quinta-feira, 6 de março de 2025

Fernando Pessoa o guardador de rebanhos

O meu olhar é nítido como um girassol. Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando para a direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança se, ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... Creio no Mundo como num malmequer, Porque o vejo. Mas não penso nele Porque pensar é não compreender... O Mundo não se fez para pensarmos nele (Pensar é estar doente dos olhos) Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo… Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama Nem sabe porque ama, nem o que é amar... Amar é a eterna inocência, E a única inocência é não pensar... “O Guardador de Rebanhos”, de 08/03/1914, In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa.

DA COISA E DO PROCESSO

DA COISA E DO PROCESSO Alvin Toffler (1928 - 2016) , estadunidense, escritor e doutor em letras e ciência, de pendores futuristas, maravilhava-se ante o progresso das ciências, cada vez mais analítica na dissecação da realidade em partes cada vez menores. Ao que a opinião contrária vê nisso um retrocesso, ao impulsionar a tendência da pesquisa científica a saber cada vez mais de cada vez menos. Essa visão de mundo de dividir a realidade em partes de um todo que não se estuda, na observação do Prêmio Nobel de Fisiologia, o francês François Jacob, opõe-se frontalmente à sabedoria da Grécia Clássica (e também da sabedoria oriental), que começa pelo todo, a partir do qual estudam-se os seus desdobramentos, não em partes estanques, mas na sua CONTINUIDADE e na sua DESCONTINUIDADE, ao mesmo tempo. É nesse curto circuito da lógica binária do sim x não, do certo x errado que os gregos antigos enxergavam o DEVIR do Cosmos. Ou seja, há uma continuidade descontínua nas manifestações do Cosmos, dos Titãs aos deuses do Olimpo, destes às divindades menores, aos semideuses, aos heróis míticos, aos homens, aos animais, às plantas e às pedras. De acordo com a mitologia grega, tais manifestações engendram-se umas às outras num ciclo recorrente do nascer e do perecer, assim como ocorre na metamorfose dos insetos de ciclo completo, o da borboleta, por exemplo. Da mitologia os gregos retiraram a inspiração de sua filosofia, segundo o historiador francês Jean-Pièrre Vernant, dentre outros. Tem-se, então, do lado dos gregos o PROCESSO e do lado de Alvin Toffler a COISA, na modernidade dos modelos usuais de pesquisa científica. Entendam-se como "coisa" também os conceitos, coisas mentais, abstrações, que se caracterizam por suas DELIMITAÇÕES distintivas, ao passo que o PROCESSO, sem começo nem fim, não se delimita em segmentos, reais ou conceituais. Assim, por exemplo, a criança, que não é uma coisa, não é divisível na sua transição para a adolescência, à diferença de um queijo, divisível em pedaços. É verdade que a arte macabra que tornou célebre Jack Estripador, o bandido londrino que esquartejava as suas vítimas, ao tratá-las como coisa, perde força nos modelos da pesquisa científica, cada vez mais inclinados a tratar a realidade como processo, ou seja, partindo da consideração do todo. Ao entrar em contato, por leitura, com um novo autor por mim desconhecido, intento saber, em primeiro lugar, como ele trata a realidade, se coisa ou se processo. Identifico, assim, um número pequeno, porém, crescente, de autores voltados à ideia de processo, mais consentânea com o modo como experimento minha existência, um desenrolar de mim mesmo rumo à incompletude, graças à qual entrevejo possibilidades de caráter exponencial de permanecer como sou, diferentemente, ao escandir as modalidades lúdicas de papeis que venha a desempenhar. COISA é com Alvin Toffler e seus amigos da dissecação anatômica da existência. Tudo isso para dizer que me é difícil compartilhar do entusiasmo avassalador pela Inteligência Artificial, uma COISA tecnológica, que assusta mais do que empolga. A IA capta fragmentos de minhas manifestações nas redes informáticas e me devolve na forma de um todo vicário, ajambrado estatisticamente, que pretende me convencer de que sou eu, convertido em COISA. Não seria esse o sentido profético da metáfora da barata em Kafka, ou em Clarice Linspector? Nivaldo Manzano

quarta-feira, 5 de março de 2025

TEMPO ZERO

QUIPROCÓ A PROPÓSITO DO TEMPO ZERO Em uma postagem no facebook fui chamado à atenção por não precisar o tempo (a data, a época) em que ocorreu o fato. Assim procedi deliberadamente em consonância com o propósito que tinha em vista e, ao que parece, não me fiz entender. Desencadeou-se a partir daí um debate com o interlocutor, pois o que eu tinha em vista implicava associar dois eventos, distantes entre si no tempo LINEAR (tempo do relógio),é verdade, mas com outro intento. Eu me referia à MUDANÇA DE UM CONTEXTO PARA OUTRO CONTEXTO, correspondente aos dois eventos, mudança contextual que não implica DURAÇÃO, Por isso, por convenção, chama-se TEMPO ZERO, noção corrente na engenharia de software, retirada da VISÃO DE PROCESSO, OU CONTEXTUAL, que contrasta com a visão LINEAR da geodésia do tempo, que é o estudo da rotação da Terra, rotação que fundamenta a convenção cultural da medida do tempo linear pelo relógio./// Há várias noções de tempo, e a disciplina que cuida disso é a ANTROPOLOGIA CULTURAL, que é o estudo da diversidade entre as culturas, e o tempo tem aí o seu papel de caráter DIFERENCIAL. Deixo de lado as várias noções culturais do tempo, para ir direto ao ponto: o TEMPO ZERO. Apenas menciono dois marcos na coleção cultural dos tempos: o tempo da teoria da relatividade de Einstein, que rompe com a visão clássica de um tempo único em todos os lugares; e o tempo do filósofo francês Henry Bergson, que propõe a existência de um tempo único mediante a ideia de DURAÇÃO, num sentido anti-einsteiniano. Tempo zero não tem duração, tampouco é único, embora também não seja diverso. TEMPO ZERO é tempo nenhum e isso não é um paradoxo./// Para um indígena que jamais tenha sabido da existência de uma arma de fogo, ao vê-la em operação, irá associar por analogia a arma de fogo ao seu arco e flecha. Dar-se conta disso não implica transcurso de tempo algum. Do mesmo modo, praticamos o tempo zero no computador quando, ao toque de um dedo, mudamos de um aplicativo para outro, de um sistema operacional para outro etc. Por que outro? Porque cada aplicativo tem a sua sintaxe, ou seja, os seus componentes e as suas regras de operação, assim como o jogo de xadrez difere do jogo de damas: nesse caso, muda-se o tabuleiro, mudam-se as pedras e as regras que estabelecem o modo como cada uma pode deslocar-se frente às outras. Não transcorre tempo linear algum quando me vem a ideia de mudar do contexto da sala de visita para o contexto do quarto de dormir, ao improvisar o sofá como cama, para um cochilo. O sal é branco no contexto do olhar; amargo no contexto do paladar e cristal no contexto do tato. Isso é dizer que os OBJETOS, os EVENTOS, os FATOS mudam de contexto de acordo com a REFERÊNCIA assumida por mim. E ainda: posso reutilizar soluções anteriores, eventos anteriores, fatos anteriores, retidos na memória, que passam a ser escandidos sob novas referências, um novo contexto. Ou seja, TEMPO ZERO é o TEMPO DA MUDANÇA DE UM CONTEXTO PARA OUTRO CONETEXTO. Nivaldo Manzano

Agronegócio e china

ATÉ QUANDO VAI DURAR A BONANÇA DO AGRONEGÓCIO NO BRASIL? Um mil toneladas de produção de alimentos por habitante/ano. Essa é a convenção - e toda convenção é fungível - estabelecida por especialistas em segurança alimentar nos anos 1950. A China, segundo informa a Reuters (05.02.2025), elevou a sua previsão de produção para este ano para 700 milhões de toneladas métricas e anuncia a sua meta de elevar a sua produção de 50 milhões toneladas/ano. Isso significa dobrar em QUINZE ANOS o montante da produção prevista para 2025. Caso não ocorram obstáculos climáticos ou de outra natureza, a autossuficiência alimnentar visada pela China deverá ser alcançada dentro de 15 anos, quando, então, hipoteticamente, deverá não mais depender da importação de alimentos. A China tem como meta recuperar 6,7 milhões de hectares de áreas desérticas com pastagens e florestas, até 2025. O objetivo está dentro 14º Plano Quinquenal, que começou em 2021 e termina em 2025. O país tem a maior área desertificada do mundo, com 2,5737 milhões de km2 (quase 1/3 de seu território) e 1,6878 milhão de km2 de áreas de solo arenoso, segundo dados de 2019 da Administração Nacional de Florestas e Pastagens. /// A propósito, Burkina Faso, país da África Ocidental, que acaba de se livrar de meio século sob jugo neocolonial francês, anunciou hoje (05.03.2025) o lançamento de seu novo projeto de produção irrigada de 2 mil hectares, que se incorporam a áreas já em produção de arroz e frutos como tomate (50 t/dia de massa de tomate) e a criação de peixes no sistema tanque-rede (flutuante), com previsão de produção de 300 mil toneladas/ano, ou 830 toneladas/dia. Outros países da África Ocidental, como Mali e Niger, igualmente libertos do jugo francês, propõem-se a realizar projetos semelhantes, todos eles com vistas à autossuficiência alimentar em curto prazo (cinco/dez anos). Dinheiro AGORA não falta: são países ricos em minérios estratégicos, como ouro e urânio, atualmente sob controle nacional e é de sua exportação que obtêm divisas para aquisição de tecnologia. Burkina Faso produz 150 toneladas de ouro por ano e deverá concluir em 12 meses o projeto de sua refinaria./// O neocolonalismo francês deixou como herança nos países que explorou os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Continente. Uma revolução social associada a movimentos de libertação nacional agita uma vintena de países da África, uma revolução ignorada pela imprensa corporativa ocidental. Em iniciativa pioneira no Ocidente, pelo menos DEZ países africanos proíbem a exportação de matérias-primas vegetais e minerais em estado bruto, obrigando à sua agregação de valor in loco, diferentemente do que faz o Brasil, ainda preso ao esquema colonial. Nivaldo Manzano

Porque parece dificil entender o que pensa o chinês

PORQUE PARECE DIFÍCIL ENTENDER A CABEÇA DE UM CHINÊS Admirador do que se passa na China, meu filho, em viagem de trabalho ao país, notou com estranheza o espírito fortemente COMPETITIVO que grassa entre os chineses, especialmente entre os jovens. Deu-me, assim, a oportunidade de lhe explicar como na cabeça de um chinês cabe AO MESMO TEMPO o sentido de COMPETIÇÃO e o sentido de SOLIDARIEDADE. Nós, do Ocidente, ainda sujeitos à mentalidade ILUMINISTA (predominância absoluta da RAZÃO, como faculdade soberana sobre as demais, a saber, a intuição, os sentimentos, a ética e a estética)) valorizamos o CONCEITO (abstrações) no lidar com os afazeres humanos, em contraste com a mentalidade ORIENTAL, que valoriza espontaneamente o modo de pensar EM PROCESSO (contexto). O conceito, a que se chega por abstração lógica (e, em geral, também matemática) é de caráter DUALISTA: "é ou não é", sendo que ambas as opções excluem-se mutuamente. Na visão em processso, tem-se "é e também não é", de acordo com o contexto, que tem como referência o ser humano. Assim, ambas as opções conciliam-se mutuamente, de modo SOLIDÁRIO E CONFLITVO. O processo é de caráter MONISTA. De modo que, sem se considerar contraditório, o chinês se enxerga como "individualista" (no dizer ocidental), na defesa e afirmação do próprio interesse, ao mesmo tempo que solidário na defesa e afirmação da COMUNIDADE (solidariedade). Aqui não entra nenhuma consideração que remeta à ideia de oportunismo. Por influxo do ILUMINISMO, de base exclusivamente racional e egotista (ideologia liberal) , fomos privados do sentido constitutivo de COMUNIDADE, porém, ainda muito vivo entre os ameríndios e demais povos que não sofreram a investida da mentalidade eurocentrista. Há dois mil e quinhentos anos, Aristóteles escreveu em seu livro "Ética a Nicômaco" que o maior risco para a democracia é a acumulação de dinheiro em mãos de poucos, do que resulta o afrouxamento dos laços comunitários e daí, a sua ruína. Nivaldo Manzano

terça-feira, 4 de março de 2025

POR QUE LEIO COISAS ASSIM?

POR QUE LEIO COISAS ASSIM? Nestes tempos ásperos, de grosseria, arrogância, impolidez, incivilidade, desrespeito, rudeza, ignorância empafiosa, encontro oportunidade de catarse (será?) na leitura de biografias de tipos oportunistas, malandros, argentários, bajuladores, ladrões de casaca, golpistas, matreiros, campeões da dissimulação e outras adjetivações elevadas à enésima potência, integrantes da mesma constelação semântica, que se alçaram aos píncaros do prestígio junto às cortes europeias nos séculos XVII e XVIII, tendo sido responsáveis por decisões políticas que mudaram o destino de Estados, em razão de suas habilidades de dar nó em pingo d'água. Refiro-me a Joseph Fouché, por exemplo, que saltou dos jacobinos, na sua amizade com Robespièrre, na Revolução Francesa, ao Diretório e ao Imperio, como escudeiro, conselheiro e chefe de polícia de Napoleão Bonaparte, um mágico da calhordice, natureza de réptil, provavelmente a personalidade pública mais odiada em seu tempo, que mereceu memórias escritas com fel por todos os que experimentaram o dissabor e a repulsa moral de lhe estar próximo nas suas incumbências institucionais. Ao nteressado, sugiro a leitira de "Fouché", por Stefan Zweig, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985, livro de sebo, barato. Outra biografia, verdolenga do mesmo fel é a de Nicolas Fouquet, nobre francês, jesuíta, bispo, ministro na Revolução Francesa e no Império Napoleônico, considerado como fundador da polícia política e conhecido como "o judas da Revolução" (Veja-se a página do google de acessos ao seu nome). O terceiro é o cardeal Giulio Mazarino (1602- 1661), tutor de Luis XIV, herdeiro intelectual nas artes diplomáticas do cardeal Richelieu. Mazarino, envolvente, se valeu de sua conversa labiosa para estar junto ao leito da raínha Ana de França, ocasiões em que ela que lhe abria as portas de acesso ao saque financeiro que praticou no convívio dos poderosos que frequentou. As suas peripécias de golpes ladinos encontram limite na imaginação. Mas o que me provocou sincero engulho foi a leitura de seu "Breviário dos políticos", um vademecum, como sugere o título, com recomendações aos principiantes, de um cinismo tal que me fez arrepiar a pele e sustar a leitura a meio caminho, algo que não me ocorrera antes. Reconheço, porém, que há estômagos mais fortes do que o meu. Nivaldo Manzano

PARA O SER HUMANO A NORMA

PARA O SER HUMANO A NORMA É A CAPACIDADE DE MUDAR DE NORMA" (Georges Canguilhem) Passam-se os anos, e algumas ideias sedimentam-se em mim com a intensidade de um encantamento. Todas elas têm como referência última a existência, que não tem outra referência senão a si mesma. Existir é inventar-se a si mesmo, movido pelo desejo de permanecer no que se é, diferentemente, como diz Espinosa. O filósofo diria que existir é conjugar os verbos e advérbios modais nas suas infinitas flexões. Desejo sair de mim mesmo em busca de outrem, como objeto do desejo, que retorna à minha consciência como exponenciação da variedade dos modos de existir, mediante a representação de novos papeis, um reflexo caleidoscópico de minhas potencialidades, nas quais busco realizar-me, recorrentemente. A felicidade não está no fim da viagem, a última estação. Nessa visão de mundo, o que importa é o MODO de viajar. Em contraste, as ontologias - todas elas - buscam agarrar-se a um pau de enchente metafísico, inseguras e medrosas de si mesmas. Toda ontologia, assim como a Bíblia, desdobra-se numa narrativa, com começo, meio e fim. E para tanto impõe-se uma visão do tempo como transcurso entre o antes e o depois. Para nós, ocidentais, a aferição costumeira do tempo é a do relógio mecânico (agora digital), que faz do tempo algo à disposição do ser humano à maneira de um taxi estacionado no ponto, à espera de percorrer um caminho que se estende à sua frente, antes de se anunciar para onde pretende ir. Tanto esse sentimento é premente na atualidade, que se fala em TRAJETÓRIA de vida, uma metáfora retirada da Física, que descreve o deslocamento de um corpo, se consciente, rumo a um objetivo determinado. Não há ideologia que não comece por submeter à sua forja a noção de tempo. Assim, Platão, em sua República, contrapondo-se ao tempo cíclico do mito, inaugura no Ocidente o tempo LINEAR. Com Platão, somos advertidos de que é preciso chegar a algum lugar determinado, não se admitindo mais que o caminho se faça ao caminhar, como escreve o poeta espanhol Antonio Machado, possivelmente inspirado na sabedoria do Tao. Que lugar é esse de Platão? Sabem-no os filósofos, que ele elegeu para conduzir a cidade (Estado). Assim, com o tempo linear, caberá a uns mandar e aos demais obedecer. O tempo linear é o do progresso automático, da ontologia, do messianismo, da utopia, que tem aqui a função de gerar, alimentar e manter o estado de salivação feérica em que se debate a vítima, em resposta à expectativa de uma existência que se frustra, porque lhe é oferecida em migalhas, fragmentos de uma experiência que se quer plena a cada instante. Trata-se de uma ontologia associada ao monoteísmo, que se converte em modelo na Mecânica newtoniana, sob a égide do deslocamento, uma ontologia que é tambem uma ÉTICA, a ÉTICA DO DEVER SER, que se impõe indistintamente à maçã de Newton e ao ser humano. A opção de "liberdade" assim oferecida a ambos é a mesma: dizer sim à lei da gravidade, como se para o ser humano a norma não consistisse na capacidade de mudar de norma, para sintonizar-se com o seu contexto, em estado de mudança. Por não admitir o tempo como vivência interior, assim como ocorre em outras culturas, como no Oriente ou entre os ameríndios, o tempo linear impõe-se na sua pretensão objetivista de modo autoritário e excludente. E esse é o tempo que prevalece na atualidade, o tempo do status quo, o tempo dos meritocratas que crescem à custa de puxar para cima os próprios cabelos, o tempo do mercado autorregulável, o tempo do Capital. /// A questão sobre outras modalidades do tempo, além do tempo linear, fica para uma outra postagem. Nivaldo Manzano