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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Contra o estrago do liberalismo, recuperar o Marx filósofo


De Carta Maior


O filósofo francês Dany-Robert Dufour refletiu sobre as mutações que esvaziaram o sujeito contemporâneo de relatos fundadores. Essa ausência é, para ele, um dos elementos da imoralidade liberal que rege o mundo hoje. Seu trabalho como filósofo crítico do liberalismo culmina agora em um livro que pergunta: que indivíduo surgirá depois do liberalismo? Talvez seja o caso, defende, de recuperar o Max filósofo, que defendia a realização total do indivíduo fora dos circuitos mercantis.

Alguns já o veem terminado, outros a ponto de cair no abismo, ou em pleno ocaso, ou em vias de extinção. Outros analistas estimam o contrário e afirmam que, embora o liberalismo esteja atravessando uma série crise, seu modelo está muito longe do fim. Apesar das crises e de suas consequências, o liberalismo segue de pé, produzindo seu lote insensato de lucros e desigualdades, suas políticas de ajuste, sua irrenunciável impunidade. No entanto, ainda que siga vivo, a crise expôs como nunca seus mecanismos perversos e, sobretudo, colocou no centro da cena não já o sistema econômico no qual se articula, mas sim o tipo de indivíduo que o neoliberalismo terminou por criar: hedonista, egoísta, consumista, frívolo, obcecado pelos objetos e pela imagem fashion que emana dele.

A trilogia da modernidade liberal é muito simples: produzir, consumir, enriquecer. O filósofo francês Dany-Robert Dufour refletiu sobre as mutações pós-modernas que esvaziaram o sujeito contemporâneo de relatos fundadores. Essa ausência é, para o filósofo, um dos elementos da imoralidade liberal que rege o mundo contemporâneo. Seu trabalho como filósofo crítico do liberalismo se desenvolveu em livros como “Le Divin Marché” (O Divino Mercado) e culmina agora em um apaixonante livro que coloca uma pergunta que poucos se fazem: como será o indivíduo que surgirá depois do liberalismo?

Dany-Robert Dufour não só lança mais uma diatribe sobre o sistema liberal, mas explora os conteúdos sobre os quais pode-se refundar a humanidade despois desse pugilato planetário do despojo e da estafa que é o ultra-liberalismo. Mas a humanidade não se funda no automatismo, mas sim através dos indivíduos. Seu livro, “L’individu qui vient...après le libéralisme” (O indivíduo que vem...depois do liberalismo) explora o transtorno liberal do passado e esboça os contornos de um novo indivíduo ao qual o filósofo define como “simpático”, ou seja, abertos aos outros que também o constituem.

O liberalismo, que se apresentou como salvador da humanidade, terminou levando a o ser um humano a um caminho sem saída. Você considera o fim desse modelo e se pergunta sobre qual tipo de ser humano surgirá depois do ultra-liberalismo?

Dany-Robert Dufour: No século passado conhecemos dois grandes caminhos sem saída históricos: o nazismo e o stalinismo. De alguma maneira e entre aspas, depois da Segunda Guerra Mundial fomos liberados desses dois caminhos sem saída pelo liberalismo. Mas essa liberação terminou sendo uma nova alienação. Em suas formas atuais, ou seja, ultra e neoliberal, o liberalismo se plasma como um novo totalitarismo porque pretende gerir o conjunto das relações sociais. Nada deve escapar à ditadura dos mercados e isso converte o liberalismo em um novo totalitarismo que segue os dois anteriores. É então um novo caminho sem saída histórico. O liberalismo explorou o ser humano.

O historiador húngaro Karl Polanyi, em um livro publicado depois da Segunda Guerra Mundial, demonstrou como, antes, a economia estava incluída em uma série de relações sociais, políticas, culturais, etc. Mas, com a irrupção do liberalismo, a economia saiu desse círculo de relações para converter-se no ente que procurou dominar todos os demais. Dessa forma, todas as economias humanas caem sob a lei liberal, ou seja, a lei do proveito onde tudo deve ser rentável, incluindo as atividades que antes não estavam sob o mandato do rentável.

Por exemplo, neste momento eu e você estamos conversando, mas não buscamos rentabilidade e sim a produção de sentido. Neste momento estamos em uma economia discursiva. Mas hoje, até a economia discursiva está sujeita ao “quem ganha mais”. Cada uma das economias humanas está sob a mesma lógica: a economia psíquica, a economia simbólica, a economia política, daí o derretimento da política. O político só existe hoje para seguir o econômico. A crise que atravessa a Europa mostra que, quanto mais ela se aprofunda, mais a política deixa a gestão nas mãos da economia. A política abdicou ante a economia e esta tomou o poder. Os circuitos econômicos e financeiros se apoderaram da política, A crise é, por conseguinte, geral.

O título de seu livro, “O homem que vem depois do liberalismo”, implica a dupla ideia de uma fase triunfal e de um fim do liberalismo...

DRD: Paradoxalmente, no momento de seu triunfo absoluto o liberalismo dá sinais de cansaço. Nos damos conta de que nada funciona e as pessoas vão tomando consciência desta falha e têm uma reação de incredulidade. Os mercados se propuseram a ser uma espécie de remédio para todos os males. Você tem um problema? Pois então recorra ao Mercado e este aportará a riqueza absoluta e a solução dos problemas. Mas agora nos damos contra de que o mercado acarreta devastações.

Assim, vemos como esse remédio que devia nos fornecer a riqueza infinita não traz senão miséria, pobreza, devastação. O capitalismo produz riqueza global, sim, mas ela é pessimamente repartida. Sabemos que há 20, 30 anos, as desigualdades têm aumentado pelo planeta. A riqueza global do capitalismo despoja de seus direitos a milhões de indivíduos: os direitos sociais, o direito à educação, à saúde, em suma, todos esses direitos conquistados com as lutas sociais estão sendo tragados pelo liberalismo. O liberalismo foi como uma religião cheia de promessas. Nos prometeu a riqueza infinita graças a seu operador, o Divino Mercado. Mas não cumpriu a promessa.

Em sua crítica filosófica ao liberalismo, você destaca um dos principais estragos produzidos pelo pensamento liberal: os indivíduos estão submetidos aos objetos, nãos aos seus semelhantes; ao outro. A relação em si, a sensualidade, foi substituída pelo objeto.

DRD: As relações entre os indivíduos passam ao segundo plano. O primeiro é ocupado pela relação com o objeto. Essa é a lógica do mercado: o mercado pode a cada momento agitar diante de nós o objeto capaz de satisfazer todos nossos apetites. Pode ser um objeto manufaturado, um serviço e até um fantasma construído pelas indústrias culturais. Estamos em um sistema de relações que privilegia o objeto antes do sujeito. Isso cria uma nova alienação, uma espécie de vício com os objetos. Esse novo totalitarismo que é o liberalismo coloca nas mãos dos indivíduos os elementos para que se oprimam a si mesmos através dos objetos. O liberalismo nos deixa a liberdade de alienarmos a nós mesmos.

Você situa o princípio da crise nos anos 80 através da restauração do que você chama de o relato de Adam Smith. Você cita uma de suas frases mais espantosas: para escravizar um homem é preciso dirigir-se ao seu egoísmo e não a sua humanidade.

DRD: Adam Smith remonta ao século XVIII e sua moral egoísta se expandiu um século e meio depois com a globalização do mercado no mundo. De fato, Smith demorou tanto porque houve outra mensagem paralela, outro Século das Luzes, que foi o do transcendentalismo alemão.

Ao contrário das Luzes de Smith, as alemãs propunham a regulação moral, a regulação transcendental. Essa regulação podia se manifestar na vida prática através da construção de formas como as do Estado a fim de regular os interesses privados. A partir do Século das Luzes, há duas forças que se manifestam: Adam Smith e Kant. Esses dois campos filosóficos coexistiram de maneira conflitiva ao longo da modernidade, ou seja, através de dois séculos. Mas, em um determinado momento, o transcendentalismo alemão perdeu força e deu lugar ao liberalismo inglês, o qual adquiriu uma forma ultra-liberal. Pode-se datar esse fenômeno a partir do início dos anos 80. Há inclusive uma marca histórica que remonta ao momento em que Ronald Reagan, nos Estados Unidos, e Margaret Thatcher, na Grã-Bretanha, chegam ao poder a instalam a liberdade econômica sem regulação. Essa ausência de regulação destruiu imediatamente as convenções sociais, ou seja, os pactos entre indivíduos.

Daí provém a trilogia “produzir, consumir, enriquecer”. Você chama essa trilogia de pleonexía.

DRD: O termo “pleonexía” é encontrado na República de Platão e quer dizer “sempre ter mais. A República grega, a Polis, foi construída sobre a proibição da pleonexía. Pode-se dizer então que, até o século XVIII, toda uma parte do Ocidente funcionou com base nessa proibição e se liberou dela nos anos 80. A partir daí se liberou a avidez mundial, a avidez dos mercados e dos banqueiros. Lembre o discurso pronunciado por Alan Greenspan (ex-presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos) ante à Comissão norteamericana depois da crise de 2008. Greenspan disse: “pensava que a avidez dos banqueiros era a melhor regulação possível. Agora, me dou conta de que isso não funciona mais e não sei por quê”. Greenspan confessou assim que o que dirige as coisas é a liberação da pleonexía. E já sabemos para onde isso conduz.

Chegamos agora ao depois, ao hipotético ser humano de depois do liberalismo. Você o enxerga sob os traços de um indivíduo simpático. Que sentido tem o termo simpático neste contexto?

DRD: Ninguém é bom ao nascer como pensava Rousseau, nem tampouco mau como pensava Hobbes. O que podemos fazer é ajudar as pessoas a serem simpáticas, ou seja, a não pensarem somente em si mesmas e a pensarem que, para viver com o próximo, é preciso contar com ele. O outro está em mim, as imagens dos outros estão em mim e me constituem como sujeito. A própria ideia de um indivíduo egoísta é sem sentido porque isso obriga a que nos esquecer de que o indivíduo está constituído por partes do outro. E quando falo de um indivíduo simpático não emprego o termo em sua acepção mais comum, alguém simplesmente simpático, digamos. Não, trata-se do sentido que a palavra tinha no século XVIII, onde a simpatia era a presença do outro em mim. Necessito então da presença do outro em mim e o outro precisa de minha presença nele para que possamos constituir um espaço onde cada um seja um indivíduo aberto ao outro. Eu cuido do outro como o outro cuida de mim. Isso é um indivíduo simpático.

Sigamos com a simpatia, mas sobre que bases se constrói o indivíduo que vem depois do liberalismo? A razão, a religião, o esporte, o ócio, a solidariedade, outra ideia de mercado?

DRD: Neste livro fiz um inventário sobre os relatos antigos: o relato do logos, da evasão da alma dos gregos, o relato sobre a consideração do outro nos monoteísmos. Dei-me conta de que em ambos relatos havia coisas interessantes e também aterradoras. Por exemplo, a opressão das mulheres no patriarcado monoteísta equivale à opressão da metade da humanidade. Por acaso queremos repetir essa experiência? Certamente que não.

Outro exemplo: no logos, para que haja uma classe de homens livres na sociedade é preciso que haja uma classe oprimida e escravizada. Queremos repetir isso? Não. Refundar nossa civilização após os três caminhos sem saída que foram o nazismo, o estalinismo e o liberalismo requer uma refundação sobre bases sólidas. Por isso realizei o inventário, para ver o que podíamos recuperar e o que não, quando do passado podia nos servir e quanto não. A segunda consideração diz respeito aquilo que poderia ajudar o indivíduo a ser simpático, ao invés de egoísta. Neste contexto, a ideia da reconstrução do político, de uma nova forma do Estado que não esteja dedicado a conservar os interesses econômicos, mas sim a preservar os interesses coletivos, é central.

Qual é, então, o grande relato que poderia nos salvar?

DRD: Deixamos no caminho os grandes relatos de antes e acreditamos cada vez menos no grande relato do mercado. Estamos a espera de algo que una o indivíduo, ou seja, um grande relato. Eu proponho o relato de um indivíduo que deixou de ser egoísta, que não seja tampouco o indivíduo coletivo do estalinismo, nem tampouco o indivíduo mergulhado na ideia de uma raça que se crê superior, como no nazismo e no fascismo. Trata-se de um relato alternativo a tudo isso, um relato que persiste no fundo da civilização.

Creio que o valor da civilização ocidental radica no fato de ter coloca o acento na individuação, ou seja, na ideia da criação de um indivíduo capaz de pensar e agir por si mesmo. Não é para esquecer a noção de indivíduo, mas sim reconstruí-la. Contrariamente ao que se diz, não creio que nossas sociedades sejam individualistas, não, nossas sociedades são lamentavelmente egoístas. Isso me faz pensar que há muita margem de existência ao indivíduo como tal, que há muitas coisas dele que não conhecemos.

Temos que fazer o indivíduo existir fora dos valores do mercado. O indivíduo do estalinismo foi dissolvido na massa do coletivismo; o indivíduo do nazismo e do fascismo foi dissolvido na raça, o indivíduo do liberalismo foi dissolvido no egoísmo. O indivíduo liberal é um escravo de suas paixões e de suas pulsões. Devemos nos elevar desse caminho sem saída liberal parar recriar um indivíduo aberto ao outro, capaz de realizar-se totalmente.

Há textos filosóficos de Karl Marx que não são muito conhecidos e nos quais Marx queria a realização total do indivíduo fora dos circuitos mercantis: no amor, na relação com os outros, na amizade, na arte. Poder criar o máximo a partir das disposições de cada um. Talvez seja o caso de recuperar esse relato do Marx filósofo e esquecer o do Marx marxista.

sábado, 31 de dezembro de 2011

A crise do neoliberalismo; em esp.

“El mundo ya ingresó en la segunda fase de la crisis”

Jornal da Unicamp

Traducido del portugués para Rebelión por Rodrigo Alonso


El economista francés Gérard Duménil es autor de varios libros y ensayos sobre el capitalismo contemporáneo. Este año publicó, en colaboración con Dominique Lévy, el libro The crisis of neoliberalism (Harvard University Press, 2011). Duménil estuvo en la Unicamp para una conferencia sobre la crisis actual en el Centro de Estudos Marxistas (Cemarx), en el marco del programa de  pos-graduación en ciencia política del Instituto de Filosofía e Ciências Humanas (IFCH) de la Unicamp. En la ocasión, concedió la entrevista que sigue al politólogo Armando Boito Júnior, professor titular del IFCH.

Jornal da Unicamp – Usted viene investigando el capitalismo neoliberal hace mucho tiempo. En su análisis, ¿cómo se debe caracterizar la etapa actual del capitalismo?

Gérard Duménil – El neoliberalismo es la nueva etapa en la cual ingresó el capitalismo luego de la transición de los años 70 y 80. Con Dominique Lévy hablamos de un nuevo “orden social”. Con esa expresión nosotros designamos la nueva configuración de poderes relativos entre las clases sociales, dominaciones y compromisos. El neoliberalismo se caracteriza, de ese modo, por el refuerzo del poder de las clases capitalistas en alianza con la clase de los gerentes (cuadros), sobretodo las cúpulas de las jerarquías sociales y de los sectores financieros.

En el transcurso de los decenios posteriores a la Segunda Guerra Mundial, las clases capitalistas vieron disminuir su poder e ingresos en la mayoría de los países. Simplificando, podríamos hablar de la existencia de un orden “socialdemócrata” durante ese período. Las circunstancias creadas por la crisis de 1929, la Segunda Guerra Mundial y la fuerza internacional del movimiento obrero habían conducido al establecimiento de ese orden social relativamente favorable al desarrollo económico y a la mejoría de las condiciones de vida de las clases populares (obreros y empleados subalternos). El término “socialdemócrata” para caracterizar ese orden social se aplica, evidentemente, mejor a Europa que a los Estados Unidos.

Con el establecimiento del nuevo orden social neoliberal, el funcionamiento del capitalismo fue radicalmente transformado: una nueva disciplina fue impuesta a los trabajadores en materia de condiciones de trabajo, poder de compra, protección social, etc., además de la desregulación (fundamentalmente financiera), apertura de las fronteras comerciales y la libre movilidad de capitales en el plano internacional (libertad de invertir en el exterior). Esos dos últimos aspectos colocaron a todos los trabajadores del mundo en una situación de competencia entre sí, cualesquiera sean los niveles de salarios en los diferentes países.

En el plano de las relaciones internacionales, los primeros decenios de posguerra, todavía en el antiguo orden “socialdemócrata”, fueron marcados por prácticas imperialistas de los países centrales: en el plano económico, presión sobre los precios de las materias primas y exportación de capitales; en el plano político, corrupción, subversión y guerra. Con la llegada del neoliberalismo, las formas imperialistas fueron renovadas. Es difícil juzgar en términos de intensidad y hacer comparaciones. En términos económicos, la explosión de las inversiones directas en el extranjero en la década de 1990 ciertamente multiplicó el flujo de ganancias extraído de los países periféricos por las clases capitalistas del centro. El hecho de que los países de la periferia desearan recibir esas inversiones no cambia en nada la naturaleza imperialista de esas prácticas, se sabe que todos los trabajadores “desean” ser explotados a estar desempleados.

Cuando a mediados de los años 90, nosotros introducimos esa interpretación del neoliberalismo en términos de clase, ella suscitó poco interés. Luego, la explosión de las desigualdades sociales dio a esa interpretación la fuerza de la evidencia. La particularidad del análisis marxista es la referencia a las clases más que a los grupos sociales. Ese carácter de clase está inscripto en todas las prácticas neoliberales e incluso los keynesianos de izquierda se expresan, ahora, en esos términos. Cierta negativa a esta interpretación sin embargo, aún se mantiene; muchos no aceptan el papel importante que le atribuimos a los gerentes (cuadros) en el orden social neoliberal.

Entre los marxistas se continua rechazando que el control de los medios de producción en el capitalismo moderno es asegurado conjuntamente por las clases capitalistas y por la clase de los gerentes, lo que hace de ésta última un segundo componente de las clases superiores. Esa negativa es aún más desconcertante cuando se tiene en mente que los ingresos de las categorías superiores de los gerentes en el neoliberalismo aumentaron aún más que los ingresos de los capitalistas.


JU – Para algunos autores, el neoliberalismo fue un ajuste inevitable provocado por la crisis fiscal del Estado; para otros fue el resultado, también inevitable, de la globalización.

Gérard Duménil – La explicación del neoliberalismo por la “crisis fiscal” y frecuentemente también por la inflación es la explicación de la derecha; es una defensa de los intereses capitalistas. Ella especula con las inconsistencias de los bloques políticos que dirigían el orden social de posguerra. Estos bloques habrían sido incapaces de gestionar la crisis de los años 70 y entonces desembocamos en el neoliberalismo. Pasa lo mismo con la explicación que presenta al neoliberalismo como consecuencia de la globalización. Ese argumento invierte las causalidades. Lo que el neoliberalismo hace es orientar la globalización, una tendencia antigua, para nuevas direcciones y acelerar su curso, abriendo la vía para la “globalización neoliberal”. El movimiento altermundista luchó por otra globalización, solidaria, y no basada en la explotación en provecho de una minoría.


JU – Usted acaba de publicar, en conjunto con su colega Dominique Lévy, un libro sobre la crisis económica actual. Según su análisis, ¿cuál es la naturaleza de esta crisis?

Gérard Duménil – La crisis actual es una de las cuatro grandes crisis – crisis estructurales – que el capitalismo atravesó desde el final del siglo XIX: la crisis de la década de 1890, la crisis de 1929, la crisis de la década de 1970 y la crisis actual, iniciada en 2007/2008. Esas crisis son episodios de perturbación de una duración de cerca de una decena de años (al menos las tres primeras). Ellas ocurren con una periodicidad de cerca de 40 años y separan los órdenes sociales a los que me referí en la respuesta a la primera pregunta. La primera y la tercera de estas crisis, las de las décadas de 1890 y 1970, siguen a períodos de caída en la tasa de ganancia y pueden ser designadas como crisis de rentabilidad. Las otras dos crisis, la de 1929 y la actual, nosotros las designamos como “crisis de hegemonía financiera”. Son grandes explosiones que ocurren a partir de prácticas de las clases superiores que buscan el aumento de sus ingresos y sus poderes. Los dispositivos centrales del neoliberalismo están aquí en acción: desregulación financiera y globalización. El primer aspecto es evidente, pero la globalización fue también, como voy a indicar, un factor clave de la crisis actual.

Caída de la tasa de ganancia y explosión descontrolada de las prácticas de las clases capitalistas son dos grandes tipos de explicación de las grandes crisis en la obra de Marx. El primer tipo es bien conocido. En el Libro III del El Capital, Marx defiende la tesis de la necesidad del cambio tecnológico en el capitalismo, la dificultad de aumentar la productividad del trabajo sin realizar inversiones muy costosas, lo que Marx describe como “aumento de la composición orgánica del capital”.

Nótese que Marx refuta explícitamente que la caída de la tasa de ganancia se deba al aumento de la competencia (la segunda gran explicación para las crisis ya aparece esbozada en los escritos de Marx de la década de 1840.) En el Manifiesto del Partido Comunista, Marx describe a las clases capitalistas como aprendices de brujo, las cuales desarrollan mecanismos capitalistas sobre formas y en grados peligrosos y pierden, finalmente, el control sobre las consecuencias de sus actos. Los aspectos financieros de la crisis actual remiten directamente a los análisis del “capital ficticio”, que  Marx desarrolla largamente en el Libro II de El Capital y que ya estaban presentes de cierta forma en el propio Manifiesto. De una manera bien extraña, algunos marxistas sólo aceptan la explicación de las grandes crisis por la caída de la rentabilidad, excluyendo cualquier otra explicación.

Pero la crisis actual no es una simple crisis financiera. Es la crisis de un orden social insostenible, el neoliberalismo. Esta crisis, en el centro del sistema, debería acontecer de cualquier modo un día u otro, pero ella llegó de una manera bien particular en 2007/2008, en los Estados Unidos. Dos tipos de mecanismos convergieron. Encontramos, por un lado, la fragilidad inducida en todos los países neoliberales a raíz de las prácticas de financierización y de globalización (marcadamente financiera), motivada por la búsqueda desenfrenada de rendimientos crecientes por parte de las clases superiores y reforzada por la negativa a la regulación. El banco central de los EE.UU., en particular, perdió el control de las tasas de interés y la capacidad de conducir políticas macroeconómicas como resultado de la globalización financiera. Por otra parte, la crisis fue el efecto de la trayectoria económica estadounidense, una trayectoria de desequilibrios acumulativos, que los EE.UU. pueden mantener debido a su hegemonía internacional, contrariamente a Europa, que considerada en su conjunto, no conoce tales desequilibrios.

Desde 1980, el ritmo de acumulación de capital en los EE.UU. se desaceleró en su propio territorio a la vez que crecían las inversiones directas en el exterior. A esto es necesario sumarle: un déficit creciente de comercio exterior, un gran aumento del consumo (de parte de las sectores más favorecidos) y un endeudamiento igualmente creciente de las familias. El déficit de comercio exterior (el exceso de importaciones frente a las exportaciones) alimentaba un flujo de dólares para el resto del mundo que tenía como única utilización la compra de títulos estadounidenses, llevando al financiamiento de la economía norteamericana por parte de agentes extranjeros.

Por razones económicas que no explicaré aquí, el crecimiento de esa deuda externa debía ser compensado por aquella deuda interna, la de las familias y la del Estado, a fin de sostener la actividad en el territorio del país. Eso fue hecho alentando el endeudamiento de las familias por  medio de la política crediticia y la desregulación. El endeudamiento del gobierno podría haber substituido al endeudamiento de las familias, pero eso iba contra las prácticas neoliberales anteriores a la crisis. Los acreedores de las familias (bancos y otros) no conservaron los créditos creados, los revendieron bajo la forma de títulos (obligaciones), de los cuales, aproximadamente la mitad, fue comprada por el resto del mundo.

De tanto prestar a las familias por encima de la capacidad de éstas de saldar sus deudas, los incumplimientos se multiplicaron desde inicios de 2006. La desvalorización de esos créditos desestabilizó el frágil edificio financiero, en los EE.UU. y en el mundo, sin que el banco central de los Estados Unidos estuviese en condiciones de restablecer los equilibrios en un contexto de desregulación y de globalización que el mismo había favorecido. Ese fue el factor desencadenante, pero no el fundamental de la crisis, combinación de factores financieros (la locura neoliberal en esa esfera) y reales (la globalización, el sobre-consumo estadounidense y su déficit de comercio exterior). 


JU – Usted planteó en sus conferencias en Brasil que la crisis económica habría entrado en una segunda fase. ¿Cómo se viene desarrollando la crisis?

Gérard Duménil – El mundo ya ingresó en la segunda fase de la crisis. Es fácil comprender las razones. La primera fase alcanzó su pico en otoño de 2008, cuando cayeron las grandes instituciones financieras estadounidenses, comenzó la recesión y la crisis se propagó para el resto del mundo. Las lecciones de la crisis de 1929 fueron bien aprendidas. Los bancos centrales intervinieron masivamente para sostener las instituciones financieras (por miedo a una reiteración de la crisis bancaria de 1932) y los déficits presupuestarios de los Estados alcanzaron niveles excepcionales. Pero esas medidas keynesianas, estimulando la demanda, sólo podían lograr la sostenibilidad económica temporaria de la actividad. Los gobiernos de los países del centro todavía no tomaron conciencia del carácter estructural de la crisis. Ellos actúan como si la crisis fuese únicamente financiera y ya estuviese superada; mientras tanto, las medidas keynesianas sólo permitieron ganar tiempo. Ninguna medida antineoliberal seria fue tomada en los países del centro. Son apenas políticas que buscan reforzar la explotación de las clases populares.

En los Estados Unidos, la administración de Barack Obama elaboró una ley, la ley Dodd-Frank, para reglamentar las prácticas financieras, pero los republicanos bloquearon completamente su aplicación. En otras esferas, como gestión de empresas, exportaciones, déficit de comercio exterior, nada fue hecho. En Europa, la crisis no es identificada con la crisis del neoliberalismo. Alemania es presentada como la prueba de la solvencia del camino neoliberal. La crisis es imputada a la incapacidad de gestión de ciertos Estados, principalmente el griego y el portugués.

En todas partes, la derecha retomó la ofensiva. Ella se aferra a la cuestión de los déficits presupuestarios y la magnitud elevada de las deudas públicas. Finge no ver que la austeridad presupuestaria, además de representar una transferencia del peso de la deuda para las clases populares, no puede sino provocar la recaída en una nueva contracción de la actividad. Esta es la segunda fase de la crisis pero no la última. La nueva recaída recesiva hará necesario nuevas políticas. Contrariamente a Europa, los Estados Unidos se lanzan masivamente al financiamiento directo de la deuda pública por el banco central. Muy a pesar de la derecha, más medidas serían necesarias. Nosotros tenemos dificultades en ver como Europa podrá escapar de esto.


JU – Es sabido que la crisis económica afectó en mayor medida, por lo menos hasta ahora, a los EE.UU y Europa. En la década de los 90, por el contrario, las crisis económicas fueron más fuertes en la periferia. ¿Por qué esa diferencia? ¿Cómo la crisis actual se manifiesta en las diferentes regiones del globo?

Gérard Duménil – Hasta la segunda mitad de la década de 1990, el neoliberalismo produjo estragos en el mundo, principalmente en América Latina y en Asia. Mismo hoy, las tasas de crecimiento en América Latina permanecen inferiores a aquellas de los primeros decenios posteriores a la Segunda Guerra Mundial, y eso a pesar de la reducción masiva de los salarios reales, los cuales, en algunos países de la región, fueron reducidos a la mitad desde la crisis de 1970. En la década de 1990, y en 2001 en Argentina, el desarrollo del neoliberalismo provocó grandes crisis, de las cuales la crisis argentina es un ejemplo emblemático.

El mundo entró ahora en una fase nueva. La transición al neoliberalismo provocó una suerte de “divorcio” en los países del centro entre los intereses de las clases superiores y los del país como territorio económico. El caso de los EE.UU. es espectacular. Como decía, las grandes empresas de ese país invierten cada vez menos en su territorio y cada vez más en el resto del mundo. La globalización llevó a una deslocalización de la producción industrial para las periferias: Asia, América Latina e incluso algunos países del África Subsahariana.


JU – Las políticas propuestas por los dos grandes de la Unión Europea para superar la crisis repiten las fórmulas neoliberales. Los mercados intimidan los gobiernos; Sarkozy y Merkel exigen más y más recortes presupuestarios. ¿Por qué insisten en una política que, para muchos observadores, está en el origen de la crisis? ¿Qué resultado puede producir la aplicación de tales políticas?

Gérard Duménil – Yo de ninguna manera pienso que la falta de rigor presupuestario haya sido una de las causas de la crisis. Eso se la expresión de una creencia keynesiana ingenua, tan ingenua como la creencia en la capacidad de esas políticas para permitir la salida de la crisis sin tener en cuenta las necesarias transformaciones antineoliberales. Incluso, en este contexto, las políticas que buscan erradicar los déficit no impidieron una nueva caída en la producción.


JU – Muchos analistas han destacado que los partidos, sean de derecha o de izquierda, no se diferencian demasiado en sus propuestas para enfrentar la crisis. Además, en varios países europeos, como Inglaterra, España y Portugal, la derecha fue electoralmente favorecida por la crisis económica. ¿Los movimientos sociales podrían construir una alternativa de poder? ¿Cuál podría ser un programa popular para enfrentar la crisis actual?

Gérard Duménil – Aún no hemos hablado de los aspectos políticos del neoliberalismo. La alianza de la cúpula de las jerarquías sociales entre la clase capitalista y la de los gerentes (cuadros) logró, por diversos mecanismos, apartar a las clases populares de la política. Quiero decir: las apartó del juego de los partidos y los grupos de presión. Para las clases populares sólo quedó la lucha en la calle.

Es preciso hacer entrar en escena a los grupos sociales que se encuentran en la “periferia” de las clases de los gerentes (cuadros): los intelectuales y los políticos profesionales. En el compromiso social de pos Segunda Guerra, fracciones relativamente importantes de esos grupos eran partidarias de la alianza con las clases populares (a las cuales no pertenecían). En el contexto del colapso del movimiento obrero mundial, las clases capitalistas lograron, en el neoliberalismo, sellar una alianza con las clases de los gerentes, utilizando el recurso de la remuneración principalmente, conduciendo gradualmente esos grupos periféricos (la universidad aporta ejemplos ilustrativos sobre este fenómeno) en el emprendimiento de conquista social del neoliberalismo. La proporción de grupos sociales motivados por una alianza con las clases populares se redujo considerablemente, quedando reducida a algunos grupos de “iluminados”, grupos a los cuales yo mismo pertenezco.

El sufrimiento de las clases populares no llega al grupo de los gerentes y, en el plano político, ya no existe ningún gran partido de izquierda. En Francia, ya sabemos en lo que se convirtió el Partido Socialista, completamente ganado por la “globalización”, un término usado para ocultar el neoliberalismo. Algo semejante podríamos decir de los demócratas en los EE.UU. y dejo para ustedes juzgar la situación de Brasil al respecto.

La vida política se reduce a la alternancia entre dos partidos no equivalentes; pero el partido que se dice de izquierda es incapaz de proponer una alternativa, por no hablar de su capacidad para implementarla. El voto se reduce a aquello que nosotros en Francia llamamos “voto castigo”. La derecha sucede a la izquierda en España, por ejemplo, porque la izquierda estaba en el poder durante la crisis; la derecha no tiene, evidentemente, ninguna capacidad superior para gestionar la crisis.


JU – Muchos observadores han planteado la posibilidad de que el euro se extinga. ¿Usted cree que eso podría ocurrir? De acuerdo a su análisis, ¿cuáles serían los resultados más probables de la crisis actual?

Gérard Duménil – Es posible que algunos países salgan de la zona euro. Eso no resolverá el problema de sus deudas, la cual se tornaría impagable luego de la desvalorización de la nueva moneda sustituta del euro. El problema es el del cancelamiento de la deuda o de su adopción por el banco central. La crisis de la deuda afectó ahora los países del centro de Europa, será necesario que éstos tomen conciencia de la amplitud y de la verdadera naturaleza del problema.

Esto nos remite a las características de aquello que llamamos la “tercera fase de la crisis”. ¿Cuáles políticas serán adoptadas frente a la nueva recesión? ¿Cómo será digerida la crisis en Italia y luego en Francia? ¿Cómo Alemania responderá a la presión de los “mercados” (las instituciones financieras internacionales)? Una cosa sabemos: esas deudas no deben ser pagadas, lo que exige su transferencia fuera de los bancos o una fuerte intervención en su gestión.

Ahora, ¿el punto fundamental es la voluntad de los gobiernos de los países más poderosos de Europa, principalmente Alemania, de reforzar la integración europea (en vez de acabar con la zona euro), que se opone a la voluntad de “desglobalización” de algunos? Ese debate oculta la cuestión central: ¿Cuál Europa? ¿Una Europa de las clases superiores o la de un nuevo compromiso de izquierda?


Fuente: http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/dezembro2011/ju516_pag67.php#

Gérard Duménil, economista marxista francés y miembro de ATTAC, es autor de varios libros y ensayos sobre el capitalismo contemporáneo. Esta año publicó, en colaboración con Dominique Lévy, el libro The crisis of neoliberalism (Harvard University Press, 2011).

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Como previu Marx, é uma crise de superacumulação

Europe, crise, clivages, alternatives, enjeux stratégiques [1]

mercredi 3 mars 2010, par Elisabeth Gauthier

1. La crise : quel constat ?

Nous avons affaire à une « double crise […] à deux crises simultanées – crise financière et crise de l’économie réelle. Bien évidemment, les deux se renforcent mutuellement, mais vouloir interpréter la récession de l’économie réelle uniquement comme conséquence de la crise financière et s’attendre que le dépassement de la crise financière conduirait à en finir avec la crise de l’économie réelle, cette option méconnaît la constellation des problèmes [...] La crise financière, provoquée par une expansion démesurée du crédit privé et public, a révélé de fait une crise de suraccumulation ayant émergé durant de longues années  »[2]. 2 900 milliards de dollars d’argent public ont été dépensés dans le monde pour relancer les économies. La dette moyenne des pays du G20 devait passer de 99 % du PIB en 2009 à 107 % en 2010 et 118 % en 2014[3]. Plus de 4 000 milliards de dollars de valeurs ont été détruits, mais sans que l’on ne puisse considérer que nous sommes en phase de sortie de crise ou que le système financier ne soit véritablement re-proportionné après la phase de suraccumulation.
Après la crise de Dubaï et de l’Islande, le marché a pris conscience de la possibilité d’un défaut d’État. Ceux qui ont été sauvés grâce aux moyens publics s’attaquent aujourd’hui aux pompiers, en pariant sur le krach d’économies nationales, voire de l’euro, pour tirer des bénéfices spéculatifs en fonction de la gravité du krach.
« On arrive à la limite des politiques de relance keynésiennes par les déficits publics »[4]. Henri Sterdyniak (France, OFCE) considère que « la situation est ingérable. Un plan de rigueur fondé sur des hausses d’impôts et des réductions de dépenses représentant 1 % du PIB, c’est 1 point de croissance en moins »[5]. En même temps, le FMI a mis en garde les États contre un arrêt trop rapide des stimuli. En effet, un remboursement de la dette trop rapide, une politique d’austérité contribueraient, en ralentissant la croissance, à créer un risque de récession et à diminuer les recettes fiscales. Déjà à l’étape actuelle, les amortisseurs sociaux classiques ne suffisent plus pour faire face aux conséquences sociales de la crise.
Dans un tel contexte, l’attitude des principaux responsables de l’UE refusant tout changement d’orientation, et préférant laisser des pays s’enfoncer dans la crise et prendre le risque de l’éclatement de la zone euro est totalement irresponsable[6], renforcera les phénomènes de crise et risque de conduire au développement d’attitudes nationalistes.
Concernant les politiques des gouvernements en 2008/2009, celles-ci ne peuvent pas être considérées comme keynésiennes. Dans l’optique de market state, elles ont mobilisé massivement des fonds publics mais sans toucher à la répartition des richesses entre travail et capital, entre les intérêts privés et l’intérêt commun. La Gauche doit insister sur le fait que les critères de développement économique, social et écologique ainsi que de stabilité dans le monde exigent le développement des marchés intérieurs, non sur la base de l’endettement privé ou public, mais sur la base d’une répartition nettement plus juste de la valeur ajoutée, en faveur du travail et de l’intérêt commun. L’UE et les États n’ont cessé de déplacer le curseur dans un sens toujours plus favorable aux actionnaires[7] et à leur transformation en « investisseurs » sans lien durable avec l’entreprise. De ce fait, ils ne peuvent plus se contenter de rester spectateurs tout en fournissant des aides publiques au privé ; ils doivent intervenir en faveur d’un autre partage de la valeur ajoutée (VA) et d’un autre pilotage de la gestion des entreprises.

2. L’impasse de l’UE

La crise actuelle de l’euro et de l’UE – un des centres de la crise – n’est pas seulement la conséquence de l’effondrement financier mondial. Elle révèle au grand jour l’échec de l’euro et les graves défauts de la construction européenne tels qu’ils ont été rejetés par la majorité des votants lors des référendums en France et aux Pays-Bas en 2005 et en Irlande. Ni l’UE ni les gouvernements respectifs n’ont respecté les décisions des peuples ; ils ont, au contraire, continué de mettre en œuvre les mêmes orientations.
La nature même de l’intégration européenne s’avère un facteur de crise. La crise a eu des conséquences particulièrement lourdes en Europe. L’euro et les orientations de l’UE ne sont pas conçus pour impulser une véritable coopération en faveur des populations, une nouvelle politique industrielle ou agricole, de recherche publique, de développement de services publics et d’infrastructures, en faveur d’un nouveau mode de développement. Les traités favorisent le dumping fiscal et social, et cherchent à orienter les flux d’argent vers les marchés. L’ensemble du dispositif favorise la mise en concurrence des salariés et des territoires, en faveur des grands groupes, des marchés financiers et des économies les plus compétitives des pays les plus puissants. En réalité, le pacte de stabilité – violé en permanence par les pays – a volé en éclats.
Selon le dogme prévalant en UE, l’intégration devait se réaliser sans heurts dès lors que capital et travail pouvaient circuler librement entre les anciennes « économies nationales ». En réalité, ce sont de nouvelles réalités de pouvoirs et d’échanges qui s’établissent[8]. « L’union monétaire a échoué, du moins dans cette forme que l’Allemagne a elle-même imposé avec tout son pouvoir. L’objectif allemand, de conférer à l’euro – à travers le pacte de stabilité et la Banque centrale indépendante – la force du D-Mark et d’exclure tout transfert de paiements à des pays plus faibles et de s’assurer de la possibilité si importante d’exportation dans les autres pays européens, ne s’est pas réalisée, et ne se réalise pas dans la crise.[9] » Selon Heiner Flassbeck, économiste en chef de l’UNCTAD, la Grèce aurait perdu ses ressources, en raison de la spirale descendante de son économie avec la mise en concurrence et le dumping salarial allemand. La vision allemande à court terme finirait par menacer l’élite et le patronat allemands de perdre ses marchés pour l’exportation[10]. De nouvelles politiques de compensations, d’intégration progressive seraient nécessaires, dès lors que l’on souhaite qu’un territoire moins développé puisse acheter des productions des pays leader… Le transfert de gouvernance du centre – privatisation et austérité – vers la périphérie renforce à l’échelle européenne les puissances les plus importantes de la même façon que face aux classes dominées à l’intérieur de chaque pays[11].
Alors que les contradictions se développent entre le centre – les pays les plus puissants en Europe – et les périphéries, c’est également au sein de chaque pays que s’accentuent les inégalités, les problèmes d’emploi et sociaux, les atteintes à la démocratie et les conflits. Ainsi, dans le pays le plus puissant de la zone euro, la pression exercée par le patronat et le gouvernement sur les salaires a été particulièrement forte et efficace. C’est à l’intérieur de chaque pays et au sein de l’UE que la recherche de gains de compétitivité a produit les ravages économiques, sociaux et politiques qui s’accentuent aujourd’hui avec la crise.
Le débat autour d’une « nouvelle gouvernance » bat son plein. Sarkozy et Merkel veulent s’en servir comme d’un pouvoir accru des plus puissants, sans modifier les orientations dont l’échec ne peut pourtant plus être masqué. Aucune réorientation n’est envisagée par les principales puissances en Europe. Les timides tentatives européennes visant à superviser et à réguler la finance ne sont pas suffisantes et ne répondent qu’à des enjeux très partiels[12]. La proposition d’une nouvelle taxe paneuropéenne sur des transactions financières est fort utile, mais devrait être articulée à une offensive multidimensionnelle face aux pouvoirs des marchés dans la sphère de la circulation et de la production.
Il s’agit, d’un point de vue de gauche, de rechercher comment les exigences exprimées par les peuples devraient se traduire par des objectifs et méthodes alternatifs, par une nouvelle coordination politique à l’échelle de l’UE. Une unité monétaire sans avoir des fiscalités convergentes, des politiques industrielles et de recherche communes, des choix budgétaires compatibles, des services publics travaillant en coopération, des niveaux de salaire et de protection sociale s’harmonisant vers le haut ne peut que conduire à la loi des marchés et au recul social. La gauche pourrait dire oui à une coopération renforcée dès lors qu’il s’agit de construire à partir d’objectifs alternatifs.

3. La Grèce, les « PIIGS », les pays baltes, les pays de l’Est…

La Grèce fait partie dans l’Europe d’aujourd’hui de la partie visible d’un iceberg. C’est un des pays étouffés par l’euro cher et pour lesquels la politique de la BCE est néfaste.
« Un regard sur la carte de l’Europe montre que la crise a des dimensions différentes. En Irlande, en Grande-Bretagne et en Espagne principalement, l’éclatement de la bulle spéculative dans l’immobilier a conduit à des destructions massives de capital […] En Hongrie, Estonie et Lettonie, la crise économique s’est depuis longtemps élargie en une crise politique ou crise d’État […] En Tchéquie, le gouvernement n’a même pas pu accomplir correctement la présidence tournante du Conseil européen […] les pays scandinaves […] le Danemark, la Suède – tout comme la Finlande – ont nettement ressenti la récession […] L’Allemagne[13], d’un côté à cause et de l’autre en dépit de sa supériorité économique et de son rôle dominant, est au centre de la crise […] L’Allemagne pratique avec succès une politique “je ruine mon voisin” à l’égard des autres pays de la zone euro en écrémant leur demande et en exportant son chômage […] La réalité de la crise montre que, à plusieurs égards, l’Europe est un continent qui clive de plus en plus. Le fossé se creuse entre le Nord et le Sud, ce qui tient d’abord à la position concurrentielle dominante du capital allemand vis-à-vis du “capitalisme méditerranéen”. Et qui se nourrit ensuite d’un endettement et de capacités d’emprunt différenciées […] Les pays membres se développent de façon divergente quant à leur compétitivité.[14] » À l’heure actuelle, les inquiétudes s’accumulent quant à l’Italie et à l’Espagne (le rentrées fiscales y sont en chute libre), deux pays où l’économie informelle représente une part importante et non maîtrisée du PIB.
Pourquoi s’attaque-t-on aujourd’hui à la Grèce ? Pour statuer un exemple ! Le taux de la totalité des dettes se situe derrière l’Italie et à proximité de la Belgique. Quant aux nouveaux emprunts, la Grèce se situe derrière l’Irlande et l’Espagne et à un niveau comparable avec la Grande-Bretagne. Au total, ce sont 20 pays qui ont fait l’objet de procédures contre les déficits ; ce qui démontre l’inégalité des pouvoirs au sein de l’UE. L’Irlande – contribuant à la hauteur de 1 % au PIB européen – a reçu 15 % des moyens de la BCE. À travers la Grèce, l’UE a choisi de statuer un exemple et de tester à cette occasion l’ensemble des instruments disponibles pour la surveillance des politiques économiques et budgétaires qui seront pour la première fois mises en œuvre simultanément. Les recommandations de la commission constituent un catalogue des horreurs du néolibéralisme et reprennent sans réserve les recettes qui ont si visiblement échoué et qui ne peuvent qu’aggraver la situation dans les pays où celles-ci seraient appliquées. La manière centralisatrice, rigoureuse et exerçant un maximum de pressions qu’utilise l’exécutif de l’UE serait inenvisageable, par exemple, au sein d’un État fédéral comme l’Allemagne[15].
Le manque de coordination, de mesures en faveur de l’harmonisation et de la réduction des inégalités laisse les économies plus faibles sans moyens de réagir dans le cadre de la monnaie unique. Les pays concernés sont ainsi poussés à régler ou par l’endettement ou par l’austérité les différends. Si on peut reprocher trop de légèreté, trop de dépenses d’armement (en complicité avec les puissances exportatrices d’armes), trop de politique néolibérale aux gouvernements grecs, on doit reprocher aux plus grandes puissances européennes leur égoïsme nuisible pour toute la région. L’aggravation de la crise en Grèce aura également des effets désastreux dans les Balkans où les capitaux des banques grecques sont très présents et où l’on estime le nombre d’entreprises grecques à avoir investi à près de 8000[16].   Suite à la hausse des écarts du coût de l’argent et plus récemment à l’envolée de la spéculation, les investisseurs exigent de la Grèce des taux d’intérêt entre 5 et 7 %, soit 2,5 à 4 % de plus que les taux consentis à l’Allemagne. Les spéculateurs bénéficient de prêts à 1 % – voire moins – auprès de la BCE et exigent 7 % de l’État grec. Actuellement, les taux exigés par les marchés coûtent 0,5 % de PIB à la Grèce en année pleine[17]. Il faut rompre de toute urgence avec des interventions des États qui prennent en charge tous les risques et accentuent la paupérisation des sociétés, alors que les banques utilisent ces filets de sécurité pour développer encore leur prise de risque Quant aux États en difficulté, il convient de les refinancer de toute urgence au moyen de taux se situant nettement en dessous du marché.
L’UE – le Président de l’Euro-groupe Jean-Claude Juncker et les 16 ministres des Finances de la zone euro – a décidé de superviser le « redressement grec » et réclame à travers des « recommandations » un ensemble de mesures structurelles concernant les salaires, le marché du travail, les retraites, la santé, l’éducation, l’administration publique, l’énergie, le transport, le commerce de détail – bref, une sorte de stratégie de Lisbonne accélérée (!) ainsi que, si nécessaire, des mesures additionnelles telles que la hausse de la TVA, des taxes sur l’énergie, des prélèvements sur des produits de luxe et les autos. La France considère que l’effort demandé est d’ores et déjà considérable ; l’Allemagne voudrait encore le durcir. La BCE se situerait comme à son habitude parmi les ultralibéraux en exigeant que le déficit soit réduit en 2010 de 5,25 % du PIB (les États et l’UE demandent 4 %)[18].
Un véritable bras de fer entre les intérêts des peuples et la logique des puissances européennes débute maintenant. C’est au nom de « l’Europe pour les peuples » et d’une « autre Europe pour un autre monde », c’est dans l’intérêt de tous les peuples européens, qu’il faut trouver des solutions alternatives pour l’ensemble des pays les plus en difficultés – dont la Grèce – permettant d’en sortir. Il s’agit aujourd’hui d’établir un bouclier face aux projets qui auraient comme effet de piétiner les droits sociaux, l’emploi, le secteur public, la protection sociale. Sans installer une mise sous tutelle. Sans que ce pays puisse être utilisé comme une brèche pour amplifier l’austérité à travers l’Europe.

4. Quelle réponse politique pour la Grèce, les PIGS et l’Europe ?

Les peuples ou les marchés ? Il faut choisir. Sortir de la crise suppose un changement radical de politique. Il n’y a pas de voie de sortie de la crise sans recherche de transition vers un autre type d’économie et de politique, ce qui suppose un travail acharné en faveur de véritables alternatives et de la mobilisation idéologique et politique. Chaque revendication importante se heurte aujourd’hui à la logique du système capitaliste en crise aiguë. La logique du capitalisme financiarisé de plus en plus excessive et agressive peut conduire à des menaces sérieuses sur la démocratie et la paix.
C’est à partir de la logique du capitalisme financiarisé, de son mode d’accumulation, que se sont succédé la crise financière, la crise de l’économie réelle, la crise de la dette publique, la crise sociale et la crise fiscale en plein développement. S’y rajoutent des crises dues à la spéculation sur l’alimentation, l’énergie, des brevets, etc., ainsi qu’un certain nombre de conflits armés.
Les logiques à l’œuvre – financiarisation, spéculation, privatisation, marchandisation, surexploitation, appauvrissement des sociétés… – constituent des obstacles majeurs pour mettre en place les politiques nécessaires afin de résoudre la crise écologique. « Se pose également la question de fond, à savoir si la poursuite d’une accumulation poussée par la finance ne se heurte pas maintenant à des limites indépassables.[19] »
À l’échelle de l’Europe et au sein de nos pays, il s’agit de lutter en faveur de véritables ruptures politiques ainsi que des mesures d’urgence inspirées, elles aussi, d’une logique alternative.
Les gouvernements – hautement responsables pour l’avènement de la crise – doivent être amenés à rompre avec la logique : « la dette pour les États, la ceinture pour les peuples, le casino pour la finance »[20]. Au lieu de consulter des « experts » liés aux marchés, ils doivent faire fonctionner la démocratie en prenant des mesures et en engageant des réformes en faveur de la démocratie sociale et économique.
4.1. Stopper les incendiaires, s’opposer à l’installation du chaos, de la guerre monétaire ou spéculative.
 La finance doit être démocratisée, réorientée, redimensionnée de façon responsable. C’est aussi une condition pour débloquer le crédit.
 L’UE doit décider certaines formes de contrôle du mouvement des capitaux, des taxations des transactions financières. Les paradis fiscaux doivent être fermés. Le secret bancaire est à revoir. Une agence publique européenne de notation doit être installée. Des protections doivent être mises en place contre la fraude et l’évasion fiscales.
 Les banques doivent être amenées – par un effort convergent des gouvernements et de l’UE – à changer immédiatement d’orientation, à stopper l’utilisation de l’épargne pour des opérations de spéculation, et à réorienter les crédits vers le financement des activités utiles et de la création d’emplois et d’infrastructures. La séparation des banques de dépôts et des banques d’affaires ainsi que la constitution de pôles publics bancaires, voire la reconduction de certains établissements dans le giron public, doivent être organisées.
 Toutes les politiques doivent viser à stopper la crise de suraccumulation, à intervenir de façon massive en faveur d’une répartition plus juste de la valeur ajoutée en faveur du travail et de l’intérêt public, et à s’affranchir des pouvoirs des marchés et à stopper les privatisations. Les politiques des États européens et de l’UE doivent converger dans ce sens.
4.2. Au niveau international, l’UE doit contrer l’agressivité des États-Unis, agir en faveur de la stabilisation de l’économie réelle ; de l’utilisation des droits de tirage spéciaux (DTS) comme monnaie de réserve ; du remplacement du G20 par un Conseil économique global sous l’égide de l’ONU ; du développement de mécanismes en faveur de l’égalité dans les échanges ; de la soustraction de biens communs hors des circuits de la spéculation ; d’accords multilatéraux et bilatéraux à l’opposé de la mise en concurrence des peuples, des salariés et des territoires ; de politiques ambitieuses et partagées pour résoudre la crise écologique. L’UE doit contribuer à libérer les matières premières de leur transformation en « produits financiers »[21]. Dans les institutions internationales, la voix de l’UE a du poids ; elle doit se faire entendre en faveur d’un monde solidaire, ce qui suppose un changement radical d’orientation.
4.3. Il faut rompre avec les dogmes de l’Europe libérale que continuent de défendre bec et ongles Juncker, Trichet et Gonzales.
 Le pacte de stabilité conçu pour rationner les dépenses sociales doit être abandonné. Les peuples européens ont besoin d’un pacte de coopération en faveur d’un développement social, écologique et de solidarité. C’est sur une telle base que la coopération des gouvernements – une « gouvernance démocratique » – doit s’engager. C’est le développement durable qui constituerait le meilleur moteur de l’intégration européenne. Un programme de conversion écologique doit être mis en place notamment dans les domaines de l’énergie, des transports et du logement. Le budget européen doit être augmenté de façon significative et permettre des actions positives de l’UE. Dumping fiscal, social et écologique doivent être bannis.
 Le modèle social européen doit être renouvelé, réinventé. Une rupture radicale avec la stratégie de Lisbonne est urgente. La flexicurité doit être abandonnée, la précarisation combattue, le travail revalorisé et un revenu de base garanti. La réduction du temps de travail est à relancer. La période d’indemnisation du chômage doit être rallongée en période de crise dans tous les pays. La pauvreté – notamment chez les jeunes, les retraités, les femmes et les familles monoparentales – doit être éradiquée ; le logement doit être un droit garanti.
 La privatisation de pans entiers des retraites – impulsée par la stratégie de Lisbonne et particulièrement avancée dans les pays de l’Est – conduit à des menaces lourdes en raison des pertes dans le cadre de la crise financière. Selon les chiffres de l’OCDE, la crise économique et financière a réduit la valeur des actifs accumulés pour le financement des retraites d’environ 20 à 25 % en moyenne. En Europe, ce sont la Belgique, les Pays-Bas suivis par le Royaume-Uni qui sont les plus touchés. Par ailleurs, l’accroissement du chômage et l’incapacité de nombre d’entreprises à financer leurs fonds de pension assèchent les ressources. Stopper la privatisation des retraites comme un des moteurs de la financiarisation de l’économie est un des enjeux majeurs[22].
4.4. Se « serrer la ceinture » n’est pas la réponse. C’est autrement qu’il faudra réduire la dette publique. Toute mesure d’étranglement de l’économie réelle est irresponsable.
 Refuser un resserrement rapide budgétaire qui entraînerait un risque massif de faire basculer dans la récession.
 Des moratoires doivent être décidés pour stopper la progression de l’endettement public, pour réduire la pression sur les États, pour gagner du temps – nécessaire pour établir des instruments en faveur de la transparence (commission d’enquête, etc.), pour mettre en place de nouvelles politiques et des méthodes démocratiques. Il s’agit de moratoires qui n’augmentent pas le remboursement de la dette et ne conduisent pas les États à s’en remettre aux banques via des produits sophistiqués. Un traitement sélectif des dettes doit être également envisagé.
 Des moyens nouveaux (new deal) doivent être mobilisés – en contournant les marchés – afin de faire face aux besoins de dépenses publiques, pour contrer la crise et en sortir.
 Les marchés doivent être court-circuités via la BCE. Les intérêts de la dette publique doivent être radicalement abaissés. Il est inacceptable que les banques qui prêtent à la Grèce à un taux de 5 %, 7 %, empruntent elles-mêmes à la BCE à 1 %. La BCE doit être dotée de la possibilité d’acheter des titres de dette publique dès lors que ces prêts sont utiles à un nouveau type de développement, à l’emploi et à la politique industrielle et de recherche, à la relance des services publics et de la protection sociale. Ce type de création monétaire en faveur de la création de richesses et du développement de la société permettrait d’augmenter les ressources de la puissance publique.
 La mission et la direction de la BCE ainsi que l’orientation du crédit doivent être modifiées en faveur d’objectifs de développement, en abandonnant le carcan de la politique monétariste, en modulant les conditions d’accès en fonction des contenus des projets, en rendant impossible la contribution du crédit à la spéculation et les emprunts à découvert. L’architecture de l’UE donnant l’indépendance à la BCE montre ici aussi sa nocivité. La BCE doit être démocratiquement contrôlée.
4.5. La redistribution et la démocratie économique comme principes des réformes antilibérales.
 Face aux causes et aux conséquences de la crise, des politiques énergiques de redistribution des richesses doivent se mettre en place, en visant une harmonisation progressive au sein de l’UE. Les recettes de la puissance publique doivent être augmentées via une « fiscalité confiscatoire » visant durablement les actionnaires, banques et investisseurs. Un meilleur partage de la valeur ajoutée est indispensable pour combattre le développement de la crise. Les revenus du travail doivent être revalorisés pour l’ensemble des salariés (y compris précaires…) par rapport à ceux du capital. Une partie plus importante des profits doit être investie en faveur du développement humain et écologique. L’économie solidaire doit être favorisée ainsi que les droits et pouvoirs des salariés.
 Suspension de la directive et de sa transposition dans les pays de l’UE « sur les droits des actionnaires » et mesures pour contrer la volatilité des investissements, pour pérenniser la relation entre investissements et entreprise, pour détacher le management de la logique actionnariale, pour renforcer « l’intérêt social de l’entreprise » et l’exigence du développement de l’économie réelle face aux intérêts des actionnaires, investisseurs et marchés.
 L’usage de l’argent public doit être démocratiquement contrôlé. La mobilisation de fonds publics notamment en faveur de grands groupes doit être basée sur des principes démocratiques (leur utilisation doit générer des pouvoirs nouveaux pour les pouvoirs publics et salariés), sociaux (des critères de création ou de défense d’emplois de qualité correctement rémunérés…), écologiques (en faveur d’un nouveau type de développement). Les moyens d’action des collectivités territoriales ne doivent pas être restreints mais améliorés.
 Chaque engagement d’argent public doit aider à développer la démocratie économique et ouvrir sur un changement de pouvoir, de propriété, d’orientation s’accompagnant de nouveaux pouvoirs pour les salariés et les citoyens.
 Concernant le système bancaire, l’installation de pôles bancaires publics soumis au contrôle de l’État et de la société est plus que jamais indispensable pour que le crédit agisse en faveur de l’intérêt général.

5. Quelles perspectives de changements politiques, quelles alliances ?

Ce qui doit être à l’ordre du jour pour la gauche, c’est la mobilisation des peuples contre les actionnaires, banques, marchés et en faveur d’alternatives démocratiques, de véritables ruptures avec les logiques du capitalisme financiarisé. La bataille idéologique, le pouvoir interprétation constituent des enjeux décisifs, ainsi que la capacité d’articuler des objectifs immédiats et la mise en perspective d’une transition vers un nouveau mode de développement économique, social, écologique, démocratique, vers un nouveau type d’économie solidaire et de choix politiques alternatifs.
Ces derniers jours montrent une combativité populaire considérable dans nombre de pays européens. Il faudrait réussir à modifier profondément et durablement les rapports de force, obtenir que d’importantes forces politiques et des gouvernements soient amenés à traduire en choix politiques concrets les exigences de ceux qui résistent et luttent.
Les défis pour les forces de gauche consistent à travailler à des contre-hégémonies, à aider notamment les milieux populaires, les catégories les plus touchées et menacées par la crise et par les plans d’austérité, à gagner un pouvoir d’interprétation des réalités qui leur permette de s’approprier les enjeux actuels, d’intervenir comme acteurs, de gagner en capacité d’action solidaire, de réaliser que des changements très profonds touchant aux pouvoirs et à la propriété ne peuvent plus être différés. Contrer la crise de passivité, favoriser une prise de conscience suppose de mener une bataille idéologique de tous les instants, et de savoir articuler le sens des résistances et des luttes avec la nécessité de changer de pouvoirs et de politique, dans chaque État, au niveau de l’UE et des institutions internationales. La question de la représentation politique dont les forces de résistance et de luttes ont besoin doit être posée publiquement et en grand ainsi que la nature des relations entre les mouvements dans leur diversité et les forces et pouvoirs politiques. Les luttes de classe continuent de se développer dans le cadre national mais, dans la confrontation de classe qui s’accentue également à l’échelle européenne, la coopération entre les mouvements, syndicats, forces de gauche doit être considérablement intensifiée.
Les politiques concrètes que proposent les forces de gauche doivent viser la constitution d’un bloc social, sur la base d’intérêts immédiats communs, par exemple :
 Ceux qui n’ont que leurs salaire, retraite ou maigres allocations pour vivre
 Ceux qui travaillent dans le privé
 Ceux qui travaillent dans le public ou sont en charge des institutions publiques et des collectivités territoriales
 Ceux qu’on qualifie de « couches moyennes » et dont la crainte du déclassement ne cesse de croître
 Ceux dont les activités en tant que dirigeants de PME, de commerçants ou de professions libérales dépendent pour un large part de l’accès au crédit
 Ceux qui travaillent la terre et se voient étranglés par les groupes et les banques
 Ceux qui considèrent nécessaires la défense et le développement de la démocratie et de la culture.
La constitution de « fronts » – certes de façon variable selon les conditions sociales et politiques de chaque pays – semble une piste féconde, dans la mesure où de telles constructions ouvertes facilitent la coopération entre des acteurs de différente nature (organisations politiques, mouvements, représentants syndicaux, composantes de la société civile, intellectuels, réseaux…) et par conséquent une dynamique sociale et politique. « La crise systémique nous oblige à penser les questions sociales et politiques de manière décloisonnée, de manière transversale et globale »[23].
Nous ne devons pas perdre de vue que la crise en Europe n’est pas l’heure de la gauche, mais celle de l’abstention, de la sanction de la gauche, voire de la droite et parfois de son extrême. Dans un contexte où les citoyens « ont du mal à comprendre pourquoi ils devraient sauver les États qui agissent et travaillent pour les marchés tout en démontant le modèle social, la bourgeoisie intelligente joue une sorte de musique bonapartiste : tout le monde passe à la caisse, impôt de crise, mais aussi taxe sur les dividendes.[24] » Parfois, ce sont des tendances de droite populiste voire extrême qui amplifient leur influence. Des tendances nationalistes peuvent également trouver un terrain favorable, d’autant plus que les clivages s’accentuent en Europe entre Est et Ouest, Nord et Sud. « La crise financière, tout comme la manière de la résoudre vont certainement alimenter l’instabilité géopolitique t accroître les tensions entre libre-échangistes et protectionnistes. La logique du sauve-qui-peut va prendre de l’ampleur »[25].
Certains milieux chrétiens-démocrates, mais aussi les écologistes et sociaux-démocrates, penchent vers des réponses du type : le coût de la crise est à répartir entre tous. Dégager un horizon dans la clarté suppose une confrontation idéologique avec les différentes composantes du champ de gauche. Il faut développer une argumentation puissante qui permette d’appuyer le refus que les classes subalternes paient les frais, ou acceptent des sacrifices comme allonger le temps de travail. S’il s’agit de sauver les États, il convient d’impulser des mouvements en faveur d’une « fiscalité confiscatoire »[26] (voir 4.5) en s’appuyant sur la prise de conscience quant à l’accumulation inédite de richesses à un pôle de la société.
À défaut de pouvoir présenter une approche de gauche crédible, le risque est grand que l’espoir et le discours de changement deviennent récupérables par des forces de droite, populistes, parfois extrêmes. L’impuissance des dominés risque de s’étendre, même si des luttes parfois significatives peuvent laisser croire le contraire. La bataille de l’interprétation des causes et des conséquences de la crise constitue pour la gauche un défi considérable, d’autant que tout indique que de nouvelles bourrasques vont secouer l’Europe.
Les expériences lors des référendums en France, aux Pays-Bas et en Irlande ont montré que lorsque certaines conditions sont réunies, les citoyens sont en mesure de s’approprier des enjeux d’une grande complexité. Dans la crise actuelle, les forces de gauche ont à rechercher les moyens les plus efficaces afin que les citoyens puissent se réapproprier la politique, et repérer les choix de société qui sont en jeu dans les confrontations actuelles.
Notes
(*) Directrice d`Espaces Marx, France et Membre du Managing board de Transform !Europe. elgauthi@internatif.org
[1] Ce texte a bénéficié d’un séminaire de Transform ! sur la crise, à Vienne en janvier 2010, ainsi que d`une discussion au sein du Managing Board de Transform ! Europe et en particulier des remarques de Walter Baier, Stephen Bouquin, Patrice Cohen-Seat, Haris Golemis, Véronique Sandoval qui se reconnaîtront et que je remercie. Il a été présenté lors d’une rencontre organisée par Synaspismos et la Parti de la Gauche européenne à Athènes le 27 février 2010. Concernant les alternatives, voir aussi European Left Party, Plate-forme pour les élections au Parlement européen 2009 ; Euro-Mémorandum 2009/2010, http://www.memo-europe.uni-bremen.de/euromemo et les éditions en anglais, français, grec et allemand réalisées avec le concours de Transform ! Europe http://www.transform-network.org/ ; Jürgen Klute, « Was tun in der Krise ? », Supplément 1/2010 Zeitschrift Sozialismus ; Dominique Crozat, « La démocratie économique, une alternative à la crise. » Compte rendu d’un colloque à Paris en juin 2009. Transform ! N° 05.
[2] Joachim Bischoff, « Eine neue Phase de grossen Krise ». Dans Sozialismus 3/2010.
[3] Selon le FMI, Le Monde 17/2/2010.
[4] Sylvain Boyer, économiste chez Natixis ; Le Monde 17/2/2010.
[5] Le Monde 17/2/2010.
[6] Jean-Claude Trichet, Président de la BCE : « Nous n’allons pas changer les règles […] pour aider un pays en particulier […] C’est clair comme du cristal ». Jean-Claude Juncker, Président de l’Eurogroupe : Ce pays « ne peut compter sur une quelconque espèce de générosité de la part des membres de l’Eurogroupe ». Felipe Gonzales, Président du groupe des sages pour réfléchir à l’avenir de l’Europe : Ceux qui ne sont pas satisfaits des traités européens « n’ont qu’à quitter l’Union. » Cité par Francis Wurtz, Humanité Dimanche 18/2/2010.
[7] Pierre Todorov (Avocat à la cour, cabinet Lovells LLP), Il est temps de rompre avec les excès de l’idéologie actionnariale. Le Monde 11/2/2010.
[8] Roland Kulke, « Schweine, Alkoholiker und die Konstruktionsfehler der Eurozone. » http://blog.rosalux-europa.info/de
[9] Jens Münchrath, Handelsblatt 22/2/201, cité par Roland Kulke.
[10] Cité par Roland Kulke.
[11] Roland Kulke.
[12] Regroupement des trois comités techniques – chargés de contrôler les groupes bancaires, les compagnies d’assurances et les marchés dont les activités dépassent le cadre national – et renforcement de leurs pouvoirs ; création d’un Comité Européen du risque systémique (CERS) responsable de l’analyse macroéconomique ; proposition d’un comité scientifique d’excellence pluridisciplinaire ; meilleure coopération entre les instances de supervision nationale ; création d’une commission spéciale au Parlement européen chargée de réfléchir aux conséquences de la crise ; proposition d’une directive encadrant la gestion des fonds alternatifs ; réglementation des produits dérivés ; installation d’exigences de fonds propres des banques… (Voir Sylvie Goulard MEP / Libéraux ALDE, Modem, France, dans Le Monde 23/2/2010).
[13] L’économie allemande a régressé de 5 % en 2009.
[14] Joachim Bischoff, Richard Detje, « L’Europe dans la crise – sur le chemin des clivages. », Transform ! 05/2009.
[15] Voir une description précise des enjeux et procédés par Andreas Fishan, « Stabilitätskriterien und die öffentliche Hinrichtung Griechenlands ». Dans Sozialismus 3/2010.
[16] Haris Golemis, Elena Papdopoulou, « Les banques grecques dans les Balkans. » Dans Transform ! 05/2009.
[17] Laurence Boone, chef économiste chez Barkley’s capital ; Libération 17/2/2010.
[18] Selon Le Monde 17/2/2010.
[19] Joachim Bischoff, « Eine neue Phase der grossen Krise. » Dans Sozialismus 3/2010.
[20] Jacques Rigaudiat, À Gauche, 18/12/09.
[21] Elie Cohen : 95 % des matières premières sont transformés en « produits financiers » ; en 6 ans – de 2003 à mi-2008 –, les masses investies dans la spéculation dans ces domaines sont passées de 13 à 320 milliards de dollars.
[22] Richard Detje, « Les effets de la crise financière sur les fonds de retraite européens. » Une étude, publiée dans Transform ! 05/2009.
[23] Stephen Bouquin, « L’âge des extrêmes ne fait que commencer. », Transform ! 05/2009.
[24] Stephen Bouquin, commentaire écrit.
[25] Stephen Bouquin, « L’âge des extrêmes ne fait que commencer. », Transform ! 05/2009.
[26] Joachim Bischoff, Rencontre des économistes de l’Euro-Mémorandum, Berlin 20/2/2010.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O enigma do capital e as crises do capitalismo

O enigma do capital e as crises do capitalismo

19/12/2011 11:13,  Por Vermelho
No preâmbulo do livro O enigma do capital e as crises do capitalismo, lançado recentemente pela Boitempo, o geógrafo marxista inglês David Harvey observa que o fluxo de capitais, tema central da obra, é tão vital para o sistema capitalista quanto a circulação do sangue para o corpo humano.
Por Umberto Martins

Este fluxo corresponde ao que Marx identificava como circulação do capital. Compreende o processo de valorização e reprodução do capital em escala ampliada (ou a uma “taxa composta”, como prefere o autor) e não pode sofrer solução de continuidade, sob pena de crise. “A continuidade do fluxo deve ser mantida em todos os tempos”, sublinha Harvey. “Se interrompemos, retardamos ou, pior, suspendemos o fluxo, deparamo-nos com uma crise do capitalismo em que o cotidiano não pode mais continuar no estilo a que estamos acostumados”.
A abundância que gera escassez
Desta forma, uma característica central das crises do sistema, incluindo a atual, é a interrupção do processo de valorização do capital, fato que se verifica na esfera produtiva com a depressão do comércio e queda das vendas e no ramo financeiro através da contração do crédito. As crises típicas do modo de produção capitalista são, por consequência, crises de realização, que decorrem da superprodução de capital.
Diferentemente do que ocorria nos modos de produção anteriores, como o feudalismo ou o escravismo, as crises que caracterizam o capitalismo, com manifestações cíclicas ao longo da história desde o início do século 19, são provocadas pela abundância e não pela escassez. A produção não é interrompida pela carência de capital, meios de produção e força de trabalho, mas pelo excesso desses fatores, pelo crescimento exagerado das forças produtivas em relação às relações sociais de produção. É a abundância de capital que origina a escassez de emprego e a carência de demanda. Parece paradoxal, mas é real.
A irracionalidade do sistema
“Em tempos de crise, a irracionalidade do capitalismo se torna evidente para todos”, assinala o geógrafo. “Capital e mão de obra excedentes existem lado a lado sem haver aparentemente uma forma de uni-los no meio de um imenso sofrimento humano e necessidades não realizadas. No meio do verão de 2009, um terço do equipamento de capital dos Estados Unidos esteve parado, enquanto 17% da força de trabalho estavam ou desempregados, forçados a trabalhar meio período ou ´sem ânimo´. O que poderia ser mais irracional do que isto?”
A necessidade de preservar a qualquer custo a circulação do capital esbarra em vários limites e barreiras que o sistema busca, incessantemente, superar. Entre essas barreiras destaca-se a eterna corrida entre lucro e salário, ou seja, a velha e controversa luta de classes. Reside aí também uma das contradições internas do sistema que levou Karl Marx a concluir que é no próprio capital que o capitalismo encontra os seus limites.
Neoliberalismo
Uma das expressões concentradas da luta de classes apontada por Harvey e também por outros críticos como uma causa relevante da crise atual é precisamente o neoliberalismo, que teve por marco os governos de Margaret Hilda Thatcher na Inglaterra (1979 a 1990) e Ronald Reagan (1981 a 1989) nos EUA e cujo fundamento, desde então, é uma impiedosa guerra de classes para derrubar salários e direitos da classe trabalhadora.
“As desigualdades de renda subiram nos Estados Unidos desde os anos 1970”, comenta Harvey, “ao ponto de os 90% mais baixos da pirâmide socioeconômica deterem agora apenas 29% da riqueza, deixando 10% das pessoas controlarem o resto, sendo que o 1% do topo tem 34% da riqueza e 24% da renda (três vezes mais do que tinham em 1970).”
Renda, consumo e dívida
A concentração da renda, cuja contrapartida foi a redução da participação dos salários no PIB (de 53% em 1970 para 46% em 2005), reduziu a capacidade de consumo do povo estadunidense, deprimindo a demanda por mercadorias e contribuindo, desta forma, para a recessão iniciada no final de 2007.
Durante certo tempo, lembra o escritor, “a lacuna entre o que o trabalho estava ganhando e o que ele poderia gastar foi preenchida pelo crescimento da indústria de cartões de crédito e aumento do endividamento. Nos EUA, em 1980 a dívida agregada familiar média era em torno de 40 mil dólares (em dólares constantes), mas agora é cerca de 130 mil dólares para cada família, incluindo hipotecas.”
A expansão do crédito, respaldada por uma política monetária frouxa, permitiu que o consumo descolasse da renda, subindo quando os salários estavam em baixa, fomentando a superprodução e a crise, um remédio natural para corrigir o desequilíbrio entre renda e consumo.
A tendência da taxa de lucros
O autor de “O enigma do capital” procura se guiar pela teoria marxista e apresenta idéias intrigantes e originais, ao analisar a geografia desigual do fluxo mundial de capitais, para a compreensão de um tema que continua a desafiar o pensamento econômico. Deve ser lido e digerido (como tudo o mais nesta vida) com atenção e espírito crítico, até porque se aventura por terrenos polêmicos.
Não penso que Harvey tenha razão quando sugere, na página 87, que a teoria de Marx sobre a tendência de queda na taxa média de lucros, associada à substituição de trabalho vivo (capital variável) por trabalho morto (capital constante), é “indevidamente simplista”. Mas faz falta um reexame das ideias sobre o assunto (expostas no livro 3 de “O capital”) à luz das transformações operadas pelo imperialismo (que Marx não viu nem analisou) no modo de funcionamento do capitalismo, com o preço ditado por monopólios, a exportação de capitais e a chamada “troca desigual” no comércio exterior.
Papel da classe trabalhadora
O geógrafo, que é professor em Nova York, também dilui o papel da luta de classes na atual conjuntura e é cético em relação à centralidade da classe trabalhadora, ao mesmo tempo em que exagera a importância dos movimentos ambientalistas e deposita esperança no movimento estudantil. “As lutas do trabalho não estão agora na vanguarda da dinâmica política, como foram nos anos 1960 e início dos anos 1970. Muito mais atenção está focada agora na relação com a natureza do que anteriormente.”
As greves e manifestações de massa que estão sacudindo a Europa em defesa dos direitos sociais e do chamado Estado de Bem Estar Social, com protagonismo óbvio dos sindicatos e dos trabalhadores, mostram que Harvey está equivocado a este respeito, o que não reduz a importância de suas observações sobre problemas relacionados à identidade e consciência de classe, além do predomínio de concepções estreitas acerca do proletariado (identificado exclusivamente com o operariado fabril).
Ao longo da sua já longa história, o capitalismo viveu inúmeras crises, algumas sumamente graves (como a Grande Depressão iniciada em 1929 e a atual crise mundial), mas sobreviveu a todas e renasceu das cinzas das duas grandes guerras do século 20. Harvey tem toda razão quando diz que “o capitalismo nunca vai cair por si próprio”. É preciso destruí-lo e esta missão, candente, ainda cabe à classe trabalhadora e a ninguém mais.
Ficha técnica
Título: O enigma do capital e as crises do capitalismo
Autor: David Harvey
Tradução: João Alexandre Peschanski
Páginas: 240
ISBN: 978-85-7559-184-0
Preço: R$ 39,00
Editora: Boitempo