segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Um momento de reflexão: Viver é comprazer-se na existência

Um momento de reflexão: Viver é comprazer-se na existência

Nivaldo T. Manzano (02/11/2020)
A ideia da existência como um valor afirmativo vem-me de uma reflexão de Raul Pompeia, em seu livro “O Ateneu”, em que afirma que “até para morrer, o enfermo na cama busca uma posição mais confortável”. A evocação dessa reflexão associada ao seu destino trágico – suicidou-se aos 32 anos – impregnou ainda mais o íntimo de minha alma da sensação de que o móvel mais profundo do ser humano é o desejo — o desejo de se comprazer na existência. O desejo é uma espécie de catapulta que lança o ser humano para fora de si tão logo reconheça no outro e no mundo a oportunidade de assimilá-lo a si mesmo. O outro e o mundo estão, pois, implicados em mim como condição de meu autorreconhecimento como desejo, projeto de existência. Nessa medida, sujeito do desejo e objeto do desejo são indissociáveis, ainda que distintos. Jornalista de profissão, sou um aficionado pelos temas da filosofia. E nessa aventura deparei com dois pensadores que se me apresentam como bússola: Nietzsche e Espinosa, para não falar dos gregos antigos. Vou deter-me aqui em Espinosa, a propósito da reflexão de Pompeia.
Tenho um motivo para enfatizar a existência como fonte do valor – o desejo de permanecer na existência e dela fruir. Ao longo da história da reflexão, construíram-se teorias antropológicas e éticas segundo as quais a fonte do valor estaria fora do ser humano. Assim, por exemplo, Tomás de Aquino (1224-1274), teólogo dominicano afirma que o ser humano é naturalmente orientado para o Bem, objetivo e transcendente, e é a atração exercida por esse Bem que o põe em movimento na existência, balizando a sua conduta. Segundo essa visão de mundo, o amor, considerado como o valor por excelência, consistiria em se comprazer no que é bom, segundo o Bem. O amor seria a experiência de uma afinidade natural e de uma complementaridade entre o sujeito que deseja e o objeto desejado, o ser humano desejante e a comunhão com o Bem, ambos definidos previamente como portadores naturais de uma ordem imanente criada por Deus, que os precedeu na existência para abrir e indicar o caminho da felicidade. Esta seria, portanto, uma espécie de êxtase produzido pelo acoplamento entre a chave e a fechadura, ambas desenhadas com exclusividade pelo artífice divino, cioso de sua Obra.
Uma outra visão antropológica e ética, de interesse neste contexto, é a do filósofo inglês Thomas Hobbes (1588-1679). De acordo com Hobbes, o móvel fundamental da ação humana é a afirmação e a expansão do eu individual: o amor-próprio e a vontade de poder. Em Hobbes, diferentemente de Tomás de Aquino, a prioridade do desejo não está orientada para um valor transcendental, nem para a realização da felicidade como um valor em si, e sim para a manutenção fisiológica do indivíduo na existência e para o aumento de seu poder sobre o mundo e sobre os outros. Tudo o que existe no indivíduo e fora dele não passa de meio para a realização desse egoísmo calculista. O próprio amor e o prazer são modalidades secundárias desse cálculo. Ou seja, o móvel fundamental do ser humano, em Hobbes, é manter o estado de saúde das tripas para poder eliminar os outros: um projeto inviável, porque suicida. Ciente disso, Hobbes propõe a sujeição do ser humano ao Terror como condição de sobrevivência: todos se submetem à vontade do Estado absolutista e, nessa condição de privação da liberdade, poderão vegetar até que a morte os remova.
Deixando de lado ambos os modos de pensar, em razão de seu caráter alienante, detenho-me em Espinosa (1632 – 1677). Aqui, o ser humano é senhor de seu destino: não deve sujeitar-se a nada e a ninguém, para ser manipulado, porque não é uma coisa. Para Espinosa, o bem somente é bom quando nós próprios o elegemos como bem. Deixa de ser bem quando nos é imposto de fora para dentro, seja na forma de purgante, para curar uma constipação inexistente, seja na forma de abstração, ou sedução ilusória, que ata pés e mãos, impedindo-nos de divisar o próprio caminho. Bebe-se água porque se tem sede e não por alguma outra razão que não seja a própria sede. Exaure-se no sacrifício, não porque ele leva ao Céus, mas porque é prazeroso perder-se naquilo que se deseja. A fonte do valor não está fora de nós, e sim jorra do interior da singularidade. Ou seja, não há valor algum transcendente, superior ao valor que brota de dentro do ser humano.
Esse valor é necessariamente afirmativo, pois existir é comprazer-se
na existência. Assim, com Espinosa está-se longe de qualquer cálculo egoísta baseado no instinto de conservação. Existir não se reduz a conservar a existência biológica bruta. Limitar-se a garantir a circulação do sangue nas veias não implica uma existência necessariamente prazerosa. Sujeitar-se ao terror do Estado é abdicar de si mesmo. Em vez de uma vida vegetativa e calculista, Espinosa propõe que se rejeite todo tipo de alienação — de subordinação a toda ordem externa que limite ou asfixie o desejo de se comprazer na existência. Como a tentação doentia de se auto aplicar emplastros ideológicos sufocantes é recorrente, a existência em liberdade deve converter-se num projeto vigilante de reconstrução permanente.
À primeira vista, esta parece ser a mais radical expressão do individualismo. Na verdade, é a mais libertária, generosa e inclusiva visão de si mesmo, de outrem e do mundo. Se em Hobbes o desejo de um exclui o desejo de outrem (“ou eu ou ele”), em Espinosa a condição de realização do desejo implica a inclusão de outrem no reconhecimento de si próprio.
Retomando o argumento de outra forma, observa-se que o sentimento da existência não é senão a percepção do que se passa em nós mesmos como resultado de nossa interação com o mundo. A percepção de si mesmo, a cada momento, é a experiência de uma mudança, induzida por um estímulo que vem do meio. Os outros e o mundo são para nós partes constitutivas da experiência de sentirmos o que estamos sentindo. Por isso, somos também os outros e o mundo. Na ausência do outro, ou do que supomos esteja fora de nós, não saberíamos o que é o desejo nem o objeto que lhe corresponde, nem como realizá-lo. Essa constatação leva-nos a assumir que eu e os outros constituímos os nós de uma rede. Nenhum homem é uma ilha. Ou seja:
(1) Sentir o que se passa conosco na interação com o mundo é experimentar uma diferença. Quanto mais diferenças reconhecemos no mundo, mais aderentes nos sentimos a ele, mais se intensifica a sensação de estarmos nele, mais se amplia o espaço interior em que nos movemos, mais portas de acesso se abrem a nós mesmos e ao mundo. Em síntese: estar aberto para o mundo e para outrem é sentir mais intensamente a si mesmo — essa é uma condição indispensável para se comprazer na existência. Essa complacência é necessariamente interdependente e recíproca, assim como ocorre no amor. Está-se vinculado a uma rede, é-se feito dela, como um de seus nós. Nela, o que se busca é desfrutar do prazer de viver. Não à custa dos outros, mas graças aos outros. Quanto mais aberto cada nó da rede, no processo de interação com os outros nós, mais intenso é o prazer de se estar nela.
(2) Ninguém se apaixona por um triângulo retângulo. O que põe em movimento o desejo na rede não é uma abstração, uma teoria ou um modelo; é um gesto, um aceno, um muxoxo, um encantamento, uma dor, o trinado de um pássaro, o volteio do girassol, o equilíbrio de um surfista, o passeio de uma nuvem, enfim, um comportamento singular e diferencial. Ideia, abstração, paradigma ou teoria, embora sejam meios de se chegar à singularidade de cada um dos nós, não nos permitem apreendê-la, porque a singularidade é comportamento, enquanto os entes de razão, como essência, estrutura, função, identidade, oposições binárias etc., são construções artificiais imobilistas que nos afastam dela. Somente a percepção que mobiliza todos os recursos de que é dotado o ser humano para interagir com o mundo tem acesso à singularidade: racionalidade, intuição, sentimentos, ética e estética, tudo a um só tempo, indissociáveis. Mas esta lhe escapa na sua inteireza tão logo se converta na mente na imagem que se faz dela. A imagem é uma borboleta pregada na parede, em contraste com a realidade à qual se refere, que apresenta o caráter movente, esvoaçante, da borboleta. Fixar-se na imagem equivale a remover o caráter interativo da rede (social), que é constituída da reciprocidade. Na ausência da reciprocidade, seria uma mesma e única representação da realidade a fluir no caminho de ida e no caminho de volta. A rede deixaria de funcionar, pois o que a move é o reconhecimento das diferenças. Sem a possibilidade de reconhecer e explicitar as diferenças, tem-se o terror funcionalista, a coisa, ou o bloqueio da criatividade. Eis aí o berço do preconceito e da intolerância: a recusa em reconhecer o outro como um outro de si mesmo.
A imagem é sempre mais pobre do que a realidade. Enquanto a imagem é imóvel, a realidade à qual ela se refere está mudando constantemente. O dicionário pode conter a palavra, não um comportamento. A ideia que faço do comportamento de uma pessoa num determinado momento não corresponde à realidade de seu comportamento no momento seguinte, pois entre um momento e outro ela mudou e eu também. Longe de ser uma desvantagem, porém, a abstração que nos fixa no passado é também uma oportunidade de se perceber a diferença entre a ideia que se tinha da realidade e o que se está enxergando nela neste momento. Sem esse desencontro entre a abstração e a realidade, não haveria como se dar conta da mudança. É de diferença em diferença que nos aproximamos infinitamente da realidade. É o pressentimento dessa aproximação que nos leva a suspirar antecipadamente pelo êxtase. Quem é para nós essa pessoa? É o conjunto das versões comportamentais que temos dela, além daquelas que desconhecemos. Por isso, julgar é proibido. O juízo — arbitrário, por definição — ao reduzir o diálogo a monólogo bloqueia a possibilidade de interações na rede.
(3) Pode descrever-se a rede como um meio delimitado pelo conjunto das interações entre seus nós (interfaces, papéis); e cada nó, como um meio delimitado pelo conjunto de suas interações com os nós na rede. O meio é constituído das interações entre suas interfaces, e cada interface, considerada em si mesma, é constituída das interações que ocorrem entre ela e o meio. Considerando que cada singularidade não é senão a expressão das interações entre as suas interfaces, tem-se que cada nó, além de ser interface na rede, é também um meio para si mesmo, no qual elas interagem. O comportamento da pessoa é o meio no qual ocorrem as interações entre seus papéis. Ou seja, cada nó da rede é também uma rede de nós. Eu sou eu e outrem, ou eu e o mundo.
Para o interessado nesse tema, sugiro a leitura do livro de autoria do filósofo lituano Emmanuel Lévinas, "Totalidade e infinito", Lisboa, Edições 70, 2009.

domingo, 1 de novembro de 2020

A rolha virou: o lado que lambia o vinho teve de ceder o seu lugar para o outro lado, que vivia no seco

 A rolha virou: o lado que lambia o vinho teve de ceder o seu lugar para o outro lado, que vivia no seco

Nivaldo T. Manzano (01/11/2010)

O Chile terá a primeira constituição do mundo a assegurar de forma igualitária (50%) a participação de homens e mulheres. Será a primeira vez das mulheres a redigir de igual para igual a redação de uma Carta, desde a Constituição chilena de 1833, elaborada com exclusividade, como era costume em toda parte, por machos conservadores.
No contexto atual da luta popular contra o regime neoliberal, essa conquista das mulheres deve-se à sua liderança nas grandes manifestações do “rechazo” nos últimos doze meses, ao governo elitista e autoritário do bilionário presidente Sebastián Piñera. O vigor do movimento feminista, que já vinha ganhando robustez desde 2010, rebentou em 08 de março de 2020 na maré de dezenas de milhares de jovens, que encheram as ruas de Santiago (https://brasil.elpais.com/.../milhares-de-mulheres... ), quando a capital chilena passou a ser celebrada como o epicentro mundial da luta contra o machismo. Na país em que até recentemente o divórcio era proibido, foi somente depois de dezenove anos de campanha da oposição feminina que o Senado - que ainda abriga resquícios pinochetistas, como a vitaliciedade de senadores -, aprovara a Convenção Contra Todas as Formas de Discriminação às Mulheres.
Tendo estado presente em Lisboa na Revolução dos Cravos, em abril de 1974, sentado à mesa de um bar para um café, ouvi do dono dirigir-se a mim apontando para um jovem garçom: “Ele está eufórico, porque pensa que a rolha virou”. “Rolha virou”? Estranhei a expressão até me dar conta de seu significado: a ponta da rolha que lambia o vinho no tempo da ditadura teve de ceder o seu lugar à outra ponta, que vivia no seco. Era a revolução que chegara.
Estou convencido da iminência da virada da rolha na América Latina. Nas eleições da Bolívia, de 18 de outubro de 2020, as mulheres conquistaram 20 das 32 cadeiras do Senado, dentre elas a maioria de origem ameríndia. No Brasil, em que pese a aparente passividade política, será o movimento das mulheres, em especial as negras, que irá destronar de seu mando multissecular a Casa Grande, para ceder lugar à democracia da solidariedade, sob a direção comunitária da Senzala.
Rogério Fernando Furtado

O valor transcendental da dúvida e das paquera

 O valor transcendental da dúvida e das paquera

Nivaldo T. Manzano (01/11/20)

“O sonho da razão produz monstros” (Goya)
Poucas ideias na história da humanidade continuam a inspirar no bestunto tanta estupidez e violência fratricida quanto a de racionalidade, na sua acepção de propriedade distintiva do homo sapiens superior a todas as demais, acima da intuição, dos sentimentos, das emoções, da ética e da estética. Em especial na atualidade, a racionalidade é alçada à condição de condão responsável por separar a civilização da barbárie, um cajado de Moisés a abrir o mar ao meio e conduzir o povo eleito à terra prometida. Como marco da Idade Moderna na Filosofia, esse cajado foi utilizado por René Descartes (1496 – 1650) como único meio legítimo de se chegar ao conhecimento, e por Immanuel Kant (1724 – 1804), como despertador que acordou o ser humano de seu sono dogmático em que se encontrava desde a expulsão do Paraíso, até que o Altíssimo o tivesse feito renascer em Koeningsberg (hoje Kaliningrado), circunstância geografia somente comparável, no diapasão religioso, a Belém, onde nasceu Jesus.
A razão, entronizada como deusa na Catedral de Notre Dame, em Paris, na Revolução Francesa, está na base da ideologia dominante na atualidade, da escolha racional, segundo a qual o indivíduo, calculista de nascimento, age visando a maximizar a realização de seus fins, com vistas a obter a maior satisfação possível de suas ambições e interesses pessoais. Está aí a justificativa da competição social fratricida, que o pensamento liberal, na sua versão atualíssima, consagra como a única regra a regular a “sociedade de mercado”, regra copiada da mesma que regulava a luta entre os gladiadores no Circo Romano, de cuja arena ninguém poderia sair vivo.
Será assim? Em reação às luzes do Iluminismo, que professava, Goya chama à atenção o “sueño de la razón” que “produce monstruos” (leia aqui o belíssimo ensaio “Luz e razão – a sede de Goya” https://www.ifch.unicamp.br/.../PDFTrabs/MI-Osonodarazao.pdf
A propósito desse evangelho utilitarista, de cálculos sobre os custos e benefícios, o filósofo norueguês Jon Elster (1940 - ) arrola mais um desmentido, demolidor como os demais que o precederam, ao advertir para o equívoco de se pretender hierarquizar os valores humanos. Como pano de fundo de sua crítica, Elster investe contra o modelo positivista (funcionalista), que preside à pesquisa científica na Academia contaminando todos os saberes, incluída a ecologia, considerada como um economista em busca do equilíbrio ótimo na alocação dos recursos disponíveis, em sua programação linear, com vistas à maximização dos ganhos e minimização dos custos. Ao destituir esse imediatismo palmar do comportamento humano, Elster propõe em seu lugar a maximização da uma estratégia global, o que implica uma tomada de distância (descolar-se do veredito supostamente implacável dos algoritmos), mediante a contenção do impulso “racional”, para permitir a entrada em ação da criatividade. E apresenta o seu argumento inspirado na sabedoria de Homero, um epítome do pensamento grego na antevéspera do advento da filosofia no Ocidente.
Elster está longe de ser um irracionalista: dedica a sua obra a remover o caráter hierárquico e excludente da primazia da racionalidade, para colocá-la, como o quiseram os gregos com a ideia de logos*, ao pé de igualdade com os demais valores. Para ilustrá-la, recorre ao episódio da Odisseia em que Ulisses ordena a seus marinheiros que o amarrem ao mastro da nau, para não sucumbir à sedução do canto das sereias, na expectativa de retornar à casa, onde o esperava a esposa Penélope (Leia-se “Ulissses e as sereias”, Lisboa, Estampa, 1994). Ao utilizar essa metáfora, Elster destitui, assim, o imediatismo palmar atribuído ao suposto comportamento humano dos meios e dos fins racionais, e propõe em seu lugar a adoção de uma estratégia global, o que implica a inclusão, no processo de decisão, de uma tomada de distância (descolar-se do veredito dos algoritmos), para permitir a entrada em ação da criatividade, que não se dissocia da intuição e dos demais valores.
A consciência da distância (ensaio e erro, hesitação, dúvida, imaginação, fantasia, sonho, simulação, paquera) expressão do caráter não causal, não mecânico e não determinista da ação do cérebro sobre a mente, é de suma atualidade no momento em que o bilionário Elon Musk anuncia o seu projeto de alcance trilionário, confiado à sua empresa Starlink, de vincular DIRETAMENTE um chip colado ao computador, permitindo que o comportamento humano seja acionado à distância pelo dr. Strangelove, sem que intervenha o livre arbítrio, à exceção do controlador que controlaria todos os demais, reduzidos a autômatos.
• A noção de racionalidade, como faculdade humana dissociada dos demais valores distintivos da existência, deriva na história da cultura ocidental de um “erro” não deliberado na sua tradução do grego para o latim, por ausência de termo correspondente. O logos expressa a união inseparável, porém distinta, entre razão, intuição, sentimentos, ética e estética.
IFCH.UNICAMP.BR
www.ifch.unicamp.br

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Mijair, no panteão da desumanidade (II)

 Mijair, no panteão da desumanidade (II)

Nivaldo T. Manzano (30/10/20)

Em busca de parentelas ideológicas que se tenham ombreado com Jair Bolsonaro na falta absoluta de sentimento de humanidade, localizei, depois de Pierre Laval (leia "Mijair, no panteão da desumanidade (I)", o presidente das Filipinas, Rodrigo Roa Duterte, eleito em 2016, graças também ao apoio majoritário de seitas neopentecostais. Assim como Mijair, Duterte na campanha agitava a bandeira do anticomunismo, do combate à corrupção e do restabelecimento da moral e dos bons costumes. Mijair é visto pela imprensa mundial como um dublê de Duterte, que se inspirou nos esquadrões da morte do Brasil para convertê-los em modelo de justiça penal em seu país. Inimigos dos direitos humanos, ambos não toleram opositores – esquecidos de que eles o foram antes de ascender ao poder - e visam a eliminá-los como inimigos da pátria. Dir-se-ia que a semelhança entre ambos é tamanha que é “cara de um, focinho de outro”. Como Duterte assumiu o poder dois anos antes de Mijair, pode dizer-se que o presidente filipino já chegou aonde Mijair pretende chegar – instalar igualmente um dos mais macabros regimes políticos de que se tem notícia sobre os escombros da democracia, ambos igualmente apoiados no voto manipulado e acolitados pelos militares.
À guisa de preâmbulo, atente para a equivalência do teor da agressão verbal de Mijair contra a deputada federal Maria do Rosário e do comentário de Duterte sobre a freira australiana Jacqueline Hamill feita refém, estuprada e assassinada por detentos durante uma rebelião em presídio.
Em 2014, o então deputado Bolsonaro afirmou que a deputada não merecia ser estuprada porque ele a considerava “muito feia” e porque ela “não faz” o "tipo”.
Em um comício em 2016, Duterte lamenta não ter tido a chance de estuprar a freira Jacqueline Hamil. Segundo registrou a BBC, Duterte disse que “quando os corpos foram retirados (…) olhei para o rosto dela, filha da p…, ela parece uma linda atriz americana. Eu estava bravo porque a estupraram, mas ela era tão bonita que (ele) deveria ter sido o primeiro. Que desperdício!”.
“Esqueçam as leis sobre direitos humanos” foi o refrão de Duterte em sua campanha eleitoral. “Traficantes, ladrões armados e vadios, melhor sumirem, porque vou matá-los... Vou jogá-los na Baía de Manila e engordar os peixes”. Ao celebrar a sua vitória, encorajou civis armados a matarem traficantes que resistissem à prisão. “Fique à vontade para nos ligar ou faça você mesmo, se tiver uma arma”, afirmou em discurso transmitido nacionalmente. “Atirem neles e lhes darei uma medalha”. Qual a diferença da proposta de Mijair, de legalizar as milícias? Segundo a ONG Human Rights Watch, já são mais de 12 mil assassinatos - o que inclui inocentes e vítimas atacadas por engano.
Parte dos homicídios é executada por matadores de aluguel atuando sob o comando de autoridades locais. Em 2016, a BBC News entrevistou uma mulher que disse receber US$ 430 (cerca de R$ 2.200) por cada execução de traficantes. Para a Anistia Internacional, trata-se de uma guerra aos pobres e de uma “indústria da morte” que afeta populações carentes urbanas. A polícia também é acusada de matar suspeitos para ganhar recompensas, além de plantar evidências e roubar vítimas. Recentemente, a TV brasileira mostrou a rotina de uma brigada de neopentecostais, vestida com trajes semelhantes aos utilizados pela polícia e transportada por veículo pintado com cores idênticas à de uma viatura policial, adentrando uma favela para "instruir os moradores" na autodefesa contra delinquentes. O bilionário pastor dono da Igreja Universal orgulha-se de ostentar o seu exército particular de soldados neopentecostais, que se adestram há meia dúzia de anos nos estandes de tiro frequentados pelos filhos de Mijair e milicianos agregados ao clã. Esses soldados atuam ao mesmo tempo como militantes de dois partidos políticos de extrema direita de propriedade de pastores igualmente milionários.
Recentemente, Duterte afirmou que a milícia que ele pretende criar vai se chamar "Esquadrão da Morte de Duterte" e terá poderes para matar suspeitos de serem revolucionários, dependentes químicos e pessoas que vaguem sem propósito pelas ruas. O esquadrão deverá integrar o grupo civil armado para eliminar o Novo Exército Popular, um “grupo comunista rebelde”. Alguma semelhança com Mijair, que pretende fortalecer com armamentos as polícias estaduais, tão logo assuma o controle total sobre elas, para as quais se prevê a importação de equipamentos e armas dos EUA e Israel privativas de seu uso bélico?
Com que outro objetivo Mijair estimula o armamento por parte da população? Com que finalidade liberou para uso civil armas e munição de uso militar? Qual a diferença entre as plataformas do brasileiro e do filipino alardeadas no reiterado discurso anticrime, que contempla a mobilização conjunta da violência policial, militar, miliciana e civil? Ambos pregam o assassinato como política de Estado, ao encorajar abertamente policiais e civis a cometerem homicídios.
Ambos são suspeitos de favorecer o tráfico: Mijair insiste em remover o chefe da Polícia Federal no Porto de Itaguaí, no Rio, considerado como duro no combate ao contrabando, ao tráfico de armas e de drogas, por um delegado de sua confiança. E Duterte é suspeito de ter contrabandeado um contêiner com 1,6 tonelada de metanfetamina (https://www.philstar.com/.../magnetic-lifters-contained... ) e é conhecido por assegurar trânsito livre para as atividades de máfias internacionais.
Oportunistas, apoiados na fé doutrinária neopentecostal, ambos não reconhecem idade mínima penal, assim como Calvino, que, em sua República de Genebra, fez condenar à morte uma criança de 11 anos por desobediência aos pais. A desobediência seria a manifestação visível da ação do Diabo no corpo da criança. Covarde, incapaz de eliminar o Diabo, o código penal infantil dos neopentecostais propõe eliminar a criança. Mijair já investiu contra o Estatuto da Criança e do Adolescente, que pretende substituir in totum pela lei dos pais, longe da proteção do Estado, o que na prática equivale ao desrespeito e ao vale tudo no seu trato, como é prova o sequestro e “adoção” irregular de uma criança indígena pela pastora e ministra Damares. Sabe-se que no Brasil 40% dos estupros contra crianças ocorrem no ambiente familiar, para onde os ministros igrejeiros pretendem transferir a educação pública. Dali estaria banida a educação sexual, em grande parte responsável por esclarecer e municiar o enfrentamento das crianças contra as investidas dos estupradores, como o demonstram os incontáveis depoimentos que chegam aos ouvidos dos delegados de polícia.
Assim como Duterte, Mijair é popular, em especial junto aos machos sarados, frustrados e ressentidos por terem sido equiparados em direito de igualdade às mulheres, o que os leva a suspirar pela liderança de um homem forte, capaz de empunhar a arminha de que se sentem incapazes de empinar. “Ele tem aquele apelo populista, o aspecto da conversa direta. É um homem do povo, disposto a dizer o que outros não dirão”, explica à BBC Champa Patel, chefe do programa Ásia-Pacífico do think tank britânico Chatham House. "Em muitos casos eles representam uma projeção para os homens que no cotidiano perderam poder devido à maior igualdade entre homens e mulheres e à diversidade de padrões de sexualidade”, diz o sociólogo Sergio Costa, professor do Instituto de América Latina da Universidade Livre de Berlim. “Homens fortes podem parecer uma resposta, mesmo que isso não seja verdade. Eles prometem soluções simples e insuficientes para problemas complexos. A ideia de que se resolve problema de segurança matando traficante de drogas e usuário é ilusória”
De fato, durante os sete mandatos não consecutivos de Duterte (mais de 22 anos) como prefeito, antes de assumir a presidência, a criminalidade caiu, embora a cidade siga como uma das mais violentas do país. Duterte introduziu o toque de recolher para menores desacompanhados e baniu a venda e o consumo de álcool em certas horas. Mas a melhora nos indicadores de segurança foi resultado, em grande parte, de assassinatos extrajudiciais de suspeitos de crimes e de usuários de drogas.
Para saber mais sobre o irmão siamês de Mijair na desumanidade, leia:
Gosto
Comentar
Partilhar

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Filipinas no olho do furacão social

 

The Philippines in the Eye of the Storm

Where is this nation of a hundred million inhabitants heading to? The future doesn’t seem rosy enough for people to hitch their hope on its government’s myriad promises most of which have gradually whittled down to bubbles that simply burst in the air.

Poverty still dominates the informal settlements–squatters areas–in major cities where people generally lead scratch-and-peck existence in tightly packed neighborhoods because of the large-scale unemployment situation. Still, the most basic issue that continues to linger is, where is the next meal coming from?

Desperation has hit hard the poor city folks and resorting to illegal activities has become the easiest way out to survive. Leading among these is drug peddling mostly on a small-scale basis just to earn a small amount to feed the grumbling tummies of family members waiting in a makeshift shelter they call home. In many instances, pickpockets, snatchers, and petty hold uppers among others proliferate in the more populous areas of a typical city where people mill around particularly in places where commercial shops abound.

This is the Philippines, an archipelago in southeast Asia romantically described as “La Perla del Mar de Oriente”– “The pearl of the orient sea”–by its ancient denizens during the Hispanic colonization period of more than 330 years. From the point of view of seasonal tourists coming from the west, the Philippines is a tropical paradise with many of its world-class beaches punctuating the islands–both big and small–that constitute the length of its territorial jurisdiction from north to south. At least, the country has a bright side after all and may be given a boost from this perspective.

The truth of the matter is, Filipinos in general, are kindhearted, trusting, and hospitable to a fault. These particular qualities might be rarer in the city but more common in the countryside. In fact, it is reckoned as something wide-ranging among Filipinos to be uncritical “believers” even of unfounded promises with all the icings of a better future prospect. Most certainly, this is no more than a spin-off of an ethos chiefly characterized by unexorcisably deepset superstitiousness that borders on gullibility. And this explains why weird religious fellowships of the so-called charismatic-pentecostal evangelical variety have unrelentingly mushroomed in all corners of the country. The same gullibility is exploited very effectively in politics more specifically when elections are about to take place and the candidates’ spin doctors start to concoct and prepare for their respective candidates’ manipulative campaign lines to make up the contents of public meeting speeches and the lyrics of subliminal jingles promoting their candidacies.

Such naïveté is considered as the most definitive factor that led Filipino voters to put into power the present president of the country in the person of the long-time mayor of the southern city of Davao on the exotic island of Mindanao, Rodrigo Roa Duterte, more popularly known by his gangland-sounding monicker, Digong Duterte. Practically unbeknownst to most Filipinos north of his turf, i.e., prior to getting elected as president, the past exploits of this southern warlord was popularly depicted by his loyal followers in a legend-like narrative that magnified and adored his hero-cum-saviour persona whose unique achievement of unprecedented magnitude was–according to their stories–the establishment and maintenance of absolute peace and order in his power domain allegedly through strict disciplinary measures.

While on the campaign trail, this Filipino “trapo” (traditional politician) forcefully delivered strings of spectacular and awe-inspiring promises never been spewed out by any presidential contenders of the past eras before a spellbound audience. The power-packed pledges expressed in the coarse and rugged lingo of a tough-talking “presidentiable” had an instant magnetic appeal to the pathos of the ordinary citizens who could automatically connect and identify with him. His utterances peppered with rounds of expletives at practically all points of emphasis were like palatable desserts to the politically immature mindset of the general Filipino electorate hoping for a seemingly ever-elusive panacea that would finally liberate the nation from the plagues of graft and corruption, economic underdevelopment, and debilitating crimes.

Thousands of his thrilled listeners were swept off their feet while listening to a sweeping statement that under his leadership the nationwide scourge of drug trafficking would be solved within a period of three months. Along with this promise was the assurance that crimes would significantly deteriorate to the point of extinction as peace and order was expected to prevail in the general condition of Philippine society.

Delivered before a massive multitude of rejoicing supporters like an echoing thunder of a powerful commitment emanating from the heart and soul of an uncompromising patriot was the pledge that he would never ever allow China to take over the Spratlys [a group of small islands in the West Philippine Sea] for they are within the territorial jurisdiction of the Philippines. And should they try to aggressively occupy and covet even one of them as their own, he would ride a jet ski carrying a Philippine flag on a pole and plant it there to assert the fact that these islands are the Philippines’. He punctuated his speech with the likelihood that he could lose his life while doing it but it didn’t matter for, at his age, he wished to give his life as a martyr for the cause of his country.

Another sweet piece of grandstanding that drew reverberating cheers, whistles, and ovation from the captivated assemblage of his almost fanatical adherents was when he announced that graft and corruption in government would meet its final end under his administration and a new era of good governance truly serving the Filipino people’s interest would be inaugurated right on the very first day of his presidency.

Contractualization of commercial and industrial urban workers would meet its death throes once he assumed office was a sincere-sounding pronouncement that lifted the hearts of workers with new hope for its realization was expected to finally give them secured tenure in the workplace.

An outward pledge that prices of basic food commodities would surely be brought down under his presidency so that no poor Filipino would ever get hungry drew an immense accolade from the poor sector of Philippine society.

Within a long litany of campaign promises–and there were a lot of them–the aforementioned ones are deemed the most crucial. True, a few of those not mentioned have already been fulfilled with some degree of importance attributed to them. Nevertheless, they are not considered as pivotal as the ones we have identified above.

And the moment of truth came. Rodrigo Roa Duterte–the erstwhile warlord mayor of the southern city of Davao–was finally elected for a 6-year term as the 16th President of the Republic of the Philippines.

Sad to say, none of the overriding promises mentioned above have ever been realized until this point of time. In fact, Duterte even attenuates their importance to a level that matches nonsense jokes in his typical cuss-word-filled, garbled speeches that always draw laughter from his fanatical supporters. To divert the attention of the audience from the real issues, it is part of his routine to attack his political opponents with sarcastic lies delivered like shaggy-dog stories that don’t even pass the standard of a comedy bar. Nevertheless, his fanatics don’t fail to swallow them hook-line-and-sinker topped with hearty laughter and rounds of applause.

Job contractualization is alive and kicking. It has, in fact, been stronger than before as big-time business owners who profit a lot from their manipulative style of hiring workers have mastered Duterte’s weaknesses and won him over to their side–an absolute realization that he is not on the workers’ side but a promoter of labor exploitation.

Prices of basic food commodities have spiked as more taxes have been imposed on them by the government. In this situation which is worse than before, the people’s economic condition has not gotten any better at all. Poor Filipinos have become poorer and their future, more uncertain. They feel betrayed and their powerlessness can never create for them better alternatives to improve their lot.

In the corridors of power, graft and corruption have continued to flourish. This president who vowed in his campaign speeches to lead a clean government devoid of past scums and rubbish has reneged and reneged miserably on his promise to rid the government of unscrupulous characters. In one notorious news headliner, he did not only exonerate an erring high government official–who happened to be his close ally–found guilty in the irresponsible performance of his duties; he recycled him and transferred him to another department where he was given a position rank higher than the previous one where he fumbled. Contrary to this, the more critical and thinking ones have either been relegated to insignificance or kicked out into ignominy.

Image on the right: A combination of Ferdinand Marcos (left) and Gloria Arroyo (right).

Worse than this was the way he welcomed on a “red carpet,” so to speak, hardcore corrupt political personalities condemned by past administrations: The likes of the ill-famed Imelda Marcos who is supposed to be in prison; former President Gloria Macapagal Arroyo who was ordered to be released after having been in detention pending the official filing of the criminal cases of graft and plunder; Senators Ramon Revilla, Jr and Jinggoy Estrada who were also released from prison despite the ongoing court trials where they had also been indicted for graft and plunder. Besides all these, Duterte has been very open in associating himself with disreputable political deceivers like former Senators Ferdinand Marcos, Jr, and the nonagenarian Juan Ponce Enrile. And to appease the Marcos family, he even penned an executive order to allow the remains of the former dictator Ferdinand Marcos be interred at the Libingan ng mga Bayani (Heroes’ Cemetery).

Later along the way, stories of corruption, abuse of power, and strings of murder to silence his enemies while he was the sitting mayor of the southern city of Davao gradually came out to the open as some courageous city dwellers gave their discrete confessions to “camouflaged” independent international journalists who entered the city despite possible risk considering that the Duterte family is still in total control of the city having his daughter Sara as its mayor and his son Sebastian as the vice-mayor. Well, Davao City is not only a bastion of nepotism but a barony ruled by a dynasty.

Now that Duterte is the president of a nation, we are no longer talking of a warlord controlling a city bailiwick but of a “kingdom” where an elected president has the schizophrenic notion that the whole country is his own and it is not even necessary for him to carry the title of a “king” as long as he has all the power to act like one. By virtue of this self-imposed power, he has betrayed the nation as he blew into smithereens his patriotic commitment to protect the West Philippine Sea islands claimed by China as its own. He treacherously abandoned his vow to fight tooth-and-nail the illegal incursion of the Chinese military on any of those islands.

In a drastic turn of events, he was in the news standing side-by-side with the Chinese President Xi Jinping trying to win the favor of the latter for what he called “a historical rapprochement beneficial to the overall progress and stability of Philippine economy”. Simply put, he has sold his country.

What follows afterward are events detrimental to the general condition of the Filipino people, particularly the Philippine local business scenario. Allowing the presence of Chinese business enterprises to flourish in the country is one seriously disempowering circumstance for local business endeavors. Moreover, letting the massive influx of Chinese construction workers to the country to constitute the major labor force in many Chinese-financed infrastructure projects in various parts of the country is a hard-hitting slap on the face of thousands of skilled Filipino construction workers employed overseas to earn higher wages to give their families a better life.

Chinese tourists have been coming in and going out on a regular basis and some enterprising businessmen among them have even taken control of some tourist resorts which they have declared exclusive so that only Chinese tourists are allowed to enter and to get the best possible accommodation. This whole situation has actually alienated Filipinos in general. One big-time enterprise they started and has been flourishing enormously in the Philippines with all the blessings of the rabid Sinophile Philippine president is the Philippine Offshore Gaming Operators (POGOs) nominally under the jurisdiction of the legal entity called the Philippine Amusement and Gaming Corporation (PAGCOR).

As a policy, POGOs only cater to foreign gambling aficionados mainly Chinese–not to the locals. By and large, POGOs have created a situation that indiscriminately allows thousands of Chinese tourists to enter the Philippines. The detrimental aftermath of Chinese tourists, construction workers, and gamblers freely entering the country at any moment is the exacerbated rise of Covid-19 infection when the pandemic hit the Philippines. And no one is to blame but the government of Duterte that has gone docile and subservient to the whims and wishes of aggressive Chinese exploitative forces.

The area designated as “West Philippine Sea” is the slightly darker blue area west of the Philippines. (CC BY 2.5)

In this connection, we want to know what has happened to Duterte’s affirmation on the campaign trail that should the Chinese try to aggressively occupy even one of the West Philippine Sea islands and claim it as their own, he would ride a jet ski carrying a Philippine flag on a pole and plant it there to assert the fact that these islands are the Philippines’. In a press conference where someone reminded him about it, he simply parried the question and casually dismissed it in jest as an ordinary campaign stunt and should have never been taken literally and seriously. As a disparaging comment, he even insultingly called those who believed what he said STUPID.

Now the Philippines is at the behest of Chinese business and economic magnates with all the Chinese-financed infrastructure projects and business enterprises. On top of these undertakings, loans equivalent to trillions of dollars are in the pipeline to finally give the country to China’s absolute control. And on this basis, Duterte was not joking when in a speech he said without mincing words, “I wish the Philippines would just become a province of China so that Filipinos could at last live in prosperity.”

Not disconnected to what has so far been happening in the Philippines now under the manipulative spell of China is the seemingly unending inflow and proliferation of illegal drugs whose main sources are in China. Duterte miserably failed in his promise to end the scourge of illegal drugs within three months. Employing an honest-to-goodness approach to the illegal drug problem might really be unrealistic to finish it in three months. But to have the problem still around and to find it getting worse after three years is already unimaginable if the people in government are seriously attending to it.

The Duterte government’s approach has been terribly inaccurate, to say the least as instead of running straight after the big-time drug lords–most if not all of whom are Chinese–it has targetted small-time drug pushers and users in impoverished areas of major cities. What makes the whole operation terroristic in nature is the so-called authorities are not in the business of arresting illegal drug offenders; they are murdering them even in full daylight and in the presence of terror-stricken community dwellers. Based on a UN investigation report that came out on Democracy Now (June 5, 2020)

” . . . [T]ens of thousands of people in the Philippines may have been killed since mid-2016 as President Rodrigo Duterte unleashed a “war on drugs,” giving police the power to arrest people and use lethal force with near impunity. The U.N. report points to top government officials as instigators of extreme violence, and a pattern among police of planting evidence in dozens of murders to suggest officers were acting in self-defense. Among the dead are over 70 children; the youngest victim was just 5 months old.” (1)

The Philippines is in the worst of times as the government has intentionally turned its eyes away from the worsening problems spawned by the presence of big-time drug lords in the country. The matter has gone so agitatingly worrisome after the more sensible and thinking Filipinos monitored and followed up the situation that occurred at the Manila International Container Port (MICP) on 7 and 8 August 2018 when 1,600 kilos of smuggled shabu (methamphetamine) worth 15. 3 billion pesos was found concealed in magnetic scrap lifters by agents of the Bureau of Customs (BoC) and the Philippine Drug Enforcement Agency (PDEA). The haul was missing the following day and nowhere to be found. (2)

Nobody could really unravel such a mystery quite easily but we can however come up with a circumstantial scenario considering that it was too big a case in the stark presence of authorities like the BoC and the PDEA to simply vanish in thin air.

One bigger mystery that continues to linger in the minds of critical Filipinos is why has the Duterte government not been running after big-time drug lords? This question could very consistently connect with the unending illegal drug problems in the Philippines.

Now in the time of Covid-19, instead of putting more serious attention to the pandemic, the government has used the legislature to pass the Anti-Terrorism Bill whose main features could be turned into an instrument of state terrorism. In this sense, the Anti-Terrorism Bill is consciously designed to terrorize the segment of Filipino people that are more critical of the inefficiency and corruption of the Duterte government.

Eminent economist and mentor at the prestigious University of the Philippines, Professor Solita Collas-Monsod recently commented:

“I am afraid that this bill, which lends itself to even more abuses (because it gives the police more power and penalizes them less) will be the start of a reign of terror–not terror by non-state actors, striking fear among the populace, but terror by the government, as in the Reign of Terror in France in 1870.” (3)

In the final analysis, one concrete description can sum up what has been happening in the Philippines today: The country is in the eye of the storm under the leadership of a fascist president whose unilateral ambition is to oppress and terrorize the nation he has deceived and opted now to sell to the devil.

*

Note to readers: please click the share buttons above or below. Forward this article to your email lists. Crosspost on your blog site, internet forums. etc.

Ruel F. Pepa is a Filipino philosopher based in Madrid, Spain. A retired academic (Associate Professor IV), he taught Philosophy and Social Sciences for more than 15 years at Trinity University of Asia, an Anglican university in the Philippines.

Notes

(1) Democracy Now (June 5, 2020) https://www.democracynow.org/2020/6/5/headlines/un_reports_thousands_killed_with_impunity _in_philippines_war_on_drugs?fbclid=IwAR240EMN7N7MYBAJaQ1KFMt5vKBSBlUYsulyax ABcofsAsCzKIuBjdq-4bc

(2) “TIMELINE: ₱11B-worth of shabu slips past PH customs days after ₱4.3B worth of shabu was intercepted”, CNN Philippines (October 26, 2018) https://cnnphilippines.com/news/2018/10/26/timeline-shabu-smuggling-magnetic-lifters.html ”

Magnetic lifters contained 1.6 tons of shabu – PDEA” by Jairus Bondoc, Philippine Star Global (October 17, 2018) https://www.philstar.com/opinion/2018/10/17/1860621/magnetic-lifters-contained-16-tons-shabu -pdea

(3) Philippine Daily Inquirer . . . Inquirer.net, (June 6, 2020)


Comment on Global Research Articles on our Facebook page

Become a Member of Global Research