Artigos, ensaios, pesquisas de interesse geral - política, cultura, sociedade, economia, filosofia, epistemologia - que merecem registro
quinta-feira, 23 de abril de 2026
MERCADO LIVRE BBB
Roberto Xavier
18 h
·
A Ilusão do Mercado Livre
Há uma narrativa particularmente sedutora no debate público brasileiro: a de que a iniciativa privada seria a grande responsável pela inovação, pela eficiência e, em última instância, pelo próprio progresso econômico. Nessa versão, o mercado aparece como um organismo autônomo, capaz de gerar soluções e premiar o mérito quase por geração espontânea. O Estado, quando mencionado, surge como ruído, obstáculo ou, na melhor das hipóteses, um coadjuvante tolerado.
O problema dessa narrativa não está apenas no entusiasmo, mas na sua capacidade de edição seletiva. Ela ilumina o instante visível da inovação, o produto final, a empresa bem-sucedida, o ganho de eficiência e obscurece deliberadamente o caminho que o torna possível. Ficam de fora do quadro o papel do Estado em investimento paciente, em erro financiado, na infraestrutura construída a fundo perdido e nos riscos absorvidos antes que qualquer retorno fosse plausível.
Do agronegócio, frequentemente apresentado como triunfo exclusivo da iniciativa privada, mas sustentado por décadas de pesquisa pública, crédito subsidiado e infraestrutura estatal, à cadeia produtiva da indústria aeronáutica, cuja sofisticação tecnológica dificilmente seria concebível sem investimento público de longo prazo, passando pelo setor de petróleo, onde a exploração em águas profundas exigiu níveis de risco e capital que nenhum agente privado assumiria isoladamente, o padrão se repete: o risco é socializado, o sucesso é privatizado.
Não se trata de negar o papel da iniciativa privada, mas de recusar a ficção de sua autonomia. O que se vende como espontâneo é, na prática, cuidadosamente construído. Mercados não nascem em terreno neutro, nem operam sob condições simétricas. Eles dependem de instituições, de infraestrutura, de crédito, de garantias, em suma, de um arranjo público e estatal que distribui, de maneira desigual, as condições de participação. Entre essas condições, a liquidez ocupa um lugar central, embora raramente seja nomeada no discurso dominante.
É justamente aí que a ideia de “mercado livre” começa a revelar sua fragilidade. A liberdade proclamada no momento da troca oculta as restrições que a antecedem: quem pode esperar, quem pode arriscar, quem pode acessar recursos em condições favoráveis. Quando essas capacidades são desigualmente distribuídas, a concorrência deixa de ser um processo aberto e passa a refletir hierarquias prévias.
A narrativa da autonomia do mercado, portanto, não apenas simplifica a realidade; ela a reorganiza de forma conveniente. Ao invisibilizar o papel estruturante do Estado e das condições financeiras, transforma desigualdades de origem em diferenças de desempenho e converte privilégios em mérito. É nesse terreno, onde o discurso celebra liberdade e a prática organiza assimetria, que a ideia de mercado livre deixa de ser descrição e passa a funcionar como ilusão.
Em um mercado perfeitamente competitivo, o lucro econômico esperado, descontados o custo do capital e o risco, é zero. Isso no mundo dos modelos macroeconômicos. Fora dele, convivemos com algo um pouco menos elegante: mercados com atrito, custos de transação e assimetrias persistentes. A concorrência perfeita não é um horizonte a ser alcançado; é um artefato analítico que só sobrevive enquanto ignoramos como as trocas realmente acontecem.
No mundo concreto, negociar tem custo. Encontrar contrapartes e cliente tem custo. Garantir cumprimento do combinado tem custo. Informação é imperfeita, contratos são incompletos e o tempo não é neutro. Nesse terreno, a liquidez deixa de ser um detalhe técnico e assume um papel estrutural. Não se trata apenas de “ter dinheiro”, mas de ter acesso contínuo e barato à capacidade de mobilizar recursos no momento certo. E essa capacidade é profundamente desigual.
Quem dispõe de liquidez não apenas participa do mercado, mas o molda. Compra quando outros são forçados a vender, vende quando outros não podem comprar, atravessa períodos de incerteza sem liquidar posições, transforma tempo em vantagem estratégica. Quem não tem liquidez, por outro lado, negocia sob pressão e paga pelos custos implícitos em cada transação. O preço deixa de ser um número e passa a ser uma foto da assimetria de liquidez entre as partes.
A ideia de que mercados, deixados a si mesmos, tenderiam a uma distribuição eficiente baseada em mérito ignora o fato de que o ponto de partida já está viciado. A desigualdade no acesso à liquidez não é um ruído passageiro; é um mecanismo cumulativo. Ela permite que alguns agentes sistematicamente comprem melhor, vendam melhor, esperem mais e arrisquem menos. O resultado é a progressiva acumulação de capital e geração de desigualdades.
E isso não significa que toda concentração seja automaticamente ineficiente. O argumento mais sofisticado dirá que ganhos de escala e investimento justificam a centralização em certos setores. Mas esse contra-argumento, embora parcialmente correto, evita o ponto central: quando a concentração decorre de vantagens financeiras e não de superioridade produtiva, o que se tem não é eficiência, mas inércia estruturada.
É nesse momento que a retórica da meritocracia se torna mais frágil. Não porque mérito não exista, mas porque suas condições de expressão são socialmente construídas e desigualmente distribuídas. Competir em mercados reais não é apenas uma questão de capacidade produtiva; é uma questão de fôlego financeiro. E esse fôlego, ao contrário do que sugere a narrativa idealizada, é historicamente concentrado e não é igualmente acessível.
O resultado é uma economia em que preços, salários e oportunidades carregam, embutidos, os efeitos dessa assimetria. A produtividade deixa de ser exclusivamente função de eficiência técnica e passa a refletir também a posição financeira dos agentes. Em contextos assim, a concentração pode, de fato, sufocar a dinâmica competitiva por ausência de condições materiais para que esses agentes disputem em pé de igualdade.
Diante disso, a defesa de um Estado ausente deixa de parecer uma aposta na liberdade e passa a soar como a naturalização de um desequilíbrio. A questão não é “intervir ou não intervir”. Essa escolha já foi feita na prática pelo próprio funcionamento desigual dos mercados. A questão é que tipo de intervenção está em jogo: a implícita, que perpetua a vantagem de quem já detém liquidez, ou a explícita, que tenta redistribuir condições de competição.
Ampliar o acesso à liquidez, regular estruturas financeiras e tributar a propriedade não são distorções de um sistema ideal, mas sim, tentativas de corrigir um sistema que, histórica e socialmente, nunca foi neutro, muito pelo contrário. A garantia de emprego, por sua vez, não é apenas política social: é uma forma de reequilibrar o poder de barganha e retirar do mercado de trabalho seu caráter de leilão assimétrico permanente.
O Estado, nesse quadro, portanto, não é o oposto do mercado. É o nome que damos ao esforço de impedir que o mercado se reduza a um circuito fechado onde liquidez gera mais liquidez e poder compra mais poder, ou seja, um mecanismo injusto de concentração de renda e de poder. Concluímos daí que a alternativa não é um mercado totalmente livre, mas um mercado cada vez mais estreito, A Ilusão do Mercado Livre
Há uma narrativa particularmente sedutora no debate público brasileiro: a de que a iniciativa privada seria a grande responsável pela inovação, pela eficiência e, em última instância, pelo próprio progresso econômico. Nessa versão, o mercado aparece como um organismo autônomo, capaz de gerar soluções e premiar o mérito quase por geração espontânea. O Estado, quando mencionado, surge como ruído, obstáculo ou, na melhor das hipóteses, um coadjuvante tolerado.
O problema dessa narrativa não está apenas no entusiasmo, mas na sua capacidade de edição seletiva. Ela ilumina o instante visível da inovação, o produto final, a empresa bem-sucedida, o ganho de eficiência e obscurece deliberadamente o caminho que o torna possível. Ficam de fora do quadro o papel do Estado em investimento paciente, o erro financiado, a infraestrutura construída a fundo perdido e os riscos absorvidos antes que qualquer retorno fosse plausível.
Do agronegócio, frequentemente apresentado como triunfo exclusivo da iniciativa privada, mas sustentado por décadas de pesquisa pública, crédito subsidiado e infraestrutura estatal, à indústria aeronáutica, cuja sofisticação tecnológica dificilmente seria concebível sem investimento público de longo prazo, passando pelo setor de petróleo, onde a exploração em águas profundas exigiu níveis de risco e capital que nenhum agente privado assumiria isoladamente, o padrão se repete: o risco é socializado, o sucesso é privatizado.
Não se trata de negar o papel da iniciativa privada, mas de recusar a ficção de sua autonomia. O que se vende como espontâneo é, na prática, cuidadosamente construído. Mercados não nascem em terreno neutro, nem operam sob condições simétricas. Eles dependem de instituições, de infraestrutura, de crédito, de garantias, em suma, de um arranjo que distribui, de maneira desigual, as condições de participação. Entre essas condições, a liquidez ocupa um lugar central, embora raramente seja nomeada no discurso dominante.
É justamente aí que a ideia de “mercado livre” começa a revelar sua fragilidade. A liberdade proclamada no momento da troca oculta as restrições que a antecedem: quem pode esperar, quem pode arriscar, quem pode acessar recursos em condições favoráveis. Quando essas capacidades são desigualmente distribuídas, a concorrência deixa de ser um processo aberto e passa a refletir hierarquias prévias.
A narrativa da autonomia do mercado, portanto, não apenas simplifica a realidade; ela a reorganiza de forma conveniente. Ao invisibilizar o papel estruturante do Estado e das condições financeiras, transforma desigualdades de origem em diferenças de desempenho e converte privilégios em mérito. É nesse terreno, onde o discurso celebra liberdade e a prática organiza assimetria, que a ideia de mercado livre deixa de ser descrição e passa a funcionar como ilusão.
Em um mercado perfeitamente competitivo, o lucro econômico esperado, descontados o custo do capital e o risco, é zero. Isso no mundo dos modelos macroeconômicos. Fora dele, convivemos com algo um pouco menos elegante: mercados com atrito, custos de transação e assimetrias persistentes. A concorrência perfeita não é um horizonte a ser alcançado; é um artefato analítico que só sobrevive enquanto ignoramos como as trocas realmente acontecem.
No mundo concreto, negociar tem custo. Encontrar contrapartes e cliente tem custo. Garantir cumprimento do combinado tem custo. Informação é imperfeita, contratos são incompletos e o tempo não é neutro. Nesse terreno, a liquidez deixa de ser um detalhe técnico e assume um papel estrutural. Não se trata apenas de “ter dinheiro”, mas de ter acesso contínuo e barato à capacidade de mobilizar recursos no momento certo. E essa capacidade é profundamente desigual.
Quem dispõe de liquidez não apenas participa do mercado, mas o molda. Compra quando outros são forçados a vender, vende quando outros não podem comprar, atravessa períodos de incerteza sem liquidar posições, transforma tempo em vantagem estratégica. Quem não tem liquidez, por outro lado, negocia sob pressão e paga pelos custos implícitos em cada transação. O preço deixa de ser um número e passa a ser uma foto da assimetria de liquidez entre as partes.
A ideia de que mercados, deixados a si mesmos, tenderiam a uma distribuição eficiente baseada em mérito ignora o fato de que o ponto de partida já está viciado. A desigualdade no acesso à liquidez não é um ruído passageiro; é um mecanismo cumulativo. Ela permite que alguns agentes sistematicamente comprem melhor, vendam melhor, esperem mais e arrisquem menos. O resultado é a progressiva acumulação de capital e geração de desigualdades.
E isso não significa que toda concentração seja automaticamente ineficiente. O argumento mais sofisticado dirá que ganhos de escala e investimento justificam a centralização em certos setores. Mas esse contra-argumento, embora parcialmente correto, evita o ponto central: quando a concentração decorre de vantagens financeiras e não de superioridade produtiva, o que se tem não é eficiência, mas inércia estruturada.
É nesse momento que a retórica da meritocracia se torna mais frágil. Não porque mérito não exista, mas porque suas condições de expressão são socialmente construídas e desigualmente distribuídas. Competir em mercados reais não é apenas uma questão de capacidade produtiva; é uma questão de fôlego financeiro. E esse fôlego, ao contrário do que sugere a narrativa idealizada, é historicamente concentrado e não é igualmente acessível.
O resultado é uma economia em que preços, salários e oportunidades carregam, embutidos, os efeitos dessa assimetria. A produtividade deixa de ser exclusivamente função de eficiência técnica e passa a refletir também a posição financeira dos agentes. Em contextos assim, a concentração pode, de fato, sufocar a dinâmica competitiva por ausência de condições materiais para que esses agentes disputem em pé de igualdade.
Diante disso, a defesa de um Estado ausente deixa de parecer uma aposta na liberdade e passa a soar como a naturalização de um desequilíbrio. A questão não é “intervir ou não intervir”. Essa escolha já foi feita na prática pelo próprio funcionamento desigual dos mercados. A questão é que tipo de intervenção está em jogo: a implícita, que perpetua a vantagem de quem já detém liquidez, ou a explícita, que tenta redistribuir condições de competição.
Ampliar o acesso à liquidez, regular estruturas financeiras e tributar a propriedade não são distorções de um sistema ideal, mas sim, tentativas de corrigir um sistema que, histórica e socialmente, nunca foi neutro, muito pelo contrário. A garantia de emprego, por sua vez, não é apenas política social: é uma forma de reequilibrar o poder de barganha e retirar do mercado de trabalho seu caráter de leilão assimétrico permanente.
O Estado, nesse quadro, portanto, não é o oposto do mercado. É o nome que damos ao esforço de impedir que o mercado se reduza a um circuito fechado onde liquidez gera mais liquidez e poder compra mais poder, ou seja, um mecanismo auto-reforçado de concentração de renda e poder. Concluímos daí que a alternativa não é um mercado totalmente livre, mas um mercado cada vez mais estreito, onde a liberdade de alguns não dependa da restrição crescente dos demais..
quarta-feira, 22 de abril de 2026
PROBIOTICO BBB
ccom arroz bbb
https://www.youtube.com/watch?v=eAWX2fnaLgE
rosca de polvilho bbb
https://www.youtube.com/shorts/1FUqidDNqts
Salgadinhos de tapioca
https://www.youtube.com/shorts/-acPK627nd8
Aperitivo de massa fininha e crocante | CROSTATA ou CROSTINI bbb
https://www.youtube.com/watch?v=swpA_ahYEGk
segunda-feira, 20 de abril de 2026
agua oxigenada bbb
https://www.youtube.com/watch?v=x9leg0sU-Uo
Todo Por $1 Nueve Usos Del Agua Oxigenada Que La industria de Limpieza Nunca Quiere Que Aprendas Hoy
óleo de linhaça
https://www.youtube.com/watch?v=qOeUL-DMU6A
roupa bicarbonato e sabãao de coco
https://www.youtube.com/watch?v=-lhHrizMDyU
quinta-feira, 16 de abril de 2026
acido citrico bbb
https://www.youtube.com/watch?v=hWcyFmKgCRc
O PÓ BARATO que REMOVE qualquer mancha no banheiro DE VEZ POR TODAS. ESCONDERAM DESDE 1947
cinza
O PÓ BARATO que REMOVE qualquer mancha no banheiro DE VEZ POR TODAS. ESCONDERAM DESDE 1947
https://www.youtube.com/watch?v=U5Nd7QHdMcI
segunda-feira, 13 de abril de 2026
crise da representação - ntm
[PDF] Complexidade e crise da representação
J Bindé - Candido Mendes (org.), 2003
Citar Citado por 22 Artigos relacionados Todas as 3 versões
[PDF] precog.com.br
A crise da representação e o contrato de veridicção no romance
JL Fiorin - Revista do GEL, 2008
Citar Citado por 25 Artigos relacionados Todas as 5 versões
[PDF] gel.org.br
[PDF] A crise da representação moderna
Registros de representação semiótica em matemática: história, epistemologia, aprendizagem
CR Flores - Bolema: boletim de educação matemática, 2006
Citar Citado por 66 Artigos relacionados Todas as 8 versões
[PDF] unesp.br
Um primeiro estudo histórico e conceitual do seminário “Epistemologia e representações sociais”, conduzido por Serge Moscovici e Denise Jodelet em 1994
BV Camargo - Psicologia e Saber Social, 2016
Citar Citado por 16 Artigos relacionados Todas as 6 versões
[PDF] uerj.br
[B] Por uma epistemolo
Teoria da representação e filosofia
pagina do google
https://www.google.com/search?q=teoria+da+representa%C3%A7%C3%A3o+filosofia&rlz=1C1UEAD_enBR1151BR1151&oq=filosofia+representa%C3%A7%C3%A3lok&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUqCggCEAAYCBgNGB4yBggAEEUYOTIICAEQABgNGB4yCggCEAAYCBgNGB4yCggDEAAYCBgNGB4yBwgEEAAY7wXSAQkxNDU3NWowajeoAgCwAgA&sourceid=chrome&ie=UTF-8
Visão geral criada por IA
+9
A Teoria da Representação na filosofia é um campo central da epistemologia e da filosofia da mente, preocupado em entender como nossos estados mentais, ideias ou linguagem "representam" ou "se referem" ao mundo exterior.
Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
+2
Aqui estão os pontos principais sobre o tema:
Conceitos Fundamentais
O problema mente-mundo: Questiona como pensamentos subjetivos (internos) conseguem se conectar com objetos e fatos reais (externos).
O sujeito predomina: Em muitas visões, a percepção da realidade é moldada pelas nossas próprias ideias.
Significado e Referência: A representação envolve como palavras e conceitos adquirem significado e apontam para coisas no mundo.
Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
Universidade Federal do Amapá (UNIFAP)
+1
Contexto Histórico e Filosófico
Antiguidade (Platão/Aristóteles): A discussão começa com o realismo, onde as representações mentais (formas) correspondem à estrutura da realidade.
Modernidade (Racionalismo/Empirismo): Foca-se em como o conhecimento é construído no sujeito (representações mentais).
Filosofia da Linguagem: Examina como proposições representam fatos, focando em referências e sentido.
PUC-SP
PUC-SP
+3
Áreas Relacionadas
Epistemologia (Teoria do Conhecimento): Analisa se nossas representações são verdadeiras e justificadas.
Filosofia da Mente: Estuda a natureza dos estados mentais representacionais (intencionalidade).
Filosofia da Linguagem: Investiga como a linguagem representa o mundo.
Casa do Saber
Casa do Saber
+3
A teoria da representação é essencial para definir se conhecemos o mundo como ele é em si mesmo ou apenas as representações que construímos dele.
Para Michel Foucault, a "crise da representação" não é apenas um evento histórico isolado, mas uma ruptura profunda na forma como o conhecimento é organizado no Ocidente. Esse conceito é explorado principalmente em sua obra As Palavras e as Coisas (1966).
Universidade da Beira Interior
Universidade da Beira Interior
+1
Abaixo, os pontos fundamentais dessa crise e sua transição:
1. A Era da Representação (Idade Clássica)
Durante os séculos XVII e XVIII, o conhecimento funcionava através da representação direta.
Transparência: Acreditava-se que a linguagem era um espelho fiel do mundo.
Ordenamento: Conhecer algo significava colocá-lo em uma tabela ou taxonomia (como na História Natural), onde o nome da coisa correspondia perfeitamente à sua essência visível.
O Papel do Sujeito: O homem era o espectador que organizava essa representação, mas ele mesmo não era objeto de estudo científico.
YouTube
YouTube
+1
2. A Ruptura e a Crise
No final do século XVIII, essa "transparência" se quebra. Foucault identifica que os saberes começam a buscar o que está abaixo da superfície das coisas.
YouTube
YouTube
+1
Linguagem como Objeto: A linguagem deixa de ser apenas uma ferramenta de representação e passa a ter sua própria história e estrutura (Filologia).
Forças Invisíveis: Surgem conceitos que a representação clássica não consegue captar apenas olhando: a Vida (Biologia), o Trabalho (Economia) e a Linguagem (Linguística).
Surgimento do Homem: É nesse momento de "crise" que nasce o "Homem" como objeto de saber — um ser que é, ao mesmo tempo, quem conhece e quem é conhecido.
Universidade da Beira Interior
Universidade da Beira Interior
+4
3. Consequências na Modernidade
A crise da representação marca a transição para a Episteme Moderna, onde:
O mundo não é mais um "quadro" a ser lido, mas um conjunto de forças e profundidades.
A verdade deixa de ser uma questão de "correspondência" entre palavra e coisa e passa a ser uma questão de história e poder.
Na arte, Foucault exemplifica essa quebra com a análise de quadros como As Meninas, de Velázquez, onde o centro da representação (o rei e a rainha) está invisível, ou a obra de Magritte, que questiona a relação entre a imagem de uma pipa e a frase "Isso não é uma pipa".
YouTube
YouTube
+3
Em resumo, a crise da representação em Foucault significa o fim da ilusão de que as palavras podem nomear as coisas de forma neutra e total, revelando que todo saber está mergulhado em estruturas de tempo, vida e linguagem que o transcendem
quarta-feira, 1 de abril de 2026
mosca soldado negro bbb
https://www.youtube.com/watch?v=Gi1r3tyV0nI manual completo bbb
https://www.youtube.com/watch?v=cgRHCa70w7M previsão mundial bbb
"Sustainable agriculture needs insects; insects need sustainable agriculture" Dr. Paul Manning
https://www.youtube.com/watch?v=pkgAKhz_Ovg
How to Hatch Black Soldier Fly Eggs: Maximize Larvae Production For Your Farm
Insect Farming Nutrition and Feedstock Economics - The Basics
https://www.youtube.com/watch?v=VNIZylcmmuE
Going from pilot to scale-up farming of BSF
https://www.youtube.com/watch?v=4_ILVdh2HHE
Problemática e recursos bbb https://www.youtube.com/watch?v=KaJz3PRIjCw
segunda-feira, 23 de março de 2026
Anna Netrebko várias
https://www.youtube.com/watch?v=7X_DBXgT56k
Anna Netrebko - Puccini - La Bohème Quando m'en vo' soletta
https://www.youtube.com/watch?v=IDvE8uKWznc
Anna Netrebko - The Woman The Voice (full documentary)
https://www.youtube.com/watch?v=bJS3nU45-JY
domingo, 15 de março de 2026
Alice em Itapeva
https://www.facebook.com/100004494990579/posts/3242016222624846/?rdid=8KgW9zUjrLVMyaXw#
terça-feira, 10 de março de 2026
cle seminários
Segue o calendário dos nossos seminários para este semestre:
1º. O falibilismo e o acaso em Peirce como possíveis atributos da lógica poiética em Vico - Sergio, 13.03.26
2º. Sistemas enquanto estruturas pragmáticas simples - Ricardo Peraça, 27.03.26
3º. Percursos da escuta: interações entre criação musical, tecnologia e auto-organização - Jonatas, 10.04.26
4º. Filosofia e cotidiano: a Orientação Filosófica no contexto das tecnologias digitais – Mônica, 24.04.26 (Em conjunto com Seminários Interdisciplinares CLE-RAIZES)
5º. Robôs humanoides, auto-organização e criatividade: uma possibilidade real? - Eunice & Renata, 15.05.26
6º. (Tema e apresentador a serem definidos) –12.06.26
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
microverdes
https://campoenegocios.com/microverdes-vamos-falar-de-rentabilidade/
https://www.emater.mg.gov.br/download.do?id=89477 bbb
Germine qualquer semente e viva melhor | GUIA COMPLETO DA GERMINAÇÃO DE BROTOS
Como cultivar brotos de gergelim e microgreens de gergelim - método sem bandeja de drenagem
https://www.youtube.com/watch?v=IbmnPWhmOYg
Como cultivar rebentos de feijão-mungo num saco de fruta de forma fácil e eficaz!
Maneiras simples de cultivar brotos de feijão grandes em casa que você deve conhecer
https://www.youtube.com/shorts/PLwHXM0Ii-0
Pão de fermentação natural FÁCIL: o pão que faz bem de verdade
https://www.youtube.com/watch?v=cQfEUPilL54
o mais didático:
It's so easy - Grow sprouts with just water and a plastic basket.
https://www.youtube.com/watch?v=cs5xervuKOg
PÃO DE AVEIA NO LIQUIDIFICADOR SEM LEITE E SEM GLÚTEN, MACIO E FOFINHO
https://www.youtube.com/watch?v=3p0Y63fkhR8
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
Burkina Faso x Monsanto
Why Is Burkina Faso’s GMO Rejection Inspiring 5 African Nations to Follow? https://www.youtube.com/watch?v=NO8bvai4cpw
https://www.scielo.br/j/vd/a/xR4pfknbfyk56JXyV4bqZfd/?format=pdf&lang=es
https://www.youtube.com/watch?v=PwxCEKotnbg
https://mail.google.com/mail/u/0/?tab=rm&ogbl#inbox?projector=1
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Chomsky quem controla
Noam Chomsky’s statement that “hundreds of billions of dollars are spent every year to control the public mind” shines a light on the forces at play behind the scenes. As we question the nature of reality, it’s crucial to understand how much of our perception is shaped by external influences. We are not only shaped by our environments, but by the systems that control the flow of information. Chomsky’s words serve as a stark reminder that the reality we perceive may not always be our own, but a carefully crafted narrative designed to guide our thoughts and actions.
In our quest for truth, we must ask ourselves: who controls our reality? What forces shape our beliefs, our behaviors, and our understanding of the world? Chomsky urges us to wake up to the mechanisms of control that permeate our lives. Whether through media, politics, or corporate interests, the manipulation of information is a powerful force that can alter the course of history.
Yet, in questioning these forces, we can reclaim our minds. The pursuit of knowledge, critical thinking, and intellectual freedom becomes not just an act of defiance, but an essential step in rediscovering the truth. To break free from the control of the public mind is to empower ourselves to see the world for what it truly is, not as we’ve been told to see it.
By embracing open-minded exploration, we can begin to question and unravel the constructs that have shaped our worldview. It’s only through this awareness that we can make informed choices and reclaim the truth of our existence. Chomsky’s warning is clear: if we allow others to control our minds, we surrender our reality. 🧠💡
sábado, 7 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Roberto Amaral Retrato do Brasil etc
BRASIL RETRATADO À PERFEIÇÃO Quando os loucos conduzem os cegos
Por Roberto Amaral*
“Não são apenas os vivos que nos atormentam, os mortos também. Le mort saisit le vif!”.
— Karl Marx, Prólogo à primeira edição de O capital.
Nascemos como território aberto: feitoria, praias, água, alimento e sombra para o repouso de corsários de todas as bandeiras; o mundo chegava para a aventura predatória dos séculos seguintes de apropriação da terra dada, a caça à natureza e aos homens, povos nativos preados e, com a Colônia, a escravidão de negros importados para o eito e a morte antecipada.
Bem mais tarde emerge, sem animação orgânica, uma ideia de povo em busca de nação, ausente o projeto de colonizador (com o qual não podia arcar a decadência irreversível do império lusitano); historiadores apressados referem-se às lutas travadas por portugueses, africanos escravizados, tropas de brancos pobres e indígenas escravizados como o início da construção de uma nacionalidade, nada obstante a impossibilidade de identificar a mínima consciência de pertencimento comum na expulsão da experiência do príncipe de Nassau (1654), modernizante em face da passividade portuguesa, ainda que não cogitasse de qualquer sorte de mobilidade social, ou da criação de mercado interno. Não havia uma nação a contrapor-se ao sonho holandês na América.
Éramos algo como uma malha de feitorias sob a coroa do pequeno Estado português, em trânsito entre o domínio espanhol e o britânico, cuja preeminência nos condicionaria até o fim da Primeira Grande Guerra (1914–1918) e a ascensão dos EUA, que se tornam a unipotência capitalista após a queda do Muro de Berlim e a capitulação da URSS.
Continuávamos na periferia, como se cumpríssemos um determinismo que a leitura dialética da História não justifica. Antes, no nascedouro do século XVI, na periferia do mercantilismo do capitalismo nascente, ainda pré-industrial e pré-estatal. Agora, na periferia do capitalismo pós-industrial, sob a égide de um imperialismo Moloch.
Em 1627, em sua História do Brasil, o sábio e precursor Frei Vicente de Salvador profligava as limitações estratégicas do português: desapetrechado política e economicamente, pugnava salvar-se mediante a conservação da terra apossada sem luta, e salvá-la por meio de tratados negociados com nações mais poderosas: “Da largura que a terra do Brasil tem para o sertão não trato, porque até agora não houve quem a andasse por negligência dos portugueses, que, sendo grandes conquistadores de terras, não aproveitam delas, mas contentam-se de andar arranhando ao longo do mar como caranguejos”.
Vida social, nenhuma. Vida política, tão-só a necessária para assegurar o domínio português: os primeiros agentes do fisco, os primeiros militares, os primeiros fortes de defesa, os primeiros agentes da justiça reinol; os padres e frades catequizando os catecúmenos, desculturalizando o gentio e o negro, matando suas almas; os jesuítas catequizando, educando, aportuguesando e construindo, território afora, suas “repúblicas”, seus aldeamentos, suas “missões”, um modelo de colonização clerical que palmilhou quase todo o país daqueles idos; caminhando desde a Amazônia e o Centro-Oeste ao Rio Grande do Sul, à Argentina e ao Paraguai; chegaram a mobilizar entre 250 e 300 mil guaranis, até a fúria pombalina que os expulsou do Brasil.
Nascemos na periferia do mercantilismo do século XVI, do capitalismo nascente, ainda pré-industrial e pré-estatal, e nossos donos de então, pais e mães dos donos de hoje, logo se aclimataram no ócio, pois havia índios preados para o trabalho, africanos às mãos cheias para o eito e a morte antes do tempo. A história oficial consagrou como “heróis da Pátria” os genocidas das Entradas e Bandeiras. Nesse Brasil, onde havia produção, só o escravo trabalhava, o que não explica tudo, mas sugere um campo de reflexão. Darcy Ribeiro lembra a carne e a alma dos indígenas e dos negros que os brancos caçavam para produzir e poder acumular suas riquezas. E madeira, e pedras, e algodão, e mais isso e mais aquilo, tudo o que o mercado europeu requeria, pois aqui, em se plantando (pelo braço escravizado), tudo dava, tudo dá; e logramos plantar cana e produzir açúcar para exportar à Europa, de onde importávamos tudo: manufaturados, ideologia, valores, cultura, visão de mundo, por intermédio dos entrepostos portugueses que nos exploravam como monopólio comercial.
O “brasileiro” é o português que vem “fazer a América”, enriquecer e voltar a Portugal para construir igrejas, e será personagem de Camilo Castelo Branco. O proprietário de engenho é um simples feitor muito rico. Não é um empreendedor, não é um pioneiro. É um homem da terra, reacionário, violento, inculto; mas, supunha, falava com Deus; precatado, mantinha em casa uma Capela devotada ao Cristo ou à Imaculada Cinceição onde se casavam os herfeiros com os herdeiros das terras vizinhas.
São essas as nossas raízes, as de um Estado classista moderno na sua abjeta concentração de renda e espoliação social; raízes que explicam ainda o mal de origem que intentam negacear: construído aos trancos e barrancos, isento de projeto de ser, desprovido de destino, o Brasil não é, está sendo; algo permanentemente em elaboração, sem bússola, sem azimute, talvez com ponto de partida, mas jamais dispondo de horizonte de chegada: sem régua e sem compasso, manipulado pela dialética das circunstâncias nas quais não ousa intervir.
Na transição para o capitalismo, a burguesia que nos coube já não era revolucionária quando aqui desembarcou, e jamais seria nacional, condicionada na modernidade pelos interesses do capitalismo globalizado. Jamais se desapartou de suas origens: cultiva o longo passado colonial e escravagista de seus avoengos. Assim vê o mundo e nele se vê.
Essas, as nossas circunstâncias perdurantes. Sem noção de si, carecemos da noção de mundo; sem projeto de ser, não temos porto de chegada. Ficamos com os argonautas, a navegar, porque navegar é preciso. E la nave va, mas não nos salva da alienação: a crise é objetiva, material, concreta e nos fisga no contrapé da irrelevância. Assim, quietos, nos escondemos diante da crise, que é uma crise nossa, presente: ela está no mundo, mas está diretamente na América do Sul e no Brasil.
Fruto da formação histórica que acima se tentou resumir, nossa classe dominante, trêfega e traficante, não tem condições de dialogar com a realidade; alienada e ideologicamente colonizada, não se identifica com a nação, não a pode compreender. Nada se lhe deve cobrar ou esperar.
Mas talvez ainda seja pertinente chamar à cena a “sociedade civil”. Ou a academia, silente, omissa. Não há condições de cobrar o que quer que seja do movimento sindical, mas talvez ainda seja pertinente exigir uma postura digna dos partidos que ainda integram essa larga avenida que reúne progressistas, esquerda e centro. Era e ainda é justo, e ainda oportuno, exigir de nosso governo um mínimo de ação objetiva, ou seja, algo além das boas notas expedidas pela boa burocracia do Itamaraty. Que errou, com o terceiro andar do Palácio do Planalto, já lá atrás, reduzindo a agressão imperialista a uma chantagem tarifária, ao fim e ao cabo delegando as negociações de Estado, que haveriam de ser políticas, à intermediação de produtores brasileiros de carne e outras commodities com autoridades dos EUA, em escritórios de advocacia e lobby de Washington. Soa mal a dificuldade do nosso governo de dizer o que pensa sobre o condomínio que os EUA querem instalar sobre os escombros de Gaza. É preciso salvar a política “ativa e altiva” de Celso Amorim.
A questão, como é sabido, volta para seu campo nuclear, que é a política, de onde, a rigor, jamais saiu.
Na crise que o imperialismo agrava a cada dia — Europa, Oriente Médio, Palestina e Israel, Rússia, Ucrânia, Irã, Dinamarca/Groenlândia, América Latina e, nela, tanto a América do Sul, onde estamos, convivendo com a ascensão da extrema-direita, que nos promete isolar, quanto com a invasão da Venezuela, na nossa fronteira amazônica, o que não é irrelevante, em qualquer momento e em qualquer circunstância.
Que dizer quando o chefe da diplomacia de guerra da Casa Branca anuncia como nova política a retomada do “grande quintal”, proclamados o fim da política, o fim do multilateralismo, o fim dos organismos internacionais? O essencial está na ululante falência do direito internacional; inane.
A nova ordem é a lei do mais forte, o novo é o Velho Oeste. Soberania nacional não é um valor moral, nem muito menos jurídico, ensina a doutrina, ensina a vida; é uma força objetiva, concreta, palpável, que depende exclusivamente de si. A esse predicado os estrategistas chamam de capacidade de dissuasão. De que carecemos. Porque nossas forças não estão adequadamente armadas, porque sua formação ideológica é subalterna aos interesses do imperialismo, porque o governo ainda não conseguiu construir com a sociedade sua política de defesa.
Porque, ao final, carecemos de um projeto para o país.
Sem projeto de destino, sem causa, o Brasil, que já aspirou papel de liderança no plano internacional, vê-se reduzido à condição de objeto: peão em meio a outros peões que se multiplicam no tabuleiro de xadrez, onde reina o soberano imóvel, decidindo os destinos do mundo.
Lamentavelmente, vítimas de crassa falência analítica — como se a história não estivesse à nossa disposição para ensinar aos que querem saber —, não nos damos conta do quadro de realidade, como se ele fosse apenas um drama estranho ao nosso, representado noutro teatro. Ora, o enredo é único, a representação é única, o elenco é único, a plateia é única: somos nós. Os tempos de hoje trazem os tempos sempre contemporâneos de Shakespeare e seu Rei Lear, na fala de Gloucester (Ato IV, Cena 1): “É a peste do nosso tempo: quando os loucos conduzem os cegos”.
Assinar:
Comentários (Atom)