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quarta-feira, 14 de maio de 2025
METAFÍSICA SUAREZ CORNFORD ETC BBB
https://www.theoria.com.br/edicao0410/francisco_suarez_a_metafisica_na_aurora_da_modernidade.pdf
CORNFORD CORNFORD, F. M. Principium Sapientiae: as origens do pensamento filosófico grego. Trad. Maria Manuela Rocheta dos Santos. 3. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1989. Resenha de João Mattar.
É o último livro de Cornford, em que ele revisita questões que discutiu em seus livros anteriores, principalmente From Religion to Philosophy. O final da segunda parte é inacabado. Cornord escreve muito bem, é realmente um deleite ler seus textos.
A ciência dos filósofos e a experimentação não se davam no nosso nível. Tratou-se mais de observação. Hipócrates, p.ex., teria criticado a aplicação da filosofia natural, com postulados a priori, à medicina empírica. A medicina explorava a natureza do homem de baixo para cima, ao contrário da filosofia natural:
“Todos os testemunhos conduzem à conclusão de que a teoria empírica do conhecimento foi uma teoria médica, formulada pela primeira vez por Alcméon. Surgiu naturalmente da reflexão sobre a maneira como o médico de facto procedia e data do período em que os médicos mais inteligentes começaram a sentir o desejo de libertar a sua arte dos seus antecedentes mágicos. Este mesmo desejo no sentido do racionalismo tinha já levado os filósofos de Mileto a libertar a cosmogonia do seu aparato mitológico. Mas enquanto o filósofo recorreu a postulados abstractos sobre o estado originário das coisas, o médico, com a sua atenção constantemente fixada em casos individuais que era preciso resolver na prática, seguiu o caminho oposto, partindo da observação do particular para a generalização.” (p. 67).
Os primeiros filósofos não faziam experiências nem ciência como as fazemos hoje. O interesse de Platão pela matemática (por conceitos, não pela realidade empírica) tem origem pitagórica. Daí a importância da teoria da anamnesis ou reminiscências: recordamos o que já sabíamos. Essas teorias têm ligação com a imaginação do poeta e do vidente, mais do que do médico-empirista. Há portanto uma natural aproximação entre poetas, videntes, sábios e filósofos: “[...] nem a teoria de Demócrito nem a de Platão constituiriam uma invenção, pois as 3 figuras que eles associam – o profeta, o poeta e o sábio – estavam originariamente reunidas numa figura só.” (p. 140).
O xamã, no Oriente, reunia as figuras do profeta, poeta e sábio, num paralelo com os pitagóricos. Os filósofos teriam consciência de sua herança dos xamãs, com a religião e moral misturadas com matemática, astronomia e música.
Em certo momento, começa na Grécia um conflito entre o vidente e o filósofo, uma separação entre o vidente (que prevê o futuro) e o poeta (que canta o passado), entre o vidente e o filósofo. As objeções dos racionalistas ao antropomorfismo dos mitos gera também a separação entre a filosofia e a poesia, quando o sobrenatural converte-se em metafísica.
Na segunda parte do livro, Cornford estuda Anaximandro e os elementos míticos das cosmogonias, que não são um raciocínio livre sobre a realidade. O hino a Zeus em Hesíodo tem origem em ritos. É também explorada a história da vida de Zeus.
No Oriente, o mito cosmogônico é uma coisa contada, enquanto o ritual é a coisa feita. O mito, quando racionalizado, perde partes do rito e, portanto, torna-se ininteligível em outras culturas. Cornford explora o paralelismo entre Marduk e Zeus, além de mitos cananeus e rituais palestinos.
Os filósofos naturais gregos oferecem explicações sem a utilização de deuses, num retorno dos universais míticos sem vestes antropomórficas.
O livro termina com um Apêndice, em que W. K. C. Guthrie, que também escreveu o Prefácio da obra, procura resumir o que provavelmente seria a conclusão do livro de Cornford, valendo-se para isso de anotações do próprio autor. O Apêndice termina assim:
“O perigo de terminar com este sumário insatisfatório está em poder transmitir a impressão errada de que os primeiros filósofos gregos (e dos povos antigos foi só entre os Gregos que se realizou esta transição do mito para a filosofia) nada mais fizeram do que repetir as lições do mito numa terminologia modificada. Torna-se assim talvez necessário lembrar, primeiro, que, pelo que toca aos Iônios, este ponto é tratado no princípio do capítulo X e, segundo, que (como se salienta no capítulo I) a especulação milesiana não representa de modo algum a totalidade do empreendimento levado a cabo pelo pensamento científico grego primitivo. Há ainda a tradição médica, prática quanto à sua finalidade, experimental nos seus métodos, que pouco a pouco constituiu um corpo de conhecimentos sistemáticos, baseados na observação repetida dos factos e abertamente hostil às afirmações mais dogmáticas dos filósofos.” (p. 425)
FRANCISCO SUÁREZ:
A METAFÍSICA NA AURORA DA MODERNIDADE
Juliano de Almeida Oliveira1
RESUMO
O presente trabalho quer apresentar, ainda que em grandes linhas, a contribuição de Suárez para a metafísica,sobretudo a novidade metodológica na apresentação de seu pensamento e a mudança de orientação quanto aoobjeto desta área filosófica, o que lhe garantiu notoriedade. A partir desses pontos, buscar-se-á também mapear a recepção e as repercussões de sua obra.
https://www.theoria.com.br/edicao0410/francisco_suarez_a_metafisica_na_aurora_da_modernidade.pdf
terça-feira, 13 de maio de 2025
OPERETA A QUATRO MÃOS
Não há o que se imponha ao ser humano que não possa ser removido por ele
mesmo. Ou: Machado de Assis, o filósofo do diálogo, ou da intersubjetividade.
Um dia, quem sabe, vou argumentar que a ficção de Machado de
Assis assenta na “epistemologia” do DIÁLOGO, uma ideia em consonància
com o que se apresentava como revolucionária no ambiente intelectual de sua
época na Europa. Embora não deixe transparecer claramente em sua ficção,
Machado frequentava com assiduidade também os filósofos, e o que afirmam os
seus biógrafos é que, já nos últimos anos de vida ativa, dedicou-se ao estudo do
idioma alemão, para ler Nietzsche no original. O diálogo, como forma de
representação da realidade, ou como modelo de reflexão, que acompanha a
espécie humana desde que se levantou do chão para se tornar bípede, dizia eu, o
diálogo, ou a intersubjetividade, é defendido de modo pioneiro, com a sua ideia
de rede social, por Gabriel Tarde, em seu livro “A opínião e as massas”, em
1900. oito ano antes de Machado falecer.
É dizer que, ao questionar a legitimidade da objetividade desacompanhada da
subjetividade como único critério de cientificidade do fato social, Gabriel
Tarde, sem dizê-lo, evoca no plano da ciência e da filosofia a noção de
contextualidade. Na ausência do sujeito interessado, não é possível saber o
sentido do símbolo de igualdade (igual a), por exemplo, já que não é unívoco.
Na aritmética significa identidade, na geometria proporcionalidade e na álgebra
equivalência. É precisa a presença do sujeito para reconhecer-lhe o contexto, a
partir de cuja referência o símbolo do igual será operado. Assim ocorre na
ficção de Machado de Assis, o filósofo da contextualidade, insuperado em
língua portuguesa. Na metáfora de Capitu e Bentinho, por exemplo, não há
inscrições supostamente predeterminadas na natureza das “coisas”, ou seja, não
há justificativa e apelos ideológicos que cuidem de cimentar a confiança numa
ontologia do operari sequitur esse (o fazer ou agir segue o ser) que se
expressaria numa “evolução histórica linear, natural e necessária”, por exemplo.
Uma metáfora emblemátia e genial de Machado de Assis sobre o caráter
fundante do diálogo como expressão de toda a realidade, humana e cósmica, é a
sua opereta sobre a Criação a quatro mãos, um universo que emerge do diálogo,
e não do monólogo divino, que inspira o autor do Gênesis. Na opereta, a
criação do mundo não assenta sobre um fundamento ontológico, indissociável
do monoteísmo. Não há Deus, isoladamente nem Diabo, isoladamente, mas sim
Deus e Diabo juntos, solução que oferece a vantagem de eliminar a disputa
entre ambos pela primazia da Obra. Machado os vê entretidos num jogo
algébrico, a quatro mãos, um jogo que consiste em criar regras de criação de
regras de criação do mundo. Um põe e outro dispõe, alternando-se as posições
sobre um tabuleiro que nunca é o mesmo. Livram-se, dessa maneira, do
aborrecimento de uma eternidade sem surpresas: incerteza necessariamente,
prazer e risco ao mesmo tempo.
Assim. na opereta-metáfora de Machado de Assis, a criação do mundo não
assenta sobre um fundamento ontológico, indissociável do monoteísmo. Não há
hierarquias monologais a ditar o suposto modo único de ser das coisas, mas sim
Deus e Diabo juntos no dálogo. Taí a mais forte e radical rejeição do Poder
hierárquico, ou seja, o Poder tout court.
Parece-me que este é o sentido da metáfora machadiana: A realidade é
mudança. O caminho se faz ao caminhar. Não há o que se imponha ao ser
humano que não possa ser removido por ele mesmo. A baliza é o ser humano
autorreferente, em contexto, que nele reconhece o que lhe convém e rejeita o
que não lhe convém. Não reconhece como legítima qualquer norma abstrata que
não seja o desejo de se comprazer na existência (Espinosa). Não em termos
hedonistas, pois o reconhecimento de si mesmo dá-se no
reconhecimento do outro, como parte constitutiva da própria individualidade.
Nessa perspectiva, é possível enxergar-se na “epistemologia” da ficção
machadiana a pertinência de uma proposta de vida em sociedade centrada, não
mais no cidadão abstrato dos direitos individuais apenas, mas no sujeito
indissociável de sua comunidade, na intersubjetividade, como expressão
interativa entre indivíduo e sociedade. Aí está o meu Machado de Assis.
segunda-feira, 12 de maio de 2025
CARLOS MATUS bbb resumo
Nada pode ser totalmente controlado. Conforme Matus descreveu:
“os jogadores escolhem seu plano de jogo, mas não as circunstâncias em que devem realizá-lo”.
Mesmo na metáfora de jogo, e que se estende para o planejamento empresarial, significa que ambos são apenas semicontrolados.
O Doutor em Engenharia Itiro Lida, em seu artigo “Planejamento estratégico situacional”, comparou o PES com um jogo de xadrez.
Ele explica que, sempre que você faz uma jogada, ela é precedida de uma análise situacional, para que se busque a melhor saída naquele exato momento. Mas, para que seja efetiva, não dependerá apenas da sua decisão, mas também da reação de quem você está jogando.
De repente, uma jogada inesperada dessa pessoa pode anular uma aparente boa jogada sua. O que significa que o objeto do plano não é passivo e tem suas próprias jogadas, assim como um PES.
domingo, 11 de maio de 2025
ROUSSEAU VONTADE GERAL BBB
DA FUNDAÇÃO MÍTICA AO EXERCÍCIO
DA SOBERANIA POPULAR: COMO UNIR
VONTADE E ENTENDIMENTO?
1
Renato Moscateli (UFG)
https://scispace.com/pdf/da-fundacao-mitica-ao-exercicio-da-soberania-popular-como-5f2pd4hvts.pdf
CRISE DA MODERNIDADE VÁRIOS BBB
CRISE DA MODERNIDADE VÁRIOS BBB
VISÃO GERAL
A crise da modernidade refere-se a um conjunto de questões e desafios que surgiram a partir do início do século XX, questionando a validade e a eficácia das ideias e valores da modernidade, como a razão, a ciência e o progresso. Essa crise é frequentemente associada à transição para a pós-modernidade, com a sociedade buscando se distanciar do radicalismo moderno, ao mesmo tempo em que mantém certos valores e ideais, como o consumismo.
Elaboração:
A crise da modernidade é um tema complexo e multifacetado, com diferentes perspectivas e interpretações. Alguns dos principais elementos que a caracterizam incluem:
Questionamento da razão e da ciência:
A confiança na razão e na ciência como fontes absolutas de conhecimento e progresso começa a ser questionada, com a emergência de novas formas de pensamento e de conhecimento.
Crise da ética e dos valores:
A crise da modernidade também se manifesta na crise dos valores e da ética, com a perda de referência a grandes narrativas e a dificuldade em encontrar um sentido universal para a vida.
Crise da política e do Estado:
A crise da modernidade também afeta a política e o Estado, com a perda de legitimidade e a busca por novas formas de organização e participação política.
Crise da cultura e da arte:
A crise da modernidade também se reflete na cultura e na arte, com a fragmentação e a pluralização das expressões artísticas e a perda de um modelo cultural único.
Crise do sentido da história:
A crise da modernidade também se manifesta na crise do sentido da história, com a sensação de que a história não segue um caminho linear e progressivo.
A crise da modernidade não é uma crise total, mas sim um processo de transformação e de busca por novas formas de pensar, de viver e de organizar a sociedade. A crise da modernidade também se manifesta na busca por novas formas de educação, de comunicação e de interação social.
Exemplos de manifestações da crise da modernidade:
O desenvolvimento de novas teorias e abordagens científicas que questionam a validade da razão e da ciência.
A emergência de novos valores e ideais que questionam a ética e os valores da modernidade.
A busca por novas formas de organização política e de participação social que questionam a legitimidade do Estado.
A diversificação das expressões artísticas e a perda de um modelo cultural único.
O desenvolvimento de novas formas de educação que buscam superar a crise do senso comum e da educação tradiciona
A crise da modernidade refere-se a um conjunto de desafios e questionamentos que surgem no contexto da modernidade, um período histórico e cultural caracterizado pela valorização da razão, da ciência e da técnica. A crise surge quando se evidencia a incapacidade da modernidade em cumprir as promessas de progresso e emancipação individual, levando a questionamentos sobre a própria validade dos seus valores e a necessidade de mudanças.
Elaboração:
Desafios da modernidade:
A modernidade, com sua ênfase na razão e no progresso, enfrenta desafios como a alienação do indivíduo, a desigualdade social, a crise ecológica e a perda de sentido na vida.
Crise e pós-modernidade:
A crise da modernidade pode ser vista como um processo de transição para a pós-modernidade, onde se busca questionar os valores modernos e as suas limitações, ao mesmo tempo em que se mantém alguns dos seus princípios.
Impacto no Direito:
A crise da modernidade tem impactos na forma como o Direito é concebido e aplicado, levando a um debate sobre a necessidade de efetividade do Direito, além da sua validade legal.
Questionamento do progresso:
A crise da modernidade questiona a crença no progresso ininterrupto e no caráter inevitável do desenvolvimento tecnológico, levando a uma reflexão sobre as consequências negativas do crescimento descontrolado.
Declínio do senso comum:
A crise da modernidade também se manifesta no declínio do senso comum, ou seja, a dificuldade em estabelecer critérios gerais para a tomada de decisões e o julgamento das situações.
Crise na educação:
A crise da modernidade tem impactos na educação, que é chamada a lidar com a necessidade de formar indivíduos capazes de lidar com a complexidade do mundo contemporâneo e com a ausência de respostas prontas.
Emergência da barbárie:
Alguns pensadores, como Hannah Arendt, defendem que a crise da modernidade, na ausência de alternativas radicais para sua superação, pode levar a uma emergência da barbárie.
Crise da modernidade em perspectiva histórica: da experiência empobrecida à expectativa decrescente do novo tempO
https://www.historiadahistoriografia.com.br/revista/article/view/1474/810
TEORIA DA INFORMAÇÃO BBB
TEORIA DA INFORMAÇÃO BBB
https://www.scielo.br/j/ci/a/DZcZXSqTbWHpF6fhRm8b9fP/?format=pdf&lang=pt
A ciência da informação como ciência social
Carlos Alberto Ávila Araújo
Discute-se a natureza da ciência da informação como uma
ciência social. Para tanto, identifica-se como se deu a
inserção da ciência da informação nas ciências sociais,
percebendo com quais ramos destas ela travou diálogo em
diferentes momentos. A seguir, discute-se sua natureza de
ciência “pós-moderna”, percebendo a complementaridade
entre essas duas questões para um eficiente diagnóstico dos
fundamentos sociais da ciência da informação.
Palavras-chave
THOMAS KUHN discussão bb
THOMAS KUHN discussão bb
https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/85016/000257126.pdf?sequence=1
A epistemologia de Kuhn
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