de uma pessoa jurídica criada e gerida pelos moradores), enquanto que as casas e construções ficam sob a titularidade individual dos moradores. Seu principal objetivo é promover o fortalecimento comunitário e garantir a segurança da posse aos moradores, além de prover moradia a preços acessíveis de forma permanente. Pode-se dizer que o TTC é também um mecanismo de desmercantilização da terra: uma vez implementado, ele retira a terra do mercado, na medida em que a pessoa jurídica composta e gerida pelos moradores fica proibida de vendê-la.

Breve histórico

Community Land Trust surgiu nos EUA nos anos 1960, no contexto do movimento por direitos civis, e de início foi pensado como um mecanismo de aquisição de terras agrícolas para a subsistência e desenvolvimento econômico de comunidades negras marginalizadas por políticas de segregação. Os idealizadores do modelo, inspirados por pensadores como Henri George e Vinoba Bhave, exploravam formas coletivas de posse da terra baseadas em tradições indígenas e religiosas, buscando adaptar suas características para atender ao contexto rural dos Estados Unidos. Assim, em 1969, nasce o primeiro CLT no estado da Geórgia, quando 12,000 hectares de terra foram comprados por uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo era deter a titularidade da terra e geri-la em nome das famílias que lá residiam e trabalhavam. A experiência ficou conhecida como New Communities Inc.

Apesar de surgir no contexto rural, é nas cidades que o instrumento ganha visibilidade e se desenvolve com rapidez, se relacionando com novas formas de vulnerabilidade e adotando novas estruturas organizacionais. Fenômenos como a valorização imobiliária, a gentrificação dos espaços urbanos e o aumento dos custos com a moradia são apontados como problemas que justificariam a implementação do instrumento no contexto urbano. Os primeiros CLTs urbanos surgem nos anos 1980 em cidades norte-americanas, implementados para servir como um mecanismo de promoção de moradia acessível para comunidades urbanas vulnerabilizadas de forma permanente.

Hoje, os EUA contam com mais de 250 CLTs ativos, regulamentações próprias em diversos estados, isenções fiscais devido ao seu caráter social e crescente apoio do Poder Público. Pelo mundo, o CLT atualmente se encontra espalhado por diversos países, como o Reino Unido, Canadá, Austrália, Quênia, Porto Rico, entre outros. Esta proliferação foi acompanhada por uma contínua adaptação do modelo para realidades distintas, o que é possível devido ao seu caráter altamente flexível. Em 2017, foi reconhecido pela Nova Agenda Urbana – documento da ONU adotado que estabelece diretrizes globais de políticas urbanas e habitacionais – como uma opção preferencial de garantia de moradia sustentável e acessível, devendo ser apoiada pelos Estados. Apesar da flexibilidade inerente ao modelo, temos certas características intrínsecas ao CLT, que são observadas em todas as experiências com o modelo, inclusive no modelo brasileiro do Termo Territorial Coletivo.

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Estrutura do Community Land Trust e características básicas

Existem pelo menos 5 características básicas que podem ser encontradas em qualquer Community Land Trust:

1. Adesão voluntária: deve haver liberdade na escolha de constituir ou aderir a um Community Land Trust. Ninguém pode ser obrigado a participar de um CLT, a livre manifestação da vontade dos moradores é essencial para a implementação do instrumento.

2. Terra de propriedade coletiva: aqui não se quer dizer que a terra está registrada sob o nome de todos que nela habitam, ou que há mais de um titular da propriedade fundiária. Em todo CLT forma-se uma organização sem fins lucrativos que se torna a proprietária do terreno –  criada e gerida coletivamente pelos moradores. O objetivo deste arranjo é retirar a terra do mercado e impedir que pessoas negociem individualmente a propriedade do solo, afastando interesses especulativos e mantendo o valor dos imóveis estável e permanentemente acessível para famílias de baixa renda.

3. Casas e construções de propriedade individual: no CLT, cada morador é individualmente titular da sua casa, e coletivamente titular da terra. Esse arranjo garante um equilíbrio entre interesses individuais e coletivos: moradores têm autonomia para usar e dispor de seus bens como desejarem, desde que dentro dos limites estabelecidos coletivamente, e ao mesmo tempo contam com a força do coletivo na gestão do território. Assim, é permitida a troca, venda, aluguel e outras formas de utilização dos imóveis – podendo o CLT estabelecer regras e limitações com fins de preservar seu objetivo de promover moradia acessível – e todas as benfeitorias/construções efetuadas no terreno pertencem aos seus moradores. Para efetivar a separação entre a propriedade da terra e a propriedade das construções, temos no direito brasileiro a figura do direito real de superfície, que traz segurança pela presença de um título registrado em cartório e garante autonomia em seu manejo.

4. Gestão coletiva do território: em todo CLT é formado um conselho gestor responsável por tomar decisões relativas à gestão do território, cuja estrutura e formação é definida pelos moradores. As possibilidades de composição desse conselho são diversas, mas tradicionalmente é previsto no conselho a representatividade de pessoas de fora do território – como técnicos, vizinhos ou membros do poder público – desde que aliados da comunidade. Apesar do conselho ser responsável pela gestão do dia-dia e funcionamento da organização titular da terra, é possível e recomendada a adoção de outros mecanismos que garantam uma participação direta dos moradores, como assembleias gerais, comitês participativos, entre outros.

5. Acessibilidade econômica da moradia: este ponto compreende uma das principais finalidades do Community Land Trust, pelo menos em suas aplicações urbanas. Por deter a propriedade da terra e retirá-la do mercado imobiliário, apenas as construções podem ser objeto de transações comerciais, o que por si só já reduz drasticamente o preço das transações imobiliárias. Além disso, existem diversos mecanismos pelos quais o CLT pode buscar garantir os baixos custos dos imóveis, como a imposição de um teto para a venda e aluguel das casas, limitações acerca dos possíveis compradores (evitando, por exemplo, que empresas adquiram imóveis, de forma a privilegiar o acesso de famílias de baixa renda), direito de preferência (no qual, se um dos moradores quiser vender sua casa, o próprio CLT pode exercer a preferência e adquiri-la, para depois revendê-la por um custo acessível), entre outros.

A reunião dessas 5 características configura o modelo do Community Land Trust, no qual a terra deixa de ser compreendida como um mero valor de troca mercantilizado para ter privilegiado seu valor de uso, a partir do cumprimento da sua função social de prover moradia acessível. Recentemente, experiências com o modelo em assentamentos informais demonstraram um enorme potencial na resposta às demandas das comunidades, em especial a permanência no território e o desenvolvimento comunitário. Uma delas está situada em Porto Rico e merece atenção especial por seu impacto e influência.

CLT em assentamentos informais: o caso de Porto Rico

Em 2004 foi instituído o Fideicomiso de la Tierra Caño Martín Peña, uma das primeiras iniciativas com o CLT no âmbito da América Latina, e uma das poucas em assentamentos informais no mundo. O modelo foi implementado em um território que abriga cerca de 6.000 famílias de 8 comunidades – dentre as quais 2.000 aderiram ao CLT – localizado no entorno do canal Martín Peña, que atravessa o centro da cidade de San Juan, capital de Porto Rico. Esta implementação foi fruto de um projeto de desenvolvimento integral e regularização fundiária voltado para as comunidades do Caño, onde moradores e técnicos aliados pressionaram o poder público e conseguiram obter conquistas importantes que garantiram uma maior autonomia e poder decisório sobre os rumos do projeto. Preocupados com uma provável valorização imobiliária da terra, decorrente da intervenção urbanística no local – o que poderia impulsionar um processo de gentrificação -, os moradores escolheram o modelo do fideicomisso pela sua capacidade de garantir a propriedade coletiva da terra e a titulação individual das construções. Depois de um longo processo de luta o fideicomisso foi oficialmente instituído através da lei 489/2004, que prevê a transferência das terras públicas para uma organização sem fins lucrativos – composta e gerida pelos moradores – e que deve administrá-la em seu nome, sendo proibida a venda da terra.

A experiência foi marcada por um forte protagonismo dos moradores, que construíram juntos o estatuto do Community Land Trust e optaram por garantir sempre uma maioria de moradores no conselho gestor da organização titular da terra. O instrumento adotado para efetivar a separação da propriedade da terra e construções foi o direito de superfície, celebrado entre os moradores e a entidade proprietária da terra. Além da regularização da situação fundiária dos moradores da área, o CLT pôs em prática diversos projetos de desenvolvimento local e recuperação ambiental, e fortaleceu a organização comunitária na gestão do território, facilitando inclusive a comunicação e o poder de barganha com o governo local. Em 2015, recebeu um prêmio da organização internacional World Habitat, reconhecendo a experiência como boa prática habitacional.

O sucesso da experiência de Porto Rico demonstra que o Community Land Trust pode ser um instrumento eficaz de desenvolvimento, promoção de moradia e garantia da segurança da posse em assentamentos informais e precarizados.

Potencial para o Brasil

A partir do sucesso das comunidades de Porto Rico com o modelo do Community Land Trust (aqui denominado Termo Territorial Coletivo), ficou evidente seu potencial para favelas e assentamentos informais latino-americanos. Dado seu histórico, acredita-se que as cidades brasileiras podem se beneficiar amplamente a partir da utilização do Termo Territorial Coletivo, especialmente na luta por justiça socioespacial e pela moradia. Sob essa perspectiva das potencialidades do TTC, destaca-se alguns dos impactos positivos que ele pode trazer:

1. Garantia de segurança da posse robusta para populações vulnerabilizadas: O TTC protege comunidades da ameaça de remoção, provocada tanto pelo Estado quanto pelo mercado, assegurando de forma efetiva o direito à permanência.

2. Promoção do desenvolvimento comunitário através da gestão coletiva: O TTC dá as ferramentas necessárias para que comunidades possam se desenvolver com independência e protagonismo. Mais que isso: permite que os frutos do desenvolvimento sejam aproveitados pelos moradores, e não por terceiros que possam chegar para especular em cima da valorização da terra.

3. Garantia do controle do território por parte dos moradores: Os titulares das construções situadas sob o modelo TTC, bem como outros membros chamados a participar de seu órgão de gestão, governam do TTC e determinam os usos do território e o desenvolvimento local. Além de definirem a composição do conselho e elegerem seus membros, os moradores também podem estabelecer mecanismos de participação direta para deliberar sobre questões mais sensíveis.

4. Aumento do poder de barganha perante o Poder Público e concessionárias de serviços: a partir do momento em que moradores se tornam coletivamente proprietários de uma pluralidade de imóveis, seu poder de negociação muda de patamar. Eles poderão pressionar autoridades com mais força para exigir o cumprimento dos serviços públicos e também se organizar coletivamente para implementar melhorias.

5. Garantia de moradia acessível economicamente pela perpetuidade: através da retirada da terra do mercado – e de outros mecanismos de controle de preço que podem ser estabelecidos na sua criação – o TTC consegue manter o custo da habitação acessível por famílias de baixa renda de forma permanente. Ele contribui, dessa forma, para a plena efetivação do direito à moradia adequada, uma responsabilidade do Estado segundo nossa Constituição. Assim o TTC tem grande potencial de aumentar a eficiência do Estado no cumprimento do seu mandato em relação ao direito à moradia.

Diante do reconhecimento do impacto positivo que o Termo Territorial Coletivo pode trazer para as cidades do país, atualmente está em curso um projeto no Rio de Janeiro que busca viabilizar sua implementação em alguma comunidade da cidade, estudando meios para tal e realizando ações de mobilização junto aos moradores.

O Projeto TTC no Brasil

Em agosto de 2018, uma coletiva de membros do Fideicomiso de la Tierra Caño Martín Peña (CLT em Porto Rico mencionado acima) veio ao Rio de Janeiro para oferecer uma série de oficinas em parceria com a Comunidades Catalisadoras. O objetivo dessas oficinas foi aprender com a experiência porto-riquenha – especificamente em relação à adaptação do modelo TTC para assentamentos informais – para melhor conhecer o instrumento e discutir como ele poderia ser efetivo na promoção de moradia acessível no Brasil.

Após 5 dias de oficinas, foi decidido que seria formado um Grupo de Trabalho permanente, com reuniões regulares, para estudar com mais profundidade o Termo Territorial Coletivo, difundir conhecimento sobre ele e pensar como ele poderia ser implementado no Brasil. A composição do grupo é bastante diversa, incluindo lideranças comunitárias, representantes de órgãos públicos, universidades, arquitetos e urbanistas e estudantes. Logo no início, foram definidas duas frentes de trabalho principais: mobilização (destinada a organizar atividades nas comunidades interessadas) e legislação (destinada a pensar soluções jurídicas para a implementação do TTC, e construir propostas de regulamentação legal do modelo).

Assim nasceu o Projeto TTC, cuja estrutura se manteve até os dias de hoje. A diversidade de atores que participam do GT é um dos pontos mais positivos do projeto, e permitiu a criação de um ambiente fértil de troca e colaboração. Em 2019, o foco foi o trabalho de mobilização nas comunidades interessadas. Logo se apresentaram duas comunidades como possíveis projetos piloto, nas quais foram organizadas atividades como oficinas, visitas de porta em porta, festividades para aumentar o espírito comunitário e dinâmicas de planejamento comunitário.

Em 2021, o Projeto TTC caminha para completar três anos de vida, cada vez mais forte e com mais apoiadores, mantendo-se firme em seu objetivo de trazer o TTC para a realidade dos assentamentos informais cariocas como uma solução fundiária capaz de garantir sua permanência, fortalecimento e estimular seu desenvolvimento. Com o advento da pandemia, todas as atividades do projeto foram transferidas para o ambiente virtual, explorando as frentes de trabalho possíveis de serem desenvolvidas remotamente, sem deixar de prestar apoio às comunidades parceiras. Atualmente, o Grupo de Trabalho conta com 202 membros no GT, de 76 instituições, e uma série de propostas legislativas prontas para regulamentar e facilitar a implementação do TTC em todos os níveis federativos.

O Grupo de Trabalho do Projeto Termo Territorial Coletivo é aberto e todos que desejarem contribuir podem participar! Todo mês, temos uma reunião plenária com todo o GT e, além disso, agendamos reuniões específicas para tratar de temas pontuais. Para mais informações sobre como colaborar, acesse nosso site.

Para ficar por dentro do projeto aqui no Brasil:

Site do Projeto TTC: https://www.termoterritorialcoletivo.org/

Página do Facebook: https://www.facebook.com/termoterritorialcoletivo

Vídeo TTC: https://bit.ly/VideoTTC

Relatório Anual de 2020: http://www.bit.ly/RelatorioTTC2020

Relatório Anual de 2019: http://www.bit.ly/RelatorioTTC2019

 

 

The truth about land grabs - Oxfam

We all rely on the land—our common ground—and farms to put food on the table. But the world’s farmland is at risk. Here in the US, we have been losing more than an acre of farmland every minute. In developing countries, the rush for land is even more intense.

What's a land grab?

Imagine waking up one day to be told you’re about to be evicted from your home—being told that you no longer have the right to remain on land that you’ve lived on for years. And then, if you refuse to leave, being forcibly removed. For many communities in developing countries, this is a familiar story.

In the past decade, more than 81 million acres of land worldwide—an area the size of Portugal—has been sold off to foreign investors. Some of these deals are what’s known as land grabs: land deals that happen without the free, prior, and informed consent of communities that often result in farmers being forced from their homes and families left hungry. The term “land grabs” was defined in the Tirana Declaration (2011) by the International Land Coalition, consisting of 116 organizations from community groups to the World Bank.

The global rush for land is leaving people hungry

The 2008 spike in food prices triggered a rush in land deals. While these large-scale land deals are supposedly being struck to grow food, the crops grown on the land rarely feed local people. Instead, the land is used to grow profitable crops—like sugarcane, palm oil, and soy—often for export. In fact, more than 60 percent of crops grown on land bought by foreign investors in developing countries are intended for export, instead of for feeding local communities. Worse still, two-thirds of these agricultural land deals are in countries with serious hunger problems.

 

 

 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Fisiocracia wiki bbb

 

Fisiocracia

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François Quesnay

La fisiocracia o fisiocratismo era una escuela de pensamiento económico del siglo XVIII fundada por François Quesnay en Francia. Afirmaba la existencia de una ley natural por la cual el buen funcionamiento del sistema económico estaría asegurado sin la intervención del Estado. Su doctrina queda resumida en la expresión laissez faire.

El origen del término fisiocracia proviene del griego y quiere decir "gobierno de la naturaleza", al considerar los fisiócratas que las leyes humanas debían estar en armonía con las leyes de la naturaleza. Esto está relacionado con la idea de que solo en las actividades agrícolas la naturaleza posibilita que el producto obtenido sea mayor que los insumos utilizados en la producción surgiendo así un excedente económico.

Los fisiócratas calificaron de estériles las actividades como la manufactura o el comercio donde la incautación sería insuficiente para reponer los insumos utilizados.

Teoría fisiocrática[editar]

La fisiocracia surge como una reacción de tipo intelectual a la común concepción de la mente intervencionista del pensamiento mercantilista. Insistían en que la intervención de intermediarios en varias etapas del proceso de la producción y distribución de bienes tiende a reducir el nivel total de prosperidad y producción económica. Ejemplos de estas intervenciones eran muchas pero los fisiócratas se fijaban en los controles gubernamentales tales como los monopolios, impuestos excesivos, burgueses parasitarios y el feudalismo Europeo. Estas prácticas estaban asociadas con el corporativismo comercial o el énfasis desmesurado en el crecimiento industrial, los cuales estaban y están basados en el restrictivo interés privado. Y para ahondar más las diferencias, estudiaron los fondos, por lo que propugnaban el impuesto único sobre la tierra y sugerían la anulación de todos los establecidos por los mercantilistas. La tendencia general de los fisiócratas es el Librecambismo. La tarea del economista se reduce a descubrir el juego de las leyes naturales. La intervención del Estado es inútil, pues no haría otra cosa que interferir ese orden esencial. El interés de los fisiócratas se concentraba en gran medida en la definición de una estrategia macroeconómica de desarrollo que incluyera políticas coherentes. Es el primer movimiento que adopta un acercamiento sistemático a la teoría económica. Se creía que si esta ley era estudiada y enmendada, derivaría en condiciones armoniosas y beneficiosas para toda la humanidad. Fisiocracia se aplica al concepto total de un gobierno, no necesariamente a la actividad económica solamente. Porque los padres de esta teoría política veían el progreso económico como inseparable del progreso social, argumentando que gracias a la incrementada prosperidad natural, las rivalidades entre grupos oponentes van a disminuir porque al final del día va a costar más de lo que vale.

Es importante notar que los fisiócratas eran definidos indudablemente optimistas. Tenían confianza absoluta en la continuidad del progreso. Es a través del estudio sobre la demografía donde se demostraba más profusamente. Estimaban que la población aumentaba hasta el límite de subsistencia, y Dupont de Nemours, uno de los más destacados miembros de la escuela, presentó el ejemplo aritmético mencionado después por Malthus, esto es, el de las colonias inglesas que duplicaban su población cada 25 años debido a la abundancia de medios de subsistencia agrícolas de que disponían sus habitantes.
(Whittaker)

Importancia de la producción agrícola frente al comercio[editar]

Tierra y trabajo como fuentes de producción. Los autores del siglo XVII y principios del XVIII estimaban la tierra y el trabajo como los agentes o factores causantes de la producción. Esta opinión fue puesta en boga por el filósofo Thomas Hobbes. Al estudiar en su Leviatán, el aspecto económico de la comunidad o estado, dice:

"En cuanto a la abundancia de materias, está limitada por la naturaleza a aquellos bienes que, manando de los dos senos de nuestra madre común la tierra y el mar, ofrece Dios al género humano, bien gratuitamente, bien a cambio del trabajo." (Hobbes)

Para los fisiócratas, en oposición al mercantilismo, la riqueza de una nación procedía de su capacidad de producción y no de las riquezas acumuladas por el comercio internacional. Y consideraban que la única actividad generadora de riqueza para las naciones era la agricultura. Cantillon comienza su Ensayo sobre la naturaleza del comercio, en general diciendo que, "La tierra es la fuente o materia donde toda riqueza se produce. El trabajo del hombre es la forma que la produce: y la riqueza en sí no es nada, sino el sustento, comodidades y superfluidades de la vida."

Turgot, cofundador de la fisiocracia, resume esta noción con el dicho, "El agricultor es la única persona cuyo trabajo produce algo más que el salario de su trabajo. Es, por lo tanto, la única fuente de toda riqueza." Y agrega: "La tierra le paga directamente el precio de su trabajo, aparte de cualquier otro hombre o convenio. La naturaleza no le regatea para obligarle a sostenerse con lo que es de todo punto necesario. Lo que le concede no está proporcionado ni a sus necesidades ni a una valuación contractual del precio de su día de trabajo. Es el resultado físico de la fertilidad del suelo, y de la sabiduría, mucho más que de la laboriosidad, de los medios que ha empleado para hacerla fértil. Tan pronto como el trabajo del agricultor produce más de lo requerido por sus necesidades, puede, con este excedente superfluo que la naturaleza le otorga como un puro don, por encima de la retribución de su esfuerzo, comprar el trabajo de otros miembros de la sociedad. Estos, al vendérselo, sólo obtienen su subsistencia; pero el agricultor recoge, además de su subsistencia, una riqueza que es independiente y disponible, que ha comprado y que la vende. Es, por lo tanto, la única fuente de riqueza, que, mediante su circulación, anima a todos los trabajos de la sociedad; porque es el único cuyo trabajo produce más salario de éste." (Whittaker)

Los fisiócratas no fueron los únicos que atribuyeron especial importancia a la agricultura. Las ideas fisiocráticas parecen haber influido en Benjamín Franklin. Viviendo en un país en el que la agricultura era la principal actividad, y en el que las manufacturas y comercio que entonces existían satisfacían más que nada las necesidades de los agricultores, es comprensible que Franklin conviniera con los fisiócratas acerca de la importancia de la actividad agrícola.

El siguiente párrafo presenta su posición: "...parece que no hay más que tres formas en las que una nación puede adquirir riquezas. La primera es mediante la guerra, como hicieron los romanos, saqueando a sus vecinos conquistados. Esto es robo. La segunda es por el comercio, que generalmente es engañoso. La tercera es por la agricultura, único medio honesto por el cual el hombre recibe un verdadero incremento de la simiente arrojada a la tierra, en una especie de milagro continuo, forjado en su favor por la mano de Dios, como recompensa por su vida inocente y laboriosidad virtuosa."

Los fisiócratas asumieron que dada su observación de los mercados, la manufactura era una actividad estéril, ya que no se veía un gran avance en este sector. Obviamente, esto se debía al tamaño de la industria de entonces, anterior a la revolución industrial. Lo cual constituye una falla en su análisis, que se deriva también del mayor interés en la productividad física y no en la productividad del valor. También defendían que la agricultura era el único sector productivo capaz de crear riqueza, mientras que el comercio y la industria tan solo permitían la distribución de esta riqueza; los fisiócratas estaban en contra de las políticas de comercio internacional mercantilismo, favorecedoras del proteccionismo.

Historia[editar]

El sistema de fisiocracia fue aplicado a mediados del siglo XVIII, pues ciertamente no fue en la forma 'pura' imaginado por sus creadores teóricos, sino a través de legislación detallada que favoreció recomendaciones privadas. Derivó en el periodo conocido como Ilustración. Reflexiones de la creencia en las leyes naturales se puede fijar en un sin número de áreas, variando desde las ciencias naturales hasta las teorías del orden constitucional (Magill).

En el Antiguo RégimenTurgot sirvió como miembro de la corte de Luis XVI, la administración local de París, y escribió folletos y libretos sobre los temas relacionados con su trabajo: impuestos, comercio del grano, y dinero. Turgot afirmó que la abundancia vino del interés propio y que los mercados están conectados por los flujos de dinero (i.e. un costo para el comprador es crédito para el productor).

Así él se dio cuenta de que la bajada de precios en tiempos de la escasez - campo común en ese entonces - era peligrosa económicamente pues sirvió como desaliento a la producción. Generalmente, Turgot abogó por menos interferencia del gobierno en el mercado de grano, pues cualquier actividad del gobierno daría a luz al acontecimiento que evitaría que la política trabajara. Un ejemplo sería que si el gobierno comprara maíz al exterior, sería la gente de allí quien se daría cuenta de que hay una probable escasez, y aumentaría su precio.

Esta idea era un ejemplo temprano de la adaptación al librecambismo. En zonas anónimas publicadas, François Quesnay propuso un sistema conocido como "Diezmo Real" en el que sugirió una simplificación importante del código impositivo francés basada en cambiar relativamente a impuestos únicos en características y comercialización. Durante el período de la Guerra de los Siete Años, el movimiento de la fisiocracia comenzó a crecer. Varios diarios aparecieron, mostrando a una audiencia cada vez mayor en Francia las nuevas ideas económicas. Entre ellos el más importante era el Diario Económico (1721-1772), que promovió la agronomía y agricultura racional y el Diario de Comercio (1759-1762), que fue influenciado grandemente por el irlandés Richard Cantillon, y dos predominaron por fisiócratas; el Diario de la Agricultura y el Comercio y las finanzas del DES (1765-1774). Jean-Claude Marie Vicent de Gournay era el encargado principal del "Diario de Comercio" escribió Efemérides del ciudadano (1767-1772 y 1774-1776). En donde se condenaba el exclusivismo de los gremios comerciales, la multiplicidad de impuestos en la tierra, y precios artificialmente fijados en materias primas, como el grano. Aunque los fisiócratas lograron cambiar mucha legislación abusiva e introdujeron una plétora de ideas socioeconómico-políticas, los intereses capitalistas triunfaron al final dado el interés predominante por el crecimiento industrial por encima de la agrícola (Wittaker).

Fisiocracia como ciencia social[editar]

Los fisiocráticos son generalmente considerados como los fundadores reales de las ciencias sociales. Fueron, de hecho, los primeros en emplear el método científico, en dirigir un movimiento que hizo investigaciones sobre fenómenos sociales.

Un movimiento comparable con el desarrollo de la química. Es entonces cuando escritores como Rousseau basan su origen de sociedad en un acuerdo entre hombres y un contrato social. Encontró el origen de la legislatura, los caprichos de los hombres y criticó la propiedad individual y la desigualdad entre hombres. Montesquieu habla de las leyes que gobiernan todo en la tierra como la materia y la naturaleza, y que el hombre no es diferente en ese sentido. Todo este pensamiento nació de los descubrimientos fisiocráticos. Ellos propusieron que las sociedades no nacieron por casualidad, sino que provienen de la naturaleza del hombre. La sociedad es el proveedor de la libertad, ya que no podemos sobrevivir como especie sin la ayuda de nuestros hermanos. El deseo de asociación nos unifica; el interés personal nos mueve. Dos fuerzas aparentemente antagonistas producen una acción armoniosa. Pero esta sociedad incluye el principio de que cada derecho involucra una obligación correlativa y recíproca (Higgs).

Si no se aceptaban estos términos y surgían crímenes o desobediencias, la autoridad velaba para que se cumpliera la ley. Es importante notar que la autoridad no puede crear leyes, sino solo administrar su seguimiento. Ellos recomendaban el uso de un príncipe absoluto que siempre tiene que tener su interés volcado en los intereses personales de su ciudadanía. Solo debía haber un impuesto sobre la tierra que se pagaba a las instituciones gubernamentales. Como una contrapartida a su poder habría un instituto independiente judicial que aseguraba el seguimiento de las leyes naturales de parte del soberano. Y también de administrar un sistema de educación suficientemente grande para dar a cada ciudadano el entendimiento de las leyes sociales y naturales. Es importante notar que no todos los fundadores fisiocráticos estaban de acuerdo en este tema. El más notable entre ellos fue Turgot (Higgs).

Crítica[editar]

La fisiocracia no fue recibida con los brazos abiertos por muchas razones, no siendo todas intelectuales. Sus oponentes fueron muchos, incluyendo a los mercantilistas que hasta entonces habían dirigido la política económica de la corte de Francia, y a los incipientes liberales liderados por Adam Smith, quien publicaría una respuesta crítica a la fisiocracia. Aunque Smith creía en muchas de las doctrinas expuestas por los fisiócratas, no aceptaba el calificativo de las clases mercantiles y artesanales como estériles e improductivas. Sí reconocía que la agricultura era la más productiva de las ocupaciones, pero sostenía que las otras ocupaciones deberían ser denominadas como menos productivas, no como improductivas. Para demostrar la verdad de su afirmación, Smith observó que incluso la clase social más baja "produce anualmente el valor de su propio consumo anual, y perpetúa, al menos, la existencia del capital que le mantiene y emplea."

Otro crítico, Alexander Hamilton, condena la idea de impuestos y renta sobre la tierra diciendo: "Parece haberse pasado por alto que la tierra es en sí un capital, anticipado o alquilado por el propietario al arrendatario, y que la renta que recibe es sólo el beneficio ordinario de un cierto capital en forma de la tierra, no explotada por el mismo propietario, sino por otro, al que se la presta o alquila, y el que, de su parte, anticipa un segundo capital, para preparar y mejorar la tierra, por el que recibe el beneficio usual..."

Véase también[editar]

Bibliografía[editar]

  • Magill, Frank N. Survey of Social Science Economic Series 4. Salem Press, Pepperdine University: Pasedina California.
  • Higgs, Henry C.B. Palgrave's Dictionary of Political Economy Volume III. Reprints of Economic Classics: New York 196 BUT PEPA. Pensamiento Económico. Gráfica Panamericana: Pánuco, México 1948.
  • Hobbes, Thomas. Leviatán. México: Fondo de Cultura Económica, 1651.

Enlaces externos[editar]

The Global Land Grab

The global Land Grab

 file:///C:/Users/HOME/Downloads/landgrabbingprimer-feb2013.pdf 

sábado, 1 de janeiro de 2022

El final del neoliberalismo “progresista” Nancy Fraser

 

El final del neoliberalismo “progresista”

Nancy Fraser 

12/01/2017

La elección de Donald Trump es una más de una serie de insubordinaciones políticas espectaculares que, en conjunto, apuntan a un colapso de la hegemonía neoliberal. Entre esas insubordinaciones, podemos mencionar, entre otras, el voto del Brexit en el Reino Unido, el rechazo de las reformas de Renzi en Italia, la campaña de Bernie Sanders para la nominación Demócrata en los EEUU y el apoyo creciente cosechado por el Frente Nacional en Francia. Aun cuando difieren en ideología y objetivos, esos motines electorales comparten un blanco común: rechazan la globalización gran-empresarial, el neoliberalismo y al establishment político que los ha promovido. En todos los casos, los votantes dicen “¡No!” a la letal combinación de austeridad, libre comercio, deuda predatoria y trabajo precario y mal pagado que resulta característica del actual capitalismo financiarizado. Sus votos son una respuesta a la crisis estructural de esta forma de capitalismo, crisis que saltó por primera vez a la vista de todos con la casi fusión del orden financiero global en 2008.

Sin embargo, hasta hace poco, la repuesta más común a esta crisis era la protesta social: espectacular y vívida, desde luego, pero de carácter harto efímero. Los sistemas políticos, en cambio, parecían relativamente inmunes, todavía controlados por funcionarios de partido y elites del establishment, al menos en los estados capitalistas poderosos como los EEUU, el Reino Unido y Alemania. Pero ahora las ondas electorales de choque reverberan por todo el planeta, incluidas las ciudadelas de las finanzas globales. Quienes votaron por Trump, como quienes votaron por el Brexit o contra las reformas italianas, se han levantado contra sus amos políticos. Burlándose de las direcciones de los partido, han repudiado el sistema que ha erosionado sus condiciones de vida en los últimos treinta años. Los sorprendente no es que lo hayan hecho, sino que hayan tardado tanto.

No obstante, la victoria de Trump no es solamente una revuelta contra las finanzas globales. Lo que sus votantes rechazaron no fue el neoliberalismo sin más, sino el neoliberalismo progresista. Esto puede sonar como un oxímoron, pero se trata de un alineamiento, aunque perverso, muy real: es la clave para entender los resultados electorales en los EEUU y acaso también para comprender la evolución de los acontecimientos en otras partes. En la forma que ha cobrado en los EEUU, el neoliberalismo progresista es una alianza de las corrientes principales de los nuevos movimientos sociales (feminismo, antirracismo, multiculturalismo y derechos de los LGBTQ), por un lado, y, por el otro, sectores de negocios de gama alta “simbólica” y sectores de servicios (Wall Street, Silicon Valley y Hollywood). En esta alianza, las fuerzas progresistas se han unido efectivamente con las fuerzas del capitalismo cognitivo, especialmente la financiarización. Aunque maldita sea la gracia, lo cierto es que las primeras prestan su carisma a este último. Ideales como la diversidad y el “empoderamiento”, que, en principio podrían servir a diferentes propósitos, ahora dan lustre a políticas que han resultado devastadoras para la industria manufacturera y para las vidas de lo que otrora era la clase media.

El neoliberalismo progresista se desarrolló en los EEUU durante estas tres últimas décadas y fue ratificado por el triunfo electoral de Bill Clinton en 1992. Clinton fue el principal ingeniero y portaestandarte de los “Nuevos Demócratas”, el equivalente estadounidense del “Nuevo Laborismo” de Tony Blair. En vez de la coalición del New Deal entre obreros industriales sindicalizados, afroamericanos y clases medias urbanas, Clinton forjó una nueva alianza de empresarios, suburbanitas, nuevos movimientos sociales y juventud: todos proclamando orgullosos su bona fides moderna y progresista, amante de la diversidad, el multiculturalismo y los derechos de las mujeres. Aun cuando la administración Clinton hizo suyas esas ideas progresistas, cortejó a Wall Street. Pasando el mando de la economía a Goldman Sachs, desreguló el sistema bancario y negoció tratados de libre comercio que aceleraron la desindustrialización. Lo que se perdió por el camino fue el Cinturón del Óxido, otrora bastión de la democracia social del New Deal y ahora la región que ha entregado el Colegio Electoral a Donald Trump. Esa región, junto con nuevos centros industriales en el Sur, recibió un duro revés cuando la financiarización más desatada campó a sus anchas en el curso de las pasadas dos décadas. Continuadas por sus sucesores, incluido Barak Obama, las políticas de Clinton degradaron las condiciones de vida de todo el pueblo trabajador, pero especialmente de los empleados en la producción industrial. Para decirlo sumariamente: Clinton tiene una pesada responsabilidad en el debilitamiento de las uniones sindicales, en el declive de los salarios reales, en el aumento de la precariedad laboral y en el auge de las familias con dos ingresos que vino a substituir al difunto salario familiar.

Como sugiere esto último, al asalto a la seguridad social le dio lustre un barniz de carisma emancipatorio prestado por los nuevos movimientos sociales. Durante todos los años en los que los se abría un cráter tras otro en su industria manufacturera, el país estaba animado y entretenido por una faramalla de “diversidad”, “empoderamiento” y “no-discriminación”. Identificando “progreso” con meritocracia en vez de igualdad, con esos términos se equiparaba la “emancipación” con el ascenso de una pequeña elite de mujeres “talentosas”, minorías y gays en la jerarquía empresarial del quien-gana-se-queda-con-todo, en vez de con la abolición de esta última. Esa comprensión liberal-individualista del “progreso” vino gradualmente a reemplazar a la comprensión anticapitalista –más abarcadora, antijerárquica, igualitaria y sensible a la clase social— de la emancipación que había florecido en los años 60 y 70. Cuando la Nueva Izquierda menguó, su crítica estructural de la sociedad capitalista se marchitó, y el esquema mental liberal-individualista tradicional del país se reafirmó a sí mismo al tiempo que se contraían las aspiraciones de los “progresistas” y de los sedicentes izquierdistas. Pero lo que selló el acuerdo fue la coincidencia de esta evolución con el auge del neoliberalismo. Un partido inclinado a liberalizar la economía capitalista encontró su compañero perfecto en un feminismo empresarial centrado en la “voluntad de dirigir” del leaning in o en “romper el techo de cristal”. 

El resultado fue un “neoliberalismo progresista”, amalgama de truncados ideales de emancipación y formas letales de financiarización. Fue esa amalgama la que desecharon in toto los votantes de Trump. Prominentes entre los dejados atrás en este bravo mundo cosmopolita eran los obreros industriales, desde luego, pero también ejecutivos, pequeños empresarios y todos quienes dependían de la industria en el Cinturón Oxidado y en el Sur, así como las poblaciones rurales devastadas por el desempleo y la droga. Para esas poblaciones, al daño de la desindustrialización se añadió el insulto del moralismo progresista, que se acostumbró a considerarlos culturalmente atrasados. Rechazando la globalización, los votantes de Trump repudiaban también el liberalismo cosmopolita identificado con ella. Algunos –no, desde luego, todos, ni mucho menos— quedaron a un paso muy corto de culpar del empeoramiento de sus condiciones de vida a la corrección política, a las gentes de color, a los inmigrantes y los musulmanes. A sus ojos, las feministas y Wall Street eran aves de un mismo plumaje, perfectamente unidas en la persona de Hillary Clinton.

Lo que hizo posible esa combinación fue la ausencia de cualquier izquierda genuina. A pesar de arrebatos periódicos como Occupy Wall Street, que se rebeló efímero, no ha habido una presencia sostenida de la izquierda en los EEUU desde hace varias décadas. Ni se ha dado aquí una narrativa abarcadora de izquierda que pudiera vincular los legítimos agravios de los votantes de Trump con una crítica efectiva de la financiarización, por un lado, y con la visión antirracista, antisexista y antijerárquica de la emancipación, por el otro. Igualmente devastador resultó que se dejaran languidecer los potenciales vínculos entre el mundo del trabajo y los nuevos movimientos sociales. Divorciados el uno del otro, estos indispensables polos de cualquier izquierda viable se alejaron indefinidamente hasta llegar a parecer antitéticos.

Al menos hasta la notable campaña de Bernie Sanders en las primarias, que bregó por unirlos luego del relativo pinchazo de la consigna “Las Vidas Negras Cuentan”. Haciendo estallar el sentido común neoliberal reinante, la revuelta de Sanders fue, en el lado Demócrata, el paralelo de Trump. Así como Trump logró dar el vuelco al establishment Republicano, Sanders estuvo a un pelo de derrotar a la sucesora ungida por Obama, cuyos apparatchiks controlaban todos y cada uno de los resortes del poder en el Partido Demócrata. Entre ambos, Sanders y Trump, galvanizaron una enorme mayoría del voto norteamericano. Pero sólo el populismo reaccionario de Trump sobrevivió. Mientras que él consiguió deshacerse fácilmente de sus rivales Republicanos, incluidos los predilectos de los grandes donantes de campaña y de los jefes del Partido, la insurrección de Sanders  fue frenada eficazmente por un Partido Demócrata mucho menos democrático. En el momento de la elección general, la alternativa de izquierda ya había sido suprimida. La opción que quedaba era un tómalo o déjalo entre el populismo reaccionario y el neoliberalismo progresista: elijan el color que quieran, mientras sea negro. Cuando la sedicente izquierda cerró filas con Hillary, la suerte estaba echada.

Sin embargo, y de ahora en más, este es un dilema que la izquierda debería rechazar. En vez de aceptar los términos en que las clases políticas nos presentan el dilema que opone emancipación a protección social, lo que deberíamos hacer es trabajar para redefinir esos términos partiendo del vasto y creciente fondo de revulsión social contra el presente orden. En vez de ponernos del lado de la financiarización-cum-emancipación contra la protección social, lo que deberíamos hacer es construir una nueva alianza de emancipación y protección social contra la finaciarización. En ese proyecto, que construiría sobre terreno preparado por Sanders, emancipación no significa diversificar la jerarquía empresarial, sino abolirla. Y prosperidad no significa incrementar el valor de las acciones o el beneficios empresarial, sino la base de partida de una buena vida para todos. Esa combinación sigue siendo la única respuesta de principios y ganadora en la presente coyuntura.

En lo que a mí hace, no derramé ninguna lágrima por la derrota del neoliberalismo progresista. Es verdad: hay mucho que temer de una administración Trump racista, antiinmigrante y antiecológica. Pero no deberíamos lamentar ni la implosión de la hegemonía neoliberal ni la demolición del clintonismo y su tenaza de hierro sobre el Partido Demócrata. La victoria de Trump significa una derrota de la alianza entre emancipación y financiarización. Pero esta presidencia no ofrece solución ninguna a la presente crisis, no trae consigo la promesa de un nuevo régimen ni de una hegemonía segura. A lo que nos enfrentamos más bien es a un interregno, a una situación abierta e inestable en la que los corazones y las mentes están en juego. En esta situación, no sólo hay peligros, también oportunidades: la posibilidad de construir una nueva Nueva Izquierda.

Mucho dependerá en parte de que los progresistas que apoyaron la campaña de Hillary sean capaces de hacer un serio examen de conciencia. Necesitarán librarse del mito, confortable pero falso, de que perdieron contra una “panda deplorable” (racistas, misóginos, islamófobos y homófobos) auxiliados por Vladimir Putin y el FBI. Necesitarán reconocer su propia parte de culpa al sacrificar la protección social, el bienestar material y la dignidad de la clase obrera a una falsa interpretación de la emancipación entendida en términos de meritocracia, diversidad y empoderamiento. Necesitarán pensar a fondo en cómo podemos transformar la economía política del capitalismo financiarizado reviviendo el lema de campaña de Sanders –“socialismo democrático”— e imaginando qué podría ese lema significar en el siglo XXI. Necesitarán, sobre todo, llegar a la masa de votantes de Trump que no son racistas ni próximos a la ultraderecha, sino víctimas de un “sistema fraudulento” que pueden y deben ser reclutadas para el proyecto antineoliberal de una izquierda rejuvenecida.

Eso no quiere decir olvidarse de preocupaciones acuciantes sobre el racismo y el sexismo. Pero significa molestarse en mostrar de qué modo esas inveteradas opresiones históricas hallan nuevas expresiones y nuevos fundamentos en el capitalismo financiarizado de nuestros días. Rechazando la idea falsa, de suma cero, que dominó la campaña electoral, deberíamos vincular los daños sufridos por las mujeres y las gentes de color con los experimentados por los muchos que votaron a Trump. Por esa senda, una izquierda revitalizada podría sentar los fundamentos de una nueva y potente coalición comprometida a luchar por todos.

 

 
es una profesora de filosofía y política en la New School for Social Research de Nueva York. Su último libro: Fortunes of Feminism: From State-Managed Capitalism to Neoliberal Crisis (Londres, Verso, 2013).
Fuente:
https://www.dissentmagazine.org/online_articles/progressive-neoliberalism-reactionary-populism-nancy-fraser
Traducción:
María Julia Bertomeu

Frankfurt Critical Theory in Review Tai Neilson

 Review Frankfurt Critical Theory in Review    Tai Neilson  

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