terça-feira, 18 de março de 2025

Genocídio em Gaza

PORQUE O GENOCÍDIO DE PALESTINOS EM GAZA NÃO POUPA NINGUÉM - ADULTOS E CRIANÇAS Na sua interface religiosa, o genocídio de palestinos em Gaza, praticado contra adultos e crianças, INDIFERENTEMENTE, para sionistas e protestantes calvinistas advém da crença comum a ambos na lei do Velho Testamento, do olho por olho, dente por dente, lei que desconhece o perdão e o amor, ao contrário do Novo Testamento. Responde, assim, a uma mesma TEOLOGIA, que enxerga a todos como igualmente culpados do pecado original. João Calvino (1509 - 1564), escritor e teólogo, fez proclamar-se a "República de Genebra", em 1536, que substituiu a Constituição pela Bíblia. As consequências foram trágicas para os genebrinos, que acabaram por expulsá-lo da cidade. Estrangeiro, Calvino (francês) decidiu, sob ameaça de excomunhão, expulsar habitantes naturais de Genebra, assim como o fez com pobres e mendigos. Quando da ocorrência de uma peste, acusaram-se como suspeitas as bruxas, que foram torturadas e queimadas vivas, por se tratar de um castigo divino. /// Não é, pois, de esperar por alguma complacência de toda teocracia, preconizada pelos bolsonaristas de extração religiosa. Dentre muitas outras arbitrariedades, de extrema crueldade, tortura e autos de fé (queima na fogueira), incendiadas pelo fundamentalismo de Calvino, menciona-se a condenação à morte de uma criança de onze anos por ter desobedecido aos pais. Isso lembra algo semelhante ao que ocorre com o genocídio em Gaza? Nivaldo Manzano
(É papo cabeça, mas contribui para afastar ilusões perigosas) SOBRE O CARÁTER ABSTRATO (REDUCIONISTA) DA VISÃO OCIDENTAL DO COTIDIANO A propósito do que vem a ser IDEOLOGIA, recorro a um chiste que diz que um sujeito que portava sujeira no bigode dizia que o mundo cheira mal. O chiste caracteriza como metáfora todas as ideologias, indistintamente, que brotam e resultam numa visão de mundo REDUCIONISTA, ao extrapolar do particular para o universal. Dentre as ideologias, tem-se na atualidade como DOMINANTE a ilusão de uma visão LINEAR do mundo, que converte a história como degraus ascendentes do bom para o melhor. É o progressismo inexorável, aí incluída a moral (!), celebrado por Immanuel Kant, em seu ensaio À Paz Perpétua", ideologia que conforma o Iluminismo da vertente RACIONAL, ao custo do sacrifício dos demais valores axiológicos que caracterizam o comportamento, ou ação humana, quais sejam, a intuição, a ética, a estética e os sentimentos, além da razão, valores equivalentes, distintos, porém, não separáveis em toda manifestação humana. É a razão, como valor SOBERANO, HIERÁRQUICO, que configura o credo liberal do progresso automático, que leva à parusia do destino humano. Embora demolido por Hegel e por Marx e mais recentemente na Antropologia por Franz Boas (1858 - 1942) e antes dele por Giambattista Vico (1648 - 1744), o progressismo, ou a visão de mundo linear, mantém-se na atualidade travestido de HUMANISMO, um conceito tão aberto a ponto de abrigar o que se queira, assim como uma casa de aluguel. Contamina cabeças, incluídas cabeças "progressistas". Isso as leva a confundir ou identificar PROCESSO, ESTRUTURA E FUNÇÃO. Como, porém, na experiência humana a realidade é um ESTADO DE MUDANÇA (tudo muda) (lembro-me do DEVIR da mitologia grega, que preside ao nascer e perecer) é forçoso admitir-se, pela lógica, que tanto a estrutura funciona como a função estrutura, sem que se descreva a MUDANÇA. Isso me leva a admitir que o que preside a tudo é a visão de PROCESSO, que dispensa por inadequadas a função e a estrutura, por incapazes de incorporar a MUDANÇA. A modernidade do pensamento científico, inaugurada por Galileu, na sua fórmula matemática da aceleração da velocidade, identifica MOVIMENTO (deslocamento) com MUDANÇA (transformação qualitativa), em razão da dificuldade matemática e lógica de lidar com a mudança. Daí a incapacidade do modelo convencional da pesquisa científica de descrever a METAMORFOSE (ou MUDANÇA), um modelo que se ajusta como mão e luva na defesa do status quo político, entre outros usos, sem que se deva inculpar a Galileu por isso. Lembre-se de que a função é LINEAR, PARALELA, SEQUENCIAL, ÚNIVOCA, em contraste com o PROCESSO, que é CONTEXTUAL, COMPLEXO (qualitativamente), SINGULAR, ÚNICO, ou seja, NÃO SE REPETE. Explico-me: O processo representa-se, por convenção, mediante três eixos ortogonais: o eixo da função, ou atividade, o eixo da infraestrutura (material e humana) e o eixo da axiomática, que são as regras que presidem ao processo. Exemplo: Para assar pão, a função é a atividade do padeiro; a infraestrutura são os recursos de que se utiliza (o forno e demais instrumentos, associados à experiência do padeiro em manejá-los); e a axiomática, ou as regras que o orientam no processo de fazer o seu pão. Tais eixos são independentes e autônomos, não, porém, autossuficientes, São intercambiáveis, de acordo com a mudança na referência do contexto. Assim, pode-se utilizar o mesmo forno e eventualmente outras habilidades do mesmo padeiro (infraestrutura), dotado também da experiência em assar carnes, o que implica a axiomática que preside aos diferentes MODOS de preparar assados, e, como atividade, de novo, eventualmente o mesmo padeiro, ou outra pessoa, de equivalente habilidade no assar carnes. A interação entre os três eixos caracteriza o contexto, e muda de acordo com o contexto em que se dão as interações. Em defesa do argumento contra a pretensa soberania da razão nas coisas humanas, aduzo um adágio de Machado de Assis (citado de memória), que diz: "Não há mal que não se possa defender racionalmente. A razão, assim como o burro atrelado aos varais, puxa todo tipo de carga que se lhe ponha em cima. Com a mesma eficiência e pelo caminho mais curto, ela nos leva tanto para o céu como para o inferno. Quem decide não é ela e sim o carroceiro". Nivaldo Manzano