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segunda-feira, 5 de junho de 2023
Belluzzo - O Emérito Aluno de Marx, Keynes e Schumpeter
O Emérito Aluno de Marx, Keynes e Schumpeter
Nathan Caixeta
É economista pela FACAMP, mestrando em Desenvolvimento Econômico pelo IE/Unicamp e pesquisador do Núcleo de Estudos de Conjuntura da FACAMP (NEC/FACAMP)
Das incontinências do nosso tempo, nos resta o tempo da crítica, vilipendiado pelo pouco tempo de reflexão que nos permitimos
A Universidade de Campinas concedeu o título de professor emérito a Luiz Gonzaga Belluzzo. O título foi entregue dia 2 de junho no Centro de Convenções da UNICAMP. Sem presunção, gostaria de prestar a homenagem por parte dos alunos de tantas gerações que Belluzzo ajudou a formar. Não imagino maneira mais apropriada que recordando sua trajetória como aluno, especialmente, como discípulo de Marx, Keynes e Schumpeter.
Tenho para mim que a obra de Belluzzo amarra esses três autores no exercício de interpretar as transformações estruturais do capitalismo até seus contornos contemporâneos, sendo a continuidade viva de perguntas eternas.
A tríade Marx, Keynes e Schumpeter forma o corpo central de compreensão do capitalismo e, em especial, de seu núcleo sublime: as relações monetário-financeiras capazes de sugar para a superfície do capital os frutos da divisão do trabalho. Esses autores estão para a Economia, como Sócrates, Platão e Aristóteles para a Filosofia Grega.
Marx compreendeu, como nenhum outro, que a fantasmagoria que incide sobre o processo social, o convertendo em processo capitalista de produção, nasce da ocultação, do feitiço que a propriedade privada, instalada como praça central da vida moderna, impõe às relações entre os homens: ao que importa acumular tudo aparece como fruto de seu direito de propriedade, ao que importa sobreviver nada resta senão seu papel como matéria descartável da frutificação.
Diante do avanço das forças produtivas, revela Belluzzo, é na potenciação da força de trabalho – sua assimilação e descarte – que o sistema de produção fornece ao modo de produção as forças que afirmam e negam sua essência. O modo de produção, o modo de ser, explicita sua existência em seu movimento, o perpétuo curso da acumulação. Afirma-se a riqueza que cria mais riqueza, como essência da forma. As formas flutuam, os fluxos se consomem e se destroem até seu refinamento como mais-valor que retorna à forma dinheiro e é petrificado como propriedade. O ato de criação de valor conflui para sua negação, para a destruição do trabalho vivo e sua reanimação fantasmagórica como dinheiro, e emulação cadavérica como capital fixo.
Essa é, segundo suspeito, a chave que Belluzzo encontrou em sua Tese de Doutoramento, Valor e Capitalismo, para entender a teoria do valor-trabalho como teoria da valorização do capital. O movimento circular ao qual as astúcias dos marxismos vulgares submeteram a teoria do valor, acabava por denunciar um consumo de mão de obra limitado pela atrofia das condições de exploração: uma circulação entrincheirada que acabaria no estouro de um aneurisma no cérebro social.
Como teoria da valorização, portanto, como movimento contraditório que produz sua superação (negação e assimilação em um estágio superior de desenvolvimento), a teoria do valor e o próprio valor-trabalho estão condicionados a realização daquilo que lhes origina, isto é, a lei geral da acumulação capitalista cujo princípio e o fim, ou o velho começo e o novo começo, não se dão de outra forma senão na forma redentora do dinheiro. Acumular não é o instinto degenerado desse sistema e sim seu instinto de afirmação e aperfeiçoamento que degenera suas bases sociais elementares para regenerar e fortalecer suas formas necessárias, a forma do dinheiro e do capital-propriedade.
Da dissimulação do morto-vivo, vem Schumpeter ao socorro, as forças criadoras que “animam a carcaça de Fausto”, nela preservam as formas mortas e destruídas, assimiladas em seu movimento como abstração real. Por isso, a aparência monetária assombra os que negam a essência creditícia do dinheiro... O demônio que escapa dos fluxos da produção, do emprego e da renda, insulta a razão econômica com as diabruras do crédito: a criação de riqueza futura que se realiza no presente através do gasto capitalista.
Como Belluzzo já ensinou, uma coisa é uma coisa e outra coisa é a mesma coisa. Não por menos, a globalização desigual e combinada, o carreirão neoliberal, deram a chave do inferno ao demônio que prendeu o carcereiro. O Estado Social e Democrático foi aprisionado à rota de contenção das misérias e da miserável dependência entre a valorização da riqueza privada e o endividamento público, salvo conduto que dissipa o aneurisma do cérebro social, deslocando o coágulo financeiro para o eixo pulsante que corrói as democracias no ritmo crescente do ressentimento das massas entregues ao desemprego e à precarização.
No redemoinho dos satãs, Keynes se encarregou de explicar que o pecado precede a redenção, o gasto vem antes da renda sem poupança “ex-ante” que resolva a contenda entre os que procuram o valhacouto do dinheiro e os que liberam o instinto animalesco do gasto. À frente, “ex-post”, as expectativas são marcadas de forma intranquila e a valorização ou desvalorização da riqueza respeitam a morbidez e as vicissitudes do amor ao dinheiro.
As pulsões de morte, de destruição, de castração, de abstinência, não deixam de estar ligadas, no entanto, aos vícios virtuosos da criação, sobretudo, a criação de tempo-livre “que escorre do capital fixo para os caixas fortes do capital-propriedade”. Esse tempo que corre nas veias precárias do trabalho digital, excita e anima o intelecto genérico, condicionando a vida social à ciranda do trabalho precário, do consumo efêmero e do endividamento perpétuo, motivos de exaustão do tecido social.
Por isso mesmo, os incautos resistem na peregrinação pelos caminhos do indivíduo como centro fundador do universo, primo do agente representativo e gestor do equilíbrio intertemporal... Se morto o rentier, o tempo-livre socializado não poderia ser sugado pelo consumismo e pelo endividamento crescentes.
O tempo de trabalho como tempo de produção que se esmagam no valor das coisas, esmagam o tempo de vida sem valor nenhum. Por isso, uns deliberam por aí que são tempos de reforma, de criar uma nova forma de comprar tempo antes da crise civilizatória que já nos sufoca. Das incontinências do nosso tempo, nos resta o tempo da crítica, vilipendiado pelo pouco tempo de reflexão que nos permitimos. Por isso, valorizar quem deu seu tempo ao ensino, também é criar novos tempos para aprender.
Ainda, é essa dimensão do tempo que transforma o aluno em professor. Outros tempos, o do saber, menos resfolegante, o da vida, mais turbulento. O primeiro passa e perdemos a corrida, passamos o bastão para que outros continuem. O segundo flui e insurge sobre a própria vida na fé, no amor e nas amizades. Os dois se encontram e perguntam quanto tempo passou?
Ao mestre.
quarta-feira, 31 de maio de 2023
Kant O dever e os postulados da razão prática em Kant
file:///C:/Users/HOME/Desktop/Kant%20natureza%20humana.pdf
domingo, 28 de maio de 2023
Jeffrey Sachs a crise da dívida usa
https://www.aldeianago.com.br/artigos/91-dando-o-que-falar/32499-2023-05-21-10-16-25#:~:text=As%20Guerras%20da%20Am%C3%A9rica%20e%20a%20Crise%20da%20D%C3%ADvida%20dos%20EUA&text=No%20ano%202000%2C%20a%20d%C3%ADvida,crise%20da%20d%C3%ADvida%20da%20Am%C3%A9rica.
ou
https://www.brasil247.com/blog/as-guerras-da-america-e-a-crise-da-divida-dos-eua
sexta-feira, 26 de maio de 2023
Cluny bbb
https://www.terra.com.br/noticias/educacao/historia/cluny-a-revolucao-contra-a-abadia-parte-i,40080820692ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
Abadia de Cluny
segunda-feira, 15 de maio de 2023
Espinosa - a potência do ser bbbb
Espinosa - a potência do ser bbbb
https://razaoinadequada.com/2014/08/07/espinosa-a-potencia-do-ser/
Pense em algo, pense em qualquer coisa, ela é possível de existir? Digo, ela tem contradições internas que impedem sua existência? Não? Então ela existe? A resposta é: não necessariamente, isso apenas faz com que esta coisa tenha a possibilidade de existir… conhecer a essência de uma coisa, saber que ela é possível, não a torna necessária.
Mas o que faz algo efetivamente existir? Ou ela é produzida por si própria ou por outra coisa. A potência de uma coisa existir está em si mesma ou vem de fora. No nosso caso, somos versões reduzidas desta potência de existir, somos causados por forças exteriores que nos engendraram e, ao mesmo tempo, temos em nós parte destas forças que nos permitem existir. O finito reflete o infinito, ou seja, somos parte de um ser absolutamente infinito que existe em si mesmo e se produz necessariamente, chamá-lo-emos Deus.
A realidade, como um todo, é um devir de produção e criação. Esta existência é absoluta em todos os aspectos: infinita e eterna. O Deus de Espinosa é a potência infinita de expressão e atualização, não há nada fora dele, nada o limita, nada está para além de sua existência. Deus é causa sui, ou seja, ele é definido por sua potência de ser, existir e produzir. Isso significa que a unidade de Deus se manifesta através da multiplicidade: a expressão de Deus se dá na diferença.
Estamos indo muito rápido? Deus é a causa de todas as coisas que existem. Ele é a causa imanente, não transitória; ele não cria o mundo e vai embora, muito pelo contrário, o mundo é ele mesmo, ele se manifesta através do mundo. Cada essência, eu, você, todas as coisas, cada modo afirma-se em Deus, em maior ou menor grau. E ele se exprime absolutamente e infinitamente através dos atributos, dos quais só conhecemos dois: pensamento e extensão. Nós, seres limitados por natureza, exprimimos parte da potência infinita de Deus; esta potência em ato é chamada de Modo por Espinosa.
Certo, podemos passar adiante. Como esta potência se manifesta? Através do poder de existir, de afetar e ser afetado. Como parte da potência infinita de Deus, eu tenho em mim forças que se esforçam para manterem-se na existência. É o conatus, uma força ativa que se esforça (tal como Deus), para produzir. E mais, esta potência que existe em ato, ativamente, tem características singulares de afetar e ser afetado (veja aqui). Já falamos sobre tudo isso em outros textos, por isso não nos alongaremos nestas questões, vamos logo para a potência.
Existir é a capacidade de afetar e ser afetado, é agir no mundo; essência é um grau de potência, conatus que se esforça para permanecer existindo; toda existência é, pela garantia das causas naturais, necessária, já que é expressão de um grau certo de potência divina. Essência é potência. Somos corpos, limitados em extensão e duração, modos, como diria Espinosa, mas os modos estão em Deus. Isso significa que afirmar a minha potência é afirmar o que há de divino em mim. Tomar parte da potência é expressar o que há de Deus em você, ser causa ativa na criação do mundo. Toda expressão da potência é boa, sem exceção, por quê? Porque a potência é a manifestação do Infinito no seio do finito, ela é a força de composição do universo que gera bons encontros. A questão ética é então efetuar sua potência, da mesma maneira que Deus, ou a Natureza, o faz.
Espinosa potênciaNathalie Maquet
Fazemos isso através do corpo, que é um conjunto de relações que estão em uma determinada harmonia. Estas forças se conjugam de forma que mantêm a sua proporção de velocidades e repousos entre as partes. O conatus é a capacidade deste corpo manter a sua forma. O que pode um corpo? Ele pode o quanto ele tem potência. Um moralista define o corpo pelo que ele deve; mas nós, imoralistas convictos, definimos o corpo pelo que ele pode. Não sou um escravo aqui com um lugar garantido no céu, isso é pura ilusão para aguentar o sofrimento. Eu sou o que eu posso, eu sou minha potência, que é a minha essência em ato. Eu sou tão perfeito quanto posso ser.
Mas então eu posso matar? Posso, eu provavelmente tenho potência para isso. Então eu posso estuprar? Posso também, se eu tiver potência para tanto. Mas isso será um bom encontro? (Esta é a diferença entre poder e potência). A questão ética do “efetuar a sua potência” gera muitas confusões! Efetuar sua potência é necessariamente agir para gerar bons encontros, ou seja, compor-se com o mundo. Pense em um quarteto de cordas: eu tenho a capacidade de tocar violino, mas se estiver nervoso, eu posso tocar fora do tom e arruinar a música. Eu também posso tocar isolado de outros instrumentos, e neste caso nada aconteceria. Ou este ato de vibrar as cordas do meu violino pode se compor com a harmonia da música que está sendo tocada pelos meus companheiros. Neste caso, as cordas ressoam entre si, isto implica em aumento de potência. Há ressonância. Eu atuo no mundo.
Eu ponho a música que eu amo, aqui, todo meu corpo, e minha alma – isto vai por si – compõe suas relações com as relações sonoras. É isto que significa a música que eu amo: minha potência é aumentada”
– Deleuze, Curso sobre Espinosa
Quando a música ressoa em mim, eu começo a bater o pé no ritmo, isso me alegra, a música por sua vez também se alegra (ela efetuou um bom encontro). Quando eu coloco um fone de ouvido e danço no ritmo, a música se alegra tanto quanto eu. Tudo isso se dá para além da consciência. Eu chego em casa e digo para um amigo, “tal música é muito boa“, ainda estou efetuando bons encontros. Quando faço uma poesia para a mulher amada, quero que as relações de velocidade e lentidão presentes na poesia afetem-na de modo a aumentar a potência da mulher que amo. E assim por diante…
Agir é agir pela potência, agir é sempre ir em direção da liberdade. Potência e Ética estão muito próximas, assim como Moral e Poder. A afirmação do ser é uma abertura para o infinito, ele multiplica as relações, aumenta nossa capacidade de afetar e ser afetado. Nós somos uma composição de partes em relação. Estas partes mantêm uma proporção e uma singularidade próprias. É como se tivéssemos uma vibração própria, um timbre, podemos pensar no corpo como uma caixa de ressonância; certas forças me atravessam e ressoam em mim e quando isso acontece, geram um bom encontro, minha potência de agir aumenta; no entanto, outras forças me atravessam e diminuem minha potência. O corpo é nosso instrumento ético. A potência do meu ser se expressa através destas relações de proporção entre velocidade e repouso. Tal como a música, tal como a dança, a potência do ser é sua capacidade de gerar bons encontros e suportar maus encontros sem perder suas proporções. Somos corpos que vibram ao som da música divina.
Disse Zaratustra: “para vos revelar inteiramente meu coração, meus amigos: caso houvesse deuses, como suportaria eu não ser deus? Portanto, não há deuses” (Nietzsche, Assim Falou Zaratustra). Temos uma resposta lindíssima que podemos reinterpretar aos olhos de Espinosa: “Vós sois deuses“.
sábado, 13 de maio de 2023
neocolonial 1 A colonialidade do saber: eurocentrismo... e ciÍncias sociais Perspectivas latino-americanas
A colonialidade do saber:
eurocentrismo e ciÍncias sociais
Perspectivas latino-americanas
https://ufrb.edu.br/educacaodocampocfp/images/Edgardo-Lander-org-A-Colonialidade-do-Saber-eurocentrismo-e-ciC3AAncias-sociais-perspectivas-latinoamericanas-LIVRO.pdf
CiÍncias sociais: saberes coloniais e eurocÍntricos, 8
Edgardo Lander
Europa, modernidade e eurocentrismo, 24
Enrique Dussel
A colonialidade de cabo a rabo: o hemisfÈrio ocidental no horizonte conceitual da
modernidade, 33
Walter D. Mignolo
Natureza do pÛs-colonialismo: do eurocentrismo ao globocentrismo, 50
Fernando Coronil
O lugar da natureza e a natureza do lugar: globalizaÁ„o ou pÛs-desenvolvimento?63
Arturo Escobar
CiÍncias sociais, violÍncia epistÍmica e o problema da ìinvenÁ„o do outroî, 80
Santiago Castro-GÛmez
Superar a exclus„o, conquistar a equidade: reformas, polÌticas e capacidades no
‚mbito social, 88
Alejandro Moreno
Abrir, ìimpensarî e redimensionar as ciÍncias sociais na AmÈrica Latina e Caribe
… possÌvel uma ciÍncia social n„o eurocÍntrica em nossa regi„o? 95
Francisco LÛpez Segrera
Colonialidade do poder, eurocentrismo e AmÈrica Latina, 107
AnÌbal Quijano
3
ApresentaÁ„o d
quinta-feira, 11 de maio de 2023
Aristoteles - obra completa
file:///C:/Users/HOME/Desktop/Aristoteles%20completa.pdf
Antônio Pedro Mesquita
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